sábado, 24 de abril de 2010

Anotações amenas

Nubor Orlando Facure

As desordens da Atenção

A neurologia descreve quadros muito interessantes - clinicamente pitorescos - nas lesões cerebrais que comprometem a atenção.
1 - Negligência sensorial - ou hemi-intenção - o paciente deixa de perceber a existência de uma metade do seu corpo - pode interpretá-la como pertencente a outra pessoa.
2 - Fenômeno de extinção - com uma agulha picamos o braço do paciente. Ora o direito ora o esquerdo - as sensações são normais - quando picamos os dois braços simultaneamente ele não detecta a picada no lado esquerdo.
3 - Negligência motora - ou hemi-acinesia - um lado do corpo não acompanha a mesma performance motora do outro lado.
4 - Negligência hemi-espacial - pedimos para o paciente desenhar um relógio e uma flor - ele faz o desenho só de uma metade do relógio e da flor


Memória Afetiva

As lesões do lado direito do cérebro comprometem nossa memória emocional. Ouvindo uma historinha neutra, outra com conteúdo emocional forte e uma anedota engraçada, o paciente com lesão no hemisfério direito terá dificuldade de repetir de memória os estados emocionais das três situações que ouviu.
Com frequência nos enganamos

Joseph Priestley (1733-1804) - esse pastor inglês foi o descobridor do Oxigênio - - após a descoberta ele anotou: “ao aspirar este ar me senti leve e descançado. Quem sabe,um dia, ele venha a ser um artigo de luxo. Por enquanto, só eu e dois ratos tivemos o privilégio de respirá-lo”


O Universo e a Mente

Quando olhamos para o firmamento identificamos milhões de astros espetaculares. Os cientistas preferem dizer que, mais do que uma coleção de coisas, o Universo é uma grandiosa interação de eventos e processos - aí atua Deus.
Olhando para o cérebro identificamos as células e uma coleção extraordinária de eventos e processos - aqui atua a Mente.


A mais linda poesia sobre a Vida

“E formou o Senhor o Homem do pó da Terra, e soprou em seus narizes o fôlego da Vida; e o Homem foi feito alma vivente”
Gênesis 11:7

domingo, 18 de abril de 2010

Perguntas de um jornalista ao Dr. Nubor orlando Facure


A primeira questão é, na verdade, pedir um relato sobre o contexto em que o Sr. conheceu e conviveu com o Chico Xavier (as lembranças, experiências e de que forma tudo repercutiu ao longo da sua vida)?

