Neurologia da Atenção
Nubor Orlando Facure
“A atenção não é propriedade de uma única área do cérebro nem do cérebro todo” Posner, M. I.
A atenção como um todo parece envolver praticamente o cérebro inteiro, mas, na verdade, os pesquisadores conseguiram determinar 3 “blocos” distintos de atividade – chamados de “subfunções da atenção”. Cada um deles envolve a associação de várias áreas cerebrais, utilizam um neurotransmissor próprio que modula suas mudanças (direcionamento) e provoca disfunções clínicas específicas daquela função.
São eles:
O Estado de alerta, a Orientação e a Atenção executiva.
Vou à estação rodoviária receber um parente. Fico alerta acompanhando a chegada de vários ônibus. Preciso me orientar nas plataformas de desembarque e selecionar corretamente a procedência de todos os ônibus que estacionam. Tenho de manter a atenção “ligada” às feições dos passageiros que chegam até que encontre, no meio da multidão, o parente esperado. Não posso confundi-lo com um estranho para não “pagar mico”.
1 – O ESTADO DE ALERTA:
É a “preparação” para atender a um evento que se aproxima e inclui, também, o processo de se chegar a esse estado de preparação.
O “estado de alerta” envolve as seguintes áreas cerebrais: junção dos lobos parietal e temporal, região parietal superior, o campo frontal dos olhos e os colículos superiores relacionados com as vias ópticas.
O neurotransmissor que modula o estado de alerta é a ACETILCOLINA.
Os dois quadros clínicos principais ligados ao comprometimento do estado de alerta, são: as mudanças atencionais que ocorrem no envelhecimento (o idoso tende a ficar desatento) e os distúrbios de atenção do TDAH.
2 – A ORIENTAÇAO:
É definida pela “seleção de estímulos” a serem atendidas. Faço minha escolha para olhar de que direção veio essa luz ou de que lado eu escutei esse barulho.
As áreas do cérebro ligadas a essa função se referem ao Locus Coeruleus, o córtex frontal direito e o córtex parietal.
O neurotransmissor que modula a orientação é a NOREPINEFRINA
A disfunção clínica ligada ao sistema de orientação da atenção é o AUTISMO. Esse paciente não é capaz de mudar o foco de sua atenção para um estímulo novo produzido ao seu redor. Ele não atende a um chamado, não “escuta” uma sineta do lado, não olha para o coleguinha que se aproxima, não toca no brinquedo que oferecemos. Sua atenção permanece prisioneira do seu mundo interno.
3 – A ATENÇAO EXECUTIVA
Compreende os processos de monitoramento (acompanhar propositadamente) e de resolução de conflitos que surgem nos processos internos. Esses processos, logicamente, incluem os pensamentos, os sentimentos e as reações internas que os estímulos provocam. Nesse ponto de mais alta complexidade mental, vou elaborar minhas escolhas, vou identificar as ameaças, vou provocar minhas emoções. É como o encontro de um velho amigo, a descoberta da rua que procurava, a decisão de comprar aquela camisa que vou usar no casamento, o arrepio que a taturana me provocou quando fui apanhar o maracujá no quintal.
As áreas do cérebro envolvidas nessa etapa final e mais elaborada dos processos atencionais são: A porção anterior do giro Cíngulo, o córtex pré-frontal e os gânglios da base.
O neurotransmissor mais ligado à atenção executiva é a DOPAMINA
As manifestações clínicas que ocorrem associadas à disfunção do sistema de atenção executiva são: a doença de ALZHEIMER, a ESQUIZOFRENIA e os distúrbios de personalidade BODERLINE.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Neurovisão
Nubor Orlando Facure
A visão é um exercício cerebral extraordinário. Do olho até ao cérebro são quatro estações de embarque - o nervo óptico, os colículos superiores, o tálamo e o córtex occipital. Para codificar a visão de um objeto e todo seu significado, mobilizamos 25 % de todo o córtex cerebral – do occipital ao frontal. Colocando tudo para funcionar on line.
Passa um objeto sobre nossas cabeças. E o que é que vejo?
Registro a cor, a forma, onde está e o que é. Seria um pássaro?
Tamanho – é muito grande para ser um pássaro.
Movimento - passou muito depressa, mal deu para ver os detalhes.
Distância – parece ter ido perto, logo acima nessa árvore
Textura – acho que é um bicho peludo
Sombreamento – tive a impressão que era escuro
Como faço para pegá-lo? – posso estender a mão para pegá-lo, mas, alguma coisa me mete medo, talvez porque, ainda não sei o que é
Fluxo óptico (outros objetos que estão vindo em minha direção) – com o vento a folhagem começa a me incomodar
Velocidade do deslocamento – sei que passou correndo e depois parou em algum galho da árvore
Em quanto tempo ele me alcança? – se não me esquivasse eu seria atingido em minutos
Em quanto tempo chego lá? – num instante
Como faço para evitá-lo? – com pequeno deslocamento pude desviar-me sem trombar com ele
Quando vou em frente tem objetos que se afastam de mim e outros se aproximam (fluxo óptico) – meu quintal está cheio de outros animais.
Estou vendo agora com nitidez, era uma das gatinhas pretas que minha esposa cria no quintal
Imaginem um passeio pelo shopping. Vou ver as lojas, as vitrines, as roupas, os celulares, os computadores e a multidão que cruza comigo enquanto procuro o livro que quero encontrar. Estou registrando o fluxo óptico evitando trombadas com quem vem em minha direção. É fundamental ter noção da velocidade com que eles se aproximam de mim. Calculo as distâncias dos objetos que tiro das prateleiras para conhecer melhor. Admiro as cores, a textura e o “design” dos celulares. Vejo os detalhes das imagens na tela de um GPS e tento decifrar seus códigos.
Preciso conhecer esse aparelhinho simpático – meu neto vem em meu socorro e me ensina que é um Ipod. Vivendo e aprendendo, ou melhor, vendo e aprendendo.
Nubor Orlando Facure
A visão é um exercício cerebral extraordinário. Do olho até ao cérebro são quatro estações de embarque - o nervo óptico, os colículos superiores, o tálamo e o córtex occipital. Para codificar a visão de um objeto e todo seu significado, mobilizamos 25 % de todo o córtex cerebral – do occipital ao frontal. Colocando tudo para funcionar on line.
Passa um objeto sobre nossas cabeças. E o que é que vejo?
Registro a cor, a forma, onde está e o que é. Seria um pássaro?
Tamanho – é muito grande para ser um pássaro.
Movimento - passou muito depressa, mal deu para ver os detalhes.
Distância – parece ter ido perto, logo acima nessa árvore
Textura – acho que é um bicho peludo
Sombreamento – tive a impressão que era escuro
Como faço para pegá-lo? – posso estender a mão para pegá-lo, mas, alguma coisa me mete medo, talvez porque, ainda não sei o que é
Fluxo óptico (outros objetos que estão vindo em minha direção) – com o vento a folhagem começa a me incomodar
Velocidade do deslocamento – sei que passou correndo e depois parou em algum galho da árvore
Em quanto tempo ele me alcança? – se não me esquivasse eu seria atingido em minutos
Em quanto tempo chego lá? – num instante
Como faço para evitá-lo? – com pequeno deslocamento pude desviar-me sem trombar com ele
Quando vou em frente tem objetos que se afastam de mim e outros se aproximam (fluxo óptico) – meu quintal está cheio de outros animais.
Estou vendo agora com nitidez, era uma das gatinhas pretas que minha esposa cria no quintal
Imaginem um passeio pelo shopping. Vou ver as lojas, as vitrines, as roupas, os celulares, os computadores e a multidão que cruza comigo enquanto procuro o livro que quero encontrar. Estou registrando o fluxo óptico evitando trombadas com quem vem em minha direção. É fundamental ter noção da velocidade com que eles se aproximam de mim. Calculo as distâncias dos objetos que tiro das prateleiras para conhecer melhor. Admiro as cores, a textura e o “design” dos celulares. Vejo os detalhes das imagens na tela de um GPS e tento decifrar seus códigos.
Preciso conhecer esse aparelhinho simpático – meu neto vem em meu socorro e me ensina que é um Ipod. Vivendo e aprendendo, ou melhor, vendo e aprendendo.
Atenção – como ela funciona?
Nubor Orlando Facure
Habituação – supressão inconsciente do barulho em volta de mim.
O ambiente nos estimula constantemente com um bombardeio de informações. Estou escrevendo, escuto ao longe a televisão ligada, um ruído leve do motor da geladeira, uma brisa fria do ar condicionado, um ruído monótono de um grilinho no quintal. A habituação nos salva dessa enorme demanda de sinais. E ela o faz “de graça”, sem qualquer esforço adicional, inconscientemente “apaguei” a voz do noticiário da Tv para concentrar minha atenção no computador.
Atenção usando a consciência
Vamos analisar 4 funções conscientes da atenção: a detecção de sinais, a atenção seletiva, a atenção dividida e a busca.
1 – A Detecção de sinais
Estou esperando o técnico da televisão – de repente toca a campanhinha, pelo interfone confirmo que ele chegou.
Mesmo digitando no computador, eu estava VIGILANTE, esperando o sinal da chegada do técnico. Mesmo cansado a gente ainda consegue manter-se vigilante, especialmente, quando se espera por um sinal de alarme ou a entrada do programa noturno que aguardamos.
A vigilância para detectar sinais é importantíssima para determinados profissionais – o salva-vidas que vigia os banhistas, o controlador de tráfego aéreo que acompanha o radar, o médico da UTI que não desgruda o olhar dos monitores, o investigador de polícia que procura pistas do crime, o bombeiro que está constantemente atento a sirene de alarme.
Na detecção dos sinais podem ocorrer acertos, falhas e alarmes falsos. Uma radiografia com uma mancha no pulmão já alarmou muito médico desavisado.
2 – A atenção seletiva
Conscientemente fazemos escolhas de onde focar nossa atenção. Numa reunião festiva são muitos falando, mas, preciso prestar atenção ao que diz minha esposa aqui do meu lado. Numa aula barulhenta tenho de escutar o professor falando. Num filme legendado tenho de acompanhar o texto para não perder os diálogos. Estou lendo um livro e não posso me distrair com a música do rádio da nossa empregada.
O fato de concentrarmos a atenção seletivamente em determinados estímulos de informação, melhora nossa capacidade de manipular esses estímulos, utilizando-os em “outros processos cognitivos”. Ouvindo com atenção compreenderemos melhor o interlocutor, mais atentos aos cálculos resolveremos melhor nosso problema de matemática – ou seja – estamos utilizando melhor a compreensão verbal, o planejamento e a tomada de decisões.