Tive o primeiro encontro com Chico Xavier aos 18 anos quando ele iniciava sua mudança para Uberaba. Foi uma reunião solene no Centro Espírita Uberabense. Minha mãe anotou meu nome num papel e levou até a enorme pilha de pedidos de orientação que eram encaminhados ao Chico para ouvirmos as palavras da Espiritualidade. Lembro-me até hoje dessa mensagem. Ela me recomendava estar atento às lições do evangelho e não descuidar das questões sociais.
Posteriormente, já na mudança definitiva, foi meu pai o construtor da casa onde o Chico foi morar e isso facilitou contatos mais próximos com o médium.
Vou destacar um deles. Já era de madrugada e ao nos despedir do Chico, minha mãe, mais uma senhora e eu, o Chico nos pede para lermos uma página do evangelho. Caiu na escolha aleatória a lição de Jesus: “não atirai pérolas aos porcos“. Ele mesmo comentou que aprendera com Emmanuel que tudo tem sua hora, que por exemplo, num deserto, não adiantaria pregarmos as lições de Jesus, haveríamos de distribuir água que seria mais oportuno. Nisso ele pede que eu comente a lição. Foi quando fiz referência as mães que nas portas dos presídios, em situação de extremo sofrimento, esmagadas pelo desatino de filhos rebeldes com as Leis Divinas, mesmo assim elas perseveram e sempre consideram mesmo derrotadas em seus argumentos,que seus filhos são inocentes e merecem comiseração. Pude, surpreso, ver a comoção do Chico. Ele, então me agradece dizendo que naquele instante lhe apareceu aos olhos do Espírito a visão da sua mãe ali presente, sendo que faziam mais de 10 anos que ele não a via.
Biógrafos do Chico já exploraram exaustivamente episódios de sua vida, mas são milhares de contatos diretos com o médium e muito ainda haverá de se contar. Os cenários mais marcantes creio que todos conhecem. Tive oportunidade de estar presente em vários deles.
Estive na fila que antecedia as reuniões de sexta-feira disputando seu carinhoso abraço entre dezenas de amigos e necessitados de consolo que procuravam apenas tocar no Chico e ouvir-lo dizer - “confia meu filho, tudo vai da certo“, “vamos trabalhar para que nada de grave nos aconteça“.
Assisti a leitura de cartas comoventes, psicografadas aceleradamente.Uma delas era de um taxista assassinado em São Paulo, sua esposa Benedita estava ali presente e nós todos derramamos todas as lágrimas que nos era possível conter
Como se todos nós fôssemos atingidos pelo mesmo projétil que atingiu o taxista. Outra delas foi do meu avô que nos ofereceu um texto carregado de detalhes que só a família reconhece.
Acompanhei o Chico e o grupo de amigos nas famosas peregrinações noturnas percorrendo as ruas esburacadas no bairro onde ele morava. Ainda tenho na memória a visão do médium nas portas de um desses casebres carregando sempre um livro sob o braço. Cercado por todos ele lia uma página para nossa meditação e até hoje minhas lembranças registram aquele ton de voz mansa inigualável. Saíamos desses encontros cheios de vontade, prometendo todo nosso empenho em seguir seus exemplos.
Estive dentro da casa do Chico, num grupo restrito ouvindo seus relatos incansáveis de casos que se sucediam a mais casos que ele continuamente nos contava. Disse na última noite que lá estive que uma senhora de São Paulo o procurou aflita.
Chico, dizia ela - minha vida “está por um fio“, já fiz várias cirurgias, ainda tenho de tratar do coração. O que eu faço Chico?. Ele responde: “minha filha. Emmanuel aqui presente pede para lhe dizer que se você trabalhar o fio engrossa”
Também ouvi seus comentários instrutivos no final de uma das reuniões mediúnicas, já altas horas da madrugada. Algumas de suas mensagens ainda as retenho embora corroídas pelo tempo:
Dizia o Chico - os homens estão usando a mulher como chinelo, quando ficam folgados eles procuram outra. A pílula vai liberar realmente a mulher e, a comida que o ganso comeu até agora a mulher vai comer também. Dentro de 100 anos o bebê humano será totalmente produzido em laboratório. Na história humana foi sempre a mulher quem pagou esse alto preço que a gravidez a sujeita. O futuro da humanidade está nas mãos do próprio Homem, estará nas suas atitudes e decisões as conseqüências do que ele fará com o planeta. O Apocalipse poderá ou não ocorrer conforme nossa conduta. Por enquanto ele é provável porque não resolvemos a questão da Palestina (estávamos em 1976)
Estive com o Chico nas prolongadas distribuições de Natal onde milhares de necessitados esperavam receber um ou outro alimento e um sinal pelo menos do olhar do Chico.
Também o vi nos bancos do abacateiro onde ele emitiu pensamentos de profundo conteúdo filosófico.
No meu último contato com ele, numa das reuniões da Casa da Prece, permaneci por horas assentado no seu quintal me sentindo inundado numa paz que me afetava profundamente por dentro modificando meus pensamentos. Apelei para meus conhecimentos de neurologia para tentar explicar o que estava acontecendo em minha mente. Daí a pouco entrei até a sala da reuniões e, quando chegou minha vez, o Chico pronunciou meu nome e me pediu para aproximar o Maximo perto dele. Prendeu-me o rosto com as duas mão e me disse: preciso lhe fazer um pedido. Quase desmaiei. Ele completou: “não se esqueça de mim em suas preces”.





O Sr. se recorda de passagens de Chico por Campinas? Em 1972 ele recebeu o título de Cidadão Campineiro. Não sei se o Sr. pode comentar a respeito.

Assisti dois momentos do Chico em Campinas. Antes de receber o título de Cidadão campineiro em 1972 ele esteve num encontro realizado na Fonte São Paulo. Estive ali com minha esposa Lourdes e a filha Kátia na ocasião com 4 anos. A emoção não me permitiu reter detalhes da solenidade, mas, ao final o Chico permaneceu no palco atendendo a fila que se formou para cumprimentá-lo. Ao me reconhecer ele me fez aproximar o rosto e disse palavras que até hoje ressoam em meus ouvidos: “você está muito bem acompanhado” Quem seria? A parentela física, esposa e filha ou parentes do mundo espiritual a quem eu dirigia minhas orações naquele momento?
O título de “Cidadão Campineiro” foi recebido no Ginásio do Taquaral. Não cheguei a falar com ele, mas, lembro-me de algumas palavras do seu discurso de agradecimento quando ele nos diz que estavam presentes na solenidade Espíritos ilustres ligados a história de Campinas, lembro-me de Orosimbo Maia e Álvaro Ribeiro. Quero me desculpar se cometi algum erro nas datas que podem ser conferidas com os organizadores desses eventos





O Sr. pode indicar mais pessoas que conheceram o médium pessoalmente?

Poderia citar dezenas. Meus pais e, particularmente minha irmã conviveram com ele muito de perto. Vale a pena citar alguns momentos dessa relação de amizade. Quando meu pai já estava terminando de construir a casa onde o Chico foi morar ao se mudar para Uberaba, o lugar ainda era pouco habitado e, no entardecer, ele reunia os pedreiros para voltarem juntos. Nisso o Chico o chamava pedia seu lenço e apertava por instantes deixando o lenço impregnado com um perfume de rosas. Dizia o Chico que era para entregar à minha mãe. Todos parentes queriam cheirar o lenço para perceber o cheiro agradável. Lembro-me que minha mãe mandou um vidrinho cheio d’água com o recado ao Chico para ele perfumar o vidrinho que manteria por mais tempo o perfume.
Logo que foi concretizada a mudança, minha mãe, minha irmã e eu iniciamos no galpão do “centro” do Chico - Comunhão Espírita Cristã - as primeiras aulas dominicais, para evangelização das crianças do bairro.
Já morávamos em Campinas quando em 1992 faleceu minha mãe. Meses depois, eswtando em Uberaba minha irmã pede notícias dela ao Chico. Carinhosamente ele diz que ela estava dando aulas para crianças. E o que ela, não sendo professora estaria ensinando? “acolhendo crianças desencarnadas e ensinando “Jesus”, que as professoras de hoje estão omitindo em suas lições.




A disposição e decoração do consultório do Sr. também são reflexos do Espiritismo?

Cheguei em Campinas em 1966 e sempre manifestei meu pensamento espírita. Procurei não agredir as crenças de ninguém respeitando a escolha de cada um, mas, nunca me omitindo em conceitos como, a reencarnação, para justificar a aparente injustiça da ocorrência inesperada de tanto sofrimento que nós neurologistas presenciamos. Nunca deixei de falar sobre a imortalidade da Alma, tantas eram as notícias que tínhamos de parentes e amigos falecidos que se anunciavam na psicografia do Chico em Uberaba. Nunca deixei de ensinar aos meus alunos na UNICAMP, onde lecionei por 30 anos que só a existência do Espírito poderia explicar a diversidade da natureza humana, a complexidade das funções cerebrais, a maravilha de genialidade das crianças precoces.
Foi essa postura que culminou com a fundação do Instituto do Cérebro onde pude ampliar nossa prática espírita. Contando com o talento artístico da minha esposa o ambiente foi decorado com trabalhos dela. Também pelo seu esforço foram criadas mais de 5 mil pequenas mensagens que, no final das minhas consultas, os pacientes fazem uma leitura de uma delas aliviando a tensão dos diagnósticos ou das formalidades médicas indispensáveis.
Conto, também, com ajuda da minha filha Lúcia, que juntamente com a mãe, D. Lourde, fazem, semanalmente, uma reunião para leitura do evangelho. Freqüentemente um ou outro dos nossos pacientes acompanham essas reuniões de ajuda espiritual aos nossos doentes.
Quero lembrar, também, que toda nossa região já sabe que sou Espírita. Vez por outra fico sabendo de doentes que recusam me consultar justamente por isso. Entretanto, muitos me procuram justamente para esclarecimento de problemas espirituais. Preciso sempre deixar claro que nunca fuiz consultas espirituais, sou um neurologista espírita e posso ajudar orientando situações de comprometimento espiritual e, quando necessário encaminho esses pacientes ao Centro Allan Kardec da nossas cidade. Nessa situações já testemunhei inúmeras vezes manifestações mediúnicas nas nossas consultas, sejam incorporações ou vidência de entidades que ali se revelam aos pacientes portadores dessa aptidão.




O Sr. preserva materiais da época em que conheceu o médium? Fotos ou qualquer outro elemento que remeta à época.