3 – A Atenção dividida
Os recursos da atenção podem ser distribuídos prudentemente conforme as necessidades. É o caso de precisarmos realizar várias tarefas ao mesmo tempo. Essa competência tem ligação direta com a sobrevivência. Basta ver entre os animais a mãe que amamenta os filhotes – está atenta a eles, os acomoda, distribui comida na boca de cada um e ao mesmo tempo está vigilante a quem se aproxima trazendo insegurança aos filhotes.
Por isso, esse talento exacerbado das nossas mulheres que prestam atenção em tudo ao seu redor. Não tem festa que elas não anotaram os vestidos ou enfeites das amigas. Na cozinha elas se agigantam – fazem as misturas, dirigem a empregada, controlam os filhos e reclama do marido.
O motorista de taxi circula as pressas pelas ruas e, ao mesmo tempo, conversa, critica o trânsito, reclama dos ônibus em excesso na cidade, para no sinal vermelho e responde ao chamado do rádio sem se atrapalhar.
4 – A Busca
A vigilância é a espera passiva de um sinal que está por vir. A busca é essencialmente uma postura ativa. Estamos procurando alguma coisa de modo persistente e competente. A busca se refere a uma “varredura” pelo ambiente. Estamos procurando o vinho chileno nas prateleiras do supermercado, o bicarbonato na dispensa, uma tradução no dicionário ou onde está minha filha na saída da escola.
Na busca, enfrentamos freqüentemente a distração e o alarme falso. Os vendedores espertos são hábeis em nos enganar com as distrações e propaganda enganosa (uma informação ambígua).
Detectando sinais específicos somos impelidos a realizar buscas minuciosas. É o caso de se detectar fumaça e sairmos para procurar onde tem fogo.
Idosos estão sempre buscando onde deixaram os óculos, os chinelos ou o jornal. Os adolescentes reviram a casa atrás do celular que nunca sabem onde perderam e as crianças “procuram” na geladeira o que mais tem para comer em casa.
Estados emocionais afetam intensamente nossa tarefa de vigilância e busca. Isso pode ser um prejuízo na vida moderna – seu nervosismo não lhe deixa ver coisas na frente do nariz – acaba não comprando o queijo da fazenda que você tanto queria. Entretanto, os estados emocionais trouxeram uma vantagem adaptativa na vida ancestral do ser humano caçador-coletor. Sem um pouco de agitação, a “comida” passa correndo por nós e amargamos um jejum involuntário.
Nubor Orlando Facure
Habituação – supressão inconsciente do barulho em volta de mim.
O ambiente nos estimula constantemente com um bombardeio de informações. Estou escrevendo, escuto ao longe a televisão ligada, um ruído leve do motor da geladeira, uma brisa fria do ar condicionado, um ruído monótono de um grilinho no quintal. A habituação nos salva dessa enorme demanda de sinais. E ela o faz “de graça”, sem qualquer esforço adicional, inconscientemente “apaguei” a voz do noticiário da Tv para concentrar minha atenção no computador.
Atenção usando a consciência
Vamos analisar 4 funções conscientes da atenção: a detecção de sinais, a atenção seletiva, a atenção dividida e a busca.
1 – A Detecção de sinais
Estou esperando o técnico da televisão – de repente toca a campanhinha, pelo interfone confirmo que ele chegou.
Mesmo digitando no computador, eu estava VIGILANTE, esperando o sinal da chegada do técnico. Mesmo cansado a gente ainda consegue manter-se vigilante, especialmente, quando se espera por um sinal de alarme ou a entrada do programa noturno que aguardamos.
A vigilância para detectar sinais é importantíssima para determinados profissionais – o salva-vidas que vigia os banhistas, o controlador de tráfego aéreo que acompanha o radar, o médico da UTI que não desgruda o olhar dos monitores, o investigador de polícia que procura pistas do crime, o bombeiro que está constantemente atento a sirene de alarme.
Na detecção dos sinais podem ocorrer acertos, falhas e alarmes falsos. Uma radiografia com uma mancha no pulmão já alarmou muito médico desavisado.
2 – A atenção seletiva
Conscientemente fazemos escolhas de onde focar nossa atenção. Numa reunião festiva são muitos falando, mas, preciso prestar atenção ao que diz minha esposa aqui do meu lado. Numa aula barulhenta tenho de escutar o professor falando. Num filme legendado tenho de acompanhar o texto para não perder os diálogos. Estou lendo um livro e não posso me distrair com a música do rádio da nossa empregada.
O fato de concentrarmos a atenção seletivamente em determinados estímulos de informação, melhora nossa capacidade de manipular esses estímulos, utilizando-os em “outros processos cognitivos”. Ouvindo com atenção compreenderemos melhor o interlocutor, mais atentos aos cálculos resolveremos melhor nosso problema de matemática – ou seja – estamos utilizando melhor a compreensão verbal, o planejamento e a tomada de decisões.
3 – A Atenção dividida
Os recursos da atenção podem ser distribuídos prudentemente conforme as necessidades. É o caso de precisarmos realizar várias tarefas ao mesmo tempo. Essa competência tem ligação direta com a sobrevivência. Basta ver entre os animais a mãe que amamenta os filhotes – está atenta a eles, os acomoda, distribui comida na boca de cada um e ao mesmo tempo está vigilante a quem se aproxima trazendo insegurança aos filhotes.
Por isso, esse talento exacerbado das nossas mulheres que prestam atenção em tudo ao seu redor. Não tem festa que elas não anotaram os vestidos ou enfeites das amigas. Na cozinha elas se agigantam – fazem as misturas, dirigem a empregada, controlam os filhos e reclama do marido.
O motorista de taxi circula as pressas pelas ruas e, ao mesmo tempo, conversa, critica o trânsito, reclama dos ônibus em excesso na cidade, para no sinal vermelho e responde ao chamado do rádio sem se atrapalhar.
4 – A Busca
A vigilância é a espera passiva de um sinal que está por vir. A busca é essencialmente uma postura ativa. Estamos procurando alguma coisa de modo persistente e competente. A busca se refere a uma “varredura” pelo ambiente. Estamos procurando o vinho chileno nas prateleiras do supermercado, o bicarbonato na dispensa, uma tradução no dicionário ou onde está minha filha na saída da escola.
Na busca, enfrentamos freqüentemente a distração e o alarme falso. Os vendedores espertos são hábeis em nos enganar com as distrações e propaganda enganosa (uma informação ambígua).
Detectando sinais específicos somos impelidos a realizar buscas minuciosas. É o caso de se detectar fumaça e sairmos para procurar onde tem fogo.
Idosos estão sempre buscando onde deixaram os óculos, os chinelos ou o jornal. Os adolescentes reviram a casa atrás do celular que nunca sabem onde perderam e as crianças “procuram” na geladeira o que mais tem para comer em casa.
Estados emocionais afetam intensamente nossa tarefa de vigilância e busca. Isso pode ser um prejuízo na vida moderna – seu nervosismo não lhe deixa ver coisas na frente do nariz – acaba não comprando o queijo da fazenda que você tanto queria. Entretanto, os estados emocionais trouxeram uma vantagem adaptativa na vida ancestral do ser humano caçador-coletor. Sem um pouco de agitação, a “comida” passa correndo por nós e amargamos um jejum involuntário.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Preste a Atenção !
Nubor Orlando Facure
“Atenção é a tomada de posse pela mente…...Implica em se afastar de algumas coisas para lidar efetivamente com outras” (William James)
Qual é o papel da atenção?
1 – Monitorar as interações do indivíduo com o ambiente (preste atenção, o professor está falando com você)
2 – Estabelecer uma relação com o passado (lembro-me que já vi esse relógio) e com o presente (ele agora está muito atrasado) para dar um sentido de continuidade da experiência (fui eu mesmo quem o guardei aqui) – essa continuidade, também, serve de base para minha identidade pessoal.
3 – A atenção ajuda no controle e no planejamento das ações futuras, que se processam com base naquele monitoramento do ambiente e das ligações de minhas lembranças do passado, integradas com minhas sensações no presente momento (o tema dessa aula é extremamente importante, já li alguma coisa a respeito, mas, preciso prestar muita atenção porque esse assunto vai cair na prova final).
A atenção, a memória e principalmente a consciência, formam um conjunto de funções parcialmente sobrepostas – algumas vezes elas até parecem ser a mesma coisa.
Você não prestou atenção naquela mulher – é que eu não me lembrava dela.
Eu fiz sem prestar a atenção – estava meio “passado”.
Nubor Orlando Facure
“Atenção é a tomada de posse pela mente…...Implica em se afastar de algumas coisas para lidar efetivamente com outras” (William James)
Qual é o papel da atenção?
1 – Monitorar as interações do indivíduo com o ambiente (preste atenção, o professor está falando com você)
2 – Estabelecer uma relação com o passado (lembro-me que já vi esse relógio) e com o presente (ele agora está muito atrasado) para dar um sentido de continuidade da experiência (fui eu mesmo quem o guardei aqui) – essa continuidade, também, serve de base para minha identidade pessoal.
3 – A atenção ajuda no controle e no planejamento das ações futuras, que se processam com base naquele monitoramento do ambiente e das ligações de minhas lembranças do passado, integradas com minhas sensações no presente momento (o tema dessa aula é extremamente importante, já li alguma coisa a respeito, mas, preciso prestar muita atenção porque esse assunto vai cair na prova final).
A atenção, a memória e principalmente a consciência, formam um conjunto de funções parcialmente sobrepostas – algumas vezes elas até parecem ser a mesma coisa.
Você não prestou atenção naquela mulher – é que eu não me lembrava dela.
Eu fiz sem prestar a atenção – estava meio “passado”.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
ESTUDANDO A MORTE
Jorge Facure
Creio ser oportuno o estudo da morte, buscando entender o que isto significa, com o objetivo de enfrentarmos melhor este nosso destino imutável.
Comento os estudos que realizei, sobre várias afirmações do que poderíamos encontrar após a morte. Em primeiro lugar, gostaria de citar o que nos relatam as pessoas que passaram pela experiência de quase morte (EQM). Estas pessoas, narram algo muito semelhante, comum a todas elas. Esta afirmação foi bastante analisada por Kenneth Ring em seu livro “ Lições da Luz” : o que podemos aprender com as experiências de proximidade da morte. (São Paulo: Summus, 2001). Uma destas ocorrência, foi narrada por Graig, um jovem que quase se afogara em um acidente de raffing : “Cenas de minha vida começaram a passar diante de meus olhos com uma velocidade incrível . Pressenti que quando estas imagens acabassem, eu perderia a consciência para sempre. Tive uma sensação de regredir no tempo. Me vi sentado em um cadeirão de bebê, pegando comida com a mão. Lembrei-me de um acidente de barco com 7 anos de idade.As imagens continuavam surgindo com grande velocidade e eu sentia que elas se aproximavam rapidamente do presente. Neste ponto senti o coração para de bater, não há desconforto, Me sentia movimentando em um vazio, era um túnel escuro. Percebi um ponto de luz distante e de repente, o ponto luminoso aumentou de tamanho e passei a fazer parte desta luz. Senti como se todo o mundo estivesse em harmonia total. Tinha a sensação de estar flutuando. Eu via meu corpo 2,5 metros abaixo da água, mas isto, não me incomodava. Comecei a ver a figura de um homem parcialmente transparente e 5 rostos a sua esquerda. Estes espíritos ou almas pareciam me conhecer muito bem, eram como uma espécie de parentes de meu passado, mas eu não os reconheci. Então o homem me explicou que não era muito tarde para eu voltar e sentia que eu queria mesmo voltar. Senti também que queria e que poderia voltar e, neste instante, fui lançado ao meu corpo como um relâmpago “.