Fiz opção de guardar apenas em minhas memórias a mensagem evangélica pregada pelo Chico. Nunca deixei de agradecer todo aprendizado que seus livros me permitiram desfrutar e nunca me esqueci de sua recomendação de que, entre ele e Kardec optássemos por Kardec. Para admiração e modelo a cultuar, apenas Jesus Cristo, a quem ele se referia com extrema doçura.
Numa próxima encarnação, seu eu não puder estar de novo com o Chico Xavier, pelo menos que alguém me faça a caridade de me oferecer um dos seus livros.
Perguntas de uma repórter para Dr. Nubor Orlando Facure

O senhor afirmou que “Já podemos perceber nos dias de hoje, uma procura espontânea por parte dos próprios pacientes, pela interpretação transcendente que o Espiritismo pode oferecer para as causas do seu sofrimento “
Como assim? Além da explicação cientifica o senhor dá explicações espirituais a seus pacientes?
A sua pergunta propõe uma distinção entre uma explicação “científica” e outra “espiritual”. Se considerarmos os conceitos das religiões tradicionais isso seria correto, porém, em se tratando de Doutrina Espírita precisamos fazer uma correção - , ela, em seu corpo doutrinário tem um amplo conteúdo “científico” para a abordagem do nosso sofrimento - por exemplo:
A existência de uma Alma desenvolvida a partir de formas mais primitivas de vida
A imortalidade dessa Alma
A reencarnação
A comunicação com os Espíritos que, portanto podem interferir muito em nossa vida e,
A existência de um “fluido” semi-material que ocasiona uma série de fenômenos transcendentes
É fácil percebermos que a Ciência Médica de hoje nos fornece um gigantesco aparato de tecnologia e um conteúdo extraordinário de conhecimento, reunindo Teorias para a circulação do sangue, para o metabolismo celular, para o funcionamento do cérebro, para as respostas imunológicas, para as contrariedades genéticas, porém, nenhum desses mecanismos esclarecedores das causas das doenças, é capaz de justificar a causa do sofrimento. Porque nasce um filho com anencefalia, porque morre tão jovem um irmão de infarto, porque nos primeiros anos da infância, a meningite prostou em coma um sobrinho?
São nessas circunstâncias que amargam a vida dos meus pacientes, que costumo lhes propor uma visão mais expandida das motivações Divinas para a nossa Dor.


Perguntas de uma repórter para Dr. Nubor Orlando Facure

O senhor sabe de algum caso em que Chico Xavier curou alguém?
Não serei eu a pessoa preparada para lhe dar essa resposta. Até onde sei, o médium Chico Xavier dirigiu seu talento mediúnico para a psicografia e não para a cura. Seguramente era esse o plano de trabalho que a espiritualidade, ou seja, seus mentores, preparam para sua atual existência na Terra - foram produzidos mais de 400 livros. Foi esse o legado extraordinário que Chico nos deixou.
Posso lhe contar que soube da sua presença na casa do meu avô, onde ele fez uma oração pedindo ajuda da espiritualidade. Percebia-se claramente o perfume de rosas que inundou por momentos o ambiente - fenômeno que ocorria pela presença do Espírito Sheila, uma enfermeira alemã, que se manifestava nessas ocasiões.
Pude, também, permanecer, por horas, ao seu lado, enquanto ele atendia uma fila extensa de necessitados. Constatei, como médico que sou, o seu papel de orientador e consolador, atendendo esse “ambulatório popular” - desfilando dor, angústia, sofrimento e esperança - tinha a nítida impressão que ele, Chico Xavier, não estava só, seguramente numerosas equipes de Espíritos deveriam estender sua rede de atendimento e proteção para as pessoas que buscavam no médium uma palavra de consolo - tão difícil, para a maioria dos médicos distribuírem com o carinho que o Chico sabia dar a todos.

Perguntas de uma repórter para Dr. Nubor Orlando Facure

Saberia dizer como a ciência tradicional explica a mediunidade de Chico Xavier?
A Ciência acadêmica ainda não admite a existência da Alma e, portanto, a comunicação dos Espíritos. Ouvi, na sua própria casa, o nosso Chico nos afirmar que será nesse Século que veremos a comprovação científica dessas duas verdades: a Reencarnação e a Comunicação com os mortos.
No Século XIX, Pierre Janet, eminente neurologista, da famosa Escola neurológica de Charcot, estudou a mediunidade e, lhe propôs um mecanismo próprio que denominou de “automatismo psíquico” - ou seja, uma atividade psíquica automática, portanto semiconsciente.
Nos meus artigos os interessados podem ler o que sugeri para as vias neurológicas onde atuariam o médium e o Espírito comunicante.




Perguntas de uma repórter para Dr. Nubor Orlando Facure

Existe alguma explicação que apontaria por exemplo para alguma característica cerebral que Chico teria diferente da maioria das pessoas?
Na década de 1960 o Chico Xavier realizou, em Uberaba, um exame de Eletrencefalografia, onde o neurologista da época relatou leves alterações no lobo temporal. Mesmo que , nos dias de hoje, o examinássemos com a aparelhagem tecnológica de hoje, não teríamos condições, nem conhecimento suficiente para detectar alterações relacionadas com a sua mediunidade


Perguntas de uma repórter para Dr. Nubor Orlando Facure


Que pesquisas cientificas o senhor realiza e quais os resultados?
Estou interessado em expandir os estudos que fiz sobre o “Corpo mental” porque enxergo nesse estudo a possibilidade de comprovarmos uma série de fenômenos que ocorrem, no cérebro e fora dele.
Creio que os artigos que publiquei sobre o tema - corpo mental - podem ajudar a compreender onde quero chegar





Perguntas de uma repórter para Dr. Nubor Orlando Facure


Eventualmente, teríamos algum paciente seu que se curou num tratamento aliando ciência e espiritualidade?
Como já lhe disse, eu não uso a espiritualidade para cura, e sim para esclarecimento, para “iluminação”.
Vale a pena conhecermos médiuns como Sr Tadeu, que tem um Hospital espírita em Araxá - Casa do Caminho - Sugiro também visitarmos D. Isabel Salomão, da Casa de Caminho em Juiz de Fora - extraordinária médium de curas.


Perguntas de uma repórter para Dr. Nubor Orlando Facure


Algo que valha a pena citar sobre Chico Xavier ?
Algumas previsões de Chico Xavier:
Estávamos na época do bebê de proveta e da pílula
Nos disse o Chico:
Quanto à liberdade feminina - o que come o ganso a gansa Tb comerá
Quanto ao bebê de proveta - em 100 anos a criança humana será inteiramente produzida em laboratório. Até agora só a mulher sacrificou a própria vida para gerar a criança humana
Teremos o Apocalipse? - depende do Homem, de sua conduta, do seu comportamento - insistido ele disse - possivelmente sim, porque, não resolvemos a questão da Palestina
A Igreja Católica para sobreviver terá de admitir a Reencarnação e a Comunicação espiritual com os mortos - isso será demonstrado pela Ciência

quinta-feira, 4 de março de 2010

Entrevista com o Dr. Nubor Orlando Facure

Espírita desde criança, o Dr. nubor Orlando Facure é médico, especialista em neurologia, diretor do Instituto do Cérebro de Campinas, e ex-professor titular de neurocirurgia da UNICAMP, pesquisador, escritor e expositor espírita.
O Dr. Nubor desenvolve estudos pioneiros aliando a medicina aos conhecimentos espíritas e tem colhido resultados maravilhos com este trabalho.
A equipe da Terra Espiritual teve oportunidade de entrevistá-lo e abaixo transcreve o teor da conversa.
TE - Como o senhor descobriu o Espiritismo?
NOF - Nasci em Uberaba numa família católica em 1940 e logo aos 7 anos de idade nossa mãe nos encaminhou a todos para a Doutrina Espírita. Permitiu-nos, assim, a misericórdia divina, que fizéssemos companhia aos mais destacados pioneiros espíritas da nossa querida Uberaba.
Freqüentei o “Centro Espírita Uberabense” assistindo as aulas de evangelização para crianças e mais tarde as reuniões do “Centro de Estudos” e as “litero-musicais” nas noites de sábado. Convivemos aí com inúmeros companheiros de doutrina e abnegados professores que nos sentimos no dever de reverenciá-los sempre, pelo muito que nos ensinaram. Creio ter sido um projeto carinhoso da espiritualidade o privilégio de ter reunido no mesmo “centro espírita” Dr Inácio Ferreira, “seu” Lilito Chaves, Cleber Novais, Manoel Roberto, Carlos Pepe, Antônio de Paiva, Odilon Fernandes, Elias Barbosa, Weimar de Oliveira, D. Maria Modesto, Euritimia Cravo e Marlene Rossi. Todos eles produziram momentos de história e de esforço pessoal dignos de constar das páginas mais nobres do Espiritismo.
A partir dos anos sessenta a cidade passou a acolher o médium Chico Xavier a quem tivemos o privilégio de conhecer de perto. Meu pai construiu a casinha simples e o “centro” onde Chico e Waldo Vieira foram morar nos permitindo, assim, testemunhar momentos inesquecíveis