Interessante citar que no livro referido, há vários relatos de crianças que passaram pela EQM. De um modo geral, há uma certa constância na referência a um túnel ou ambiente escuro, o registro de uma luz intensa, sensação de bem estar, ausência de medo, diálogo com pessoas, visão direta do corpo e compreensão de que houve uma saída e uma volta para o corpo.
Há no livro a narração de uma criança sobre o que ela pensa sobre a morte , fortalecendo muito a crença na possibilidade da sobrevivência após a morte do corpo. “ Eu acho que quando morremos, não está acabado. Tudo continua. Nós apenas voltamos para a casa onde estávamos antes de estar nesta vida . E a vida é apenas alguma coisa com a qual precisamos aprender algo. Quando aprendemos, voltamos para casa, onde estávamos antes”.
Para analisarmos estas ocorrências, precisamos acreditar em primeiro lugar, na existência da alma. É preciso aceitar o fato de que o ser humano possui um componente alem da matéria .Este fato é aceito pela fé, uma vez que a ciência ainda não tem os meios necessários para a sua comprovação.
O médico Inácio Ferreira, em seu livro “ Psiquiatria em Face da reencarnação” escrito na década de 40 reeditado em 2001- 9ª ed.. São Paulo: Edições FEESP, relata importantes observações de como a existência da alma era aceita por diversos povos e por renomados filósofos. “ Os Incas admitiam a existência de dois seres em um só : um de carne propenso a fadiga e a dor e outro, semelhante ao carnal mas que não se fadigava, não sofria e se transformava facilmente – era a alma e essa seria a sua vida definitiva. Os Egípcios, há 40.000 anos, registraram através de inúmeros monumentos a crença na existência após a morte, sobretudo pelas sua múmias a espera do renascimento. Os Aztecas acreditavam que após a morte do corpo, as almas que vivem virtuosamente vão para além das altas montanhas, onde se encontraram com a alma dos avós.
Aristófanes e sófocles, sob a denominação de as esperanças da morte, ensinavam, alem das existências sucessivas das almas, a Unidade de Deus e a pluralidade dos mundos. Sócrates, apolônio de Thyana, Empédocles,Platão, ensinavam que a alma, desembaraçada de suas imperfeições, não volta mais a Terra “.
Paramahansa Yogananda, em seu livro “Autobiografia de um Yoga (Los Angeles CA, USA), relata que no ano de 1936, durante exercício de meditação, teve uma visão de seu guru, Sri Yukteswar, já falecido, que lhe revelou fatos surpeendentes. “ Estou habitando um planeta astral. Seus habitantes estão melhor capacitados que a humanidade terrena para seguir os meus elevados padrões. Você e seus entes queridos que alcançaram a elevação, para lá irão algum dia”. Paramahansa Yogananda, fundou em 1920 nos Estados Unidos a Self Realization Fellowship, para difundir em escala mundial a ciência da meditação Yogue, a arte da vida equilibrada e a unidade fundamental de todas as grandes religiões.
A doutrina espírita, fornece informações precisas sobre a espiritualidade, contidas no “Livro dos Espíritos” ,escrito por Allan Kardec em 18 de abril de 1857.(63ª edição - São Paulo – LAKE,2002). Extraímos desse livro algumas perguntas pertinentes ao nosso estudo:
Pergunta 134 - O que é a alma?
Resposta: um espírito encarnado
Pergunta 135 – O que era a alma antes de se unir ao corpo?
Resposta: Um espírito.
Pergunta 135 – Há no homem outra coisa mais que a alma e o corpo?
Resposta: Há o laço que une a alma ao corpo
Perguenta 135 a- Qual é a natureza deste laço?
Resposta: Semi material, ou seja, de natureza intermediária entre o espírito e o corpo.
Pergunta 149 – Em que se torna a alma após a morte?
Resposta: Volta a ser espírito, ou seja, retorna ao mundo dos espíritos, que havia deixado temporariamente.
Embora em um futuro não muito distante, provavelmente teremos a prova científica da existência da alma e da continuidade da vida na espiritualidade, não podemos considerar indispensável esta constatação para assegurarmos a própria evolução.
É preciso lembrar que já recebemos todos os ensinamentos necessários para esta marcha evolutiva. O conhecimento científico confirmando de onde viemos e para onde vamos, é desejável, porém, não é indispensável para o aprimoramento de nós mesmos.
Com este estudo da morte, estamos na realidade preconizando a escolha de uma vida produtiva em benefício do semelhante, como melhor conduta de vida, estamos portanto, na realidade , “Estudando a Vida”.
Campinas,11 de fevereiro de 2010
Dr. Jorge Facure , é médico, professor livre docente aposentado, da FCM – Unicamp. Diretor Técnico do Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas. - jfacure@terra.com.br
Jorge Facure
Creio ser oportuno o estudo da morte, buscando entender o que isto significa, com o objetivo de enfrentarmos melhor este nosso destino imutável.
Comento os estudos que realizei, sobre várias afirmações do que poderíamos encontrar após a morte. Em primeiro lugar, gostaria de citar o que nos relatam as pessoas que passaram pela experiência de quase morte (EQM). Estas pessoas, narram algo muito semelhante, comum a todas elas. Esta afirmação foi bastante analisada por Kenneth Ring em seu livro “ Lições da Luz” : o que podemos aprender com as experiências de proximidade da morte. (São Paulo: Summus, 2001). Uma destas ocorrência, foi narrada por Graig, um jovem que quase se afogara em um acidente de raffing : “Cenas de minha vida começaram a passar diante de meus olhos com uma velocidade incrível . Pressenti que quando estas imagens acabassem, eu perderia a consciência para sempre. Tive uma sensação de regredir no tempo. Me vi sentado em um cadeirão de bebê, pegando comida com a mão. Lembrei-me de um acidente de barco com 7 anos de idade.As imagens continuavam surgindo com grande velocidade e eu sentia que elas se aproximavam rapidamente do presente. Neste ponto senti o coração para de bater, não há desconforto, Me sentia movimentando em um vazio, era um túnel escuro. Percebi um ponto de luz distante e de repente, o ponto luminoso aumentou de tamanho e passei a fazer parte desta luz. Senti como se todo o mundo estivesse em harmonia total. Tinha a sensação de estar flutuando. Eu via meu corpo 2,5 metros abaixo da água, mas isto, não me incomodava. Comecei a ver a figura de um homem parcialmente transparente e 5 rostos a sua esquerda. Estes espíritos ou almas pareciam me conhecer muito bem, eram como uma espécie de parentes de meu passado, mas eu não os reconheci. Então o homem me explicou que não era muito tarde para eu voltar e sentia que eu queria mesmo voltar. Senti também que queria e que poderia voltar e, neste instante, fui lançado ao meu corpo como um relâmpago “.
Interessante citar que no livro referido, há vários relatos de crianças que passaram pela EQM. De um modo geral, há uma certa constância na referência a um túnel ou ambiente escuro, o registro de uma luz intensa, sensação de bem estar, ausência de medo, diálogo com pessoas, visão direta do corpo e compreensão de que houve uma saída e uma volta para o corpo.
Há no livro a narração de uma criança sobre o que ela pensa sobre a morte , fortalecendo muito a crença na possibilidade da sobrevivência após a morte do corpo. “ Eu acho que quando morremos, não está acabado. Tudo continua. Nós apenas voltamos para a casa onde estávamos antes de estar nesta vida . E a vida é apenas alguma coisa com a qual precisamos aprender algo. Quando aprendemos, voltamos para casa, onde estávamos antes”.
Para analisarmos estas ocorrências, precisamos acreditar em primeiro lugar, na existência da alma. É preciso aceitar o fato de que o ser humano possui um componente alem da matéria .Este fato é aceito pela fé, uma vez que a ciência ainda não tem os meios necessários para a sua comprovação.
O médico Inácio Ferreira, em seu livro “ Psiquiatria em Face da reencarnação” escrito na década de 40 reeditado em 2001- 9ª ed.. São Paulo: Edições FEESP, relata importantes observações de como a existência da alma era aceita por diversos povos e por renomados filósofos. “ Os Incas admitiam a existência de dois seres em um só : um de carne propenso a fadiga e a dor e outro, semelhante ao carnal mas que não se fadigava, não sofria e se transformava facilmente – era a alma e essa seria a sua vida definitiva. Os Egípcios, há 40.000 anos, registraram através de inúmeros monumentos a crença na existência após a morte, sobretudo pelas sua múmias a espera do renascimento. Os Aztecas acreditavam que após a morte do corpo, as almas que vivem virtuosamente vão para além das altas montanhas, onde se encontraram com a alma dos avós.
Aristófanes e sófocles, sob a denominação de as esperanças da morte, ensinavam, alem das existências sucessivas das almas, a Unidade de Deus e a pluralidade dos mundos. Sócrates, apolônio de Thyana, Empédocles,Platão, ensinavam que a alma, desembaraçada de suas imperfeições, não volta mais a Terra “.
Paramahansa Yogananda, em seu livro “Autobiografia de um Yoga (Los Angeles CA, USA), relata que no ano de 1936, durante exercício de meditação, teve uma visão de seu guru, Sri Yukteswar, já falecido, que lhe revelou fatos surpeendentes. “ Estou habitando um planeta astral. Seus habitantes estão melhor capacitados que a humanidade terrena para seguir os meus elevados padrões. Você e seus entes queridos que alcançaram a elevação, para lá irão algum dia”. Paramahansa Yogananda, fundou em 1920 nos Estados Unidos a Self Realization Fellowship, para difundir em escala mundial a ciência da meditação Yogue, a arte da vida equilibrada e a unidade fundamental de todas as grandes religiões.
A doutrina espírita, fornece informações precisas sobre a espiritualidade, contidas no “Livro dos Espíritos” ,escrito por Allan Kardec em 18 de abril de 1857.(63ª edição - São Paulo – LAKE,2002). Extraímos desse livro algumas perguntas pertinentes ao nosso estudo:
Pergunta 134 - O que é a alma?
Resposta: um espírito encarnado
Pergunta 135 – O que era a alma antes de se unir ao corpo?
Resposta: Um espírito.
Pergunta 135 – Há no homem outra coisa mais que a alma e o corpo?
Resposta: Há o laço que une a alma ao corpo
Perguenta 135 a- Qual é a natureza deste laço?
Resposta: Semi material, ou seja, de natureza intermediária entre o espírito e o corpo.
Pergunta 149 – Em que se torna a alma após a morte?
Resposta: Volta a ser espírito, ou seja, retorna ao mundo dos espíritos, que havia deixado temporariamente.
Embora em um futuro não muito distante, provavelmente teremos a prova científica da existência da alma e da continuidade da vida na espiritualidade, não podemos considerar indispensável esta constatação para assegurarmos a própria evolução.
É preciso lembrar que já recebemos todos os ensinamentos necessários para esta marcha evolutiva. O conhecimento científico confirmando de onde viemos e para onde vamos, é desejável, porém, não é indispensável para o aprimoramento de nós mesmos.
Com este estudo da morte, estamos na realidade preconizando a escolha de uma vida produtiva em benefício do semelhante, como melhor conduta de vida, estamos portanto, na realidade , “Estudando a Vida”.
Campinas,11 de fevereiro de 2010
Dr. Jorge Facure , é médico, professor livre docente aposentado, da FCM – Unicamp. Diretor Técnico do Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas. - jfacure@terra.com.br
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Neuroevolução
Nubor Orlando Facure
O nosso cérebro é uma conquista evolutiva como qualquer outra nos seres vivos. Evoluímos – todos os seres humanos - com a mesma aparência morfológica e os mesmos mecanismos cognitivos.
Daí nossa semelhança no uso da linguagem, no comportamento e no emprego das mesmas regras para o processamento mental. O que nos diferencia é a sensibilidade em reagir aos estímulos ambientais – nossas opções para o tipo de trabalho, o gosto pela arte, o apego à família, o respeito à natureza e o temor à divindade.
A evolução nos dotou de módulos mentais cognitivos:
São um conjunto de seqüências de instruções com as quais os organismos são cognitivamente preparados para perceber uma porção de informações sociais/ambientais específicas (um input) tratá-las e transformá-las, vias de regras em decisões (um output) afetando: um outro módulo mental – a visão despertando a memória, ou uma resposta fisiológica – meu cansaço é fome, ou uma resposta ao ambiente – é melhor sair daqui, tem muita abelha.
Cada módulo mental tem um “design” básico que passou por etapas de desenvolvimento – herança biológica – Privilegiamos a visão à cores e em profundidade. Deixamos o olfato para um plano secundário. Nossas percepções são fortemente contaminadas por emoção. A atenção se expandiu para mais de um foco – posso ler um jornal, ficar atento ao noticiário da televisão e estender a mão quando o telefone toca.
Uma mente modular nos favorece mais eficiência e rapidez dada a divisão de tarefas cognitivas, das especializações e sub- especializações mentais.
Na evolução, nosso comportamento foi sempre dirigido para solução de um problema adaptativo específico.
Com a mente, temos um conjunto de regras de processamento de informações para produzir essas soluções adaptativas - Temos módulos cognitivos para isso.
Escolher alimentos comestíveis, escolher parceiros amorosos, combater inimigos, identificar trapaceiros sociais e cuidar da prole.
A pressão do ambiente promoveu a organização funcional da mente. Vivemos num ambiente de adaptação evolutiva. Enfrentamos desafios para encontrar alimentos, selecionar e conquistar parceiros amorosos, identificar trapaceiros, localizarmos o espaço (onde estamos).
Hoje existe muita diferença entre o ambiente ancestral e o ambiente moderno – provocando situações mal-adaptadas - essa discrepância pode levar ao aparecimento de doenças.
Nossos mecanismos cognitivos estão adaptados para um ambiente social caçador-coletor. A adaptação exige centenas ou milhares de gerações em um ambiente com condições razoavelmente estável.
No período de revolução pós-agrícola houve mudanças bruscas – uma dieta com açúcar, o sedentarismo e o acúmulo de riquezas – e não houve tempo de seleção de mecanismo de reação a essas novas condições, levando a comportamentos mal-adaptativos – na verdade a mudança foi mais quantitativa – continuamos com os mesmos desafios para buscar comida, parceiro e acumular bens – ocorreu uma flexibilização dos nossos mecanismos mentais – e o cérebro já está adaptado?
Nubor Orlando Facure
O nosso cérebro é uma conquista evolutiva como qualquer outra nos seres vivos. Evoluímos – todos os seres humanos - com a mesma aparência morfológica e os mesmos mecanismos cognitivos.
Daí nossa semelhança no uso da linguagem, no comportamento e no emprego das mesmas regras para o processamento mental. O que nos diferencia é a sensibilidade em reagir aos estímulos ambientais – nossas opções para o tipo de trabalho, o gosto pela arte, o apego à família, o respeito à natureza e o temor à divindade.
A evolução nos dotou de módulos mentais cognitivos:
São um conjunto de seqüências de instruções com as quais os organismos são cognitivamente preparados para perceber uma porção de informações sociais/ambientais específicas (um input) tratá-las e transformá-las, vias de regras em decisões (um output) afetando: um outro módulo mental – a visão despertando a memória, ou uma resposta fisiológica – meu cansaço é fome, ou uma resposta ao ambiente – é melhor sair daqui, tem muita abelha.
Cada módulo mental tem um “design” básico que passou por etapas de desenvolvimento – herança biológica – Privilegiamos a visão à cores e em profundidade. Deixamos o olfato para um plano secundário. Nossas percepções são fortemente contaminadas por emoção. A atenção se expandiu para mais de um foco – posso ler um jornal, ficar atento ao noticiário da televisão e estender a mão quando o telefone toca.
Uma mente modular nos favorece mais eficiência e rapidez dada a divisão de tarefas cognitivas, das especializações e sub- especializações mentais.
Na evolução, nosso comportamento foi sempre dirigido para solução de um problema adaptativo específico.
Com a mente, temos um conjunto de regras de processamento de informações para produzir essas soluções adaptativas - Temos módulos cognitivos para isso.
Escolher alimentos comestíveis, escolher parceiros amorosos, combater inimigos, identificar trapaceiros sociais e cuidar da prole.
A pressão do ambiente promoveu a organização funcional da mente. Vivemos num ambiente de adaptação evolutiva. Enfrentamos desafios para encontrar alimentos, selecionar e conquistar parceiros amorosos, identificar trapaceiros, localizarmos o espaço (onde estamos).
Hoje existe muita diferença entre o ambiente ancestral e o ambiente moderno – provocando situações mal-adaptadas - essa discrepância pode levar ao aparecimento de doenças.
Nossos mecanismos cognitivos estão adaptados para um ambiente social caçador-coletor. A adaptação exige centenas ou milhares de gerações em um ambiente com condições razoavelmente estável.
No período de revolução pós-agrícola houve mudanças bruscas – uma dieta com açúcar, o sedentarismo e o acúmulo de riquezas – e não houve tempo de seleção de mecanismo de reação a essas novas condições, levando a comportamentos mal-adaptativos – na verdade a mudança foi mais quantitativa – continuamos com os mesmos desafios para buscar comida, parceiro e acumular bens – ocorreu uma flexibilização dos nossos mecanismos mentais – e o cérebro já está adaptado?
Neurofrases - 3
Nubor Orlando Facure
Os animais são perfeitamente capazes de se comunicarem conosco através de uma linguagem - própria deles. Sabemos compreendê-los quando tem fome, sede, medo, satisfação ou buscam nosso carinho. Isso é mais do que um comportamento, é uma atividade mental complexa – inteligente.
Comportamento é uma atividade mental expressa numa conduta.
Nossas necessidades criam desejos. Os desejos produzem idéias. As idéias estimulam comportamentos. Comportamentos induzem ações. Ações compõem os gestos. Parece que é assim que a partir da mente, do estímulo psíquico, que construímos os gestos. Freud atribuía ao ato motor a construção do psiquismo na criança. O explorar com as mãos a vai introduzindo no mundo, formando o Eu em separado do outro.
A consciência é a “idéia-síntese” que fazemos de nós e do mundo.
Como os objetos são percebidos no cérebro e na mente?
1 - O objeto atinge o cérebro por efeito da luz. O objeto determina uma “informação” luminosa. Os sinais de luz são processados no córtex visual. O objeto precisa estar presente no tempo e no espaço para ser visto. O mesmo objeto pode afetar o cérebro pelo tato, cheiro, gosto ou temperatura. O cérebro fará interpretações novas a cada tipo de estímulo.
2 - Na mente a luz não é necessária para o objeto ser percebido. O objeto é apreendido por si mesmo. Ele determina uma “imaginação”. A simples lembrança ou referência ao objeto reproduz sua imaginação. Ocorre a imaginação mesmo na ausência (espacial e temporal) do objeto. O estímulo que afeta a mente é inespecífico, indiferente. O objeto informa não só o que é, mas, tudo que contém - toda sua história.
Quando nos lembramos de alguém, não revemos a sua imagem. Recordamos é dos elementos que codificamos da sua pessoa.
Nubor Orlando Facure
Os animais são perfeitamente capazes de se comunicarem conosco através de uma linguagem - própria deles. Sabemos compreendê-los quando tem fome, sede, medo, satisfação ou buscam nosso carinho. Isso é mais do que um comportamento, é uma atividade mental complexa – inteligente.
Comportamento é uma atividade mental expressa numa conduta.
Nossas necessidades criam desejos. Os desejos produzem idéias. As idéias estimulam comportamentos. Comportamentos induzem ações. Ações compõem os gestos. Parece que é assim que a partir da mente, do estímulo psíquico, que construímos os gestos. Freud atribuía ao ato motor a construção do psiquismo na criança. O explorar com as mãos a vai introduzindo no mundo, formando o Eu em separado do outro.
A consciência é a “idéia-síntese” que fazemos de nós e do mundo.
Como os objetos são percebidos no cérebro e na mente?
1 - O objeto atinge o cérebro por efeito da luz. O objeto determina uma “informação” luminosa. Os sinais de luz são processados no córtex visual. O objeto precisa estar presente no tempo e no espaço para ser visto. O mesmo objeto pode afetar o cérebro pelo tato, cheiro, gosto ou temperatura. O cérebro fará interpretações novas a cada tipo de estímulo.
2 - Na mente a luz não é necessária para o objeto ser percebido. O objeto é apreendido por si mesmo. Ele determina uma “imaginação”. A simples lembrança ou referência ao objeto reproduz sua imaginação. Ocorre a imaginação mesmo na ausência (espacial e temporal) do objeto. O estímulo que afeta a mente é inespecífico, indiferente. O objeto informa não só o que é, mas, tudo que contém - toda sua história.
Quando nos lembramos de alguém, não revemos a sua imagem. Recordamos é dos elementos que codificamos da sua pessoa.
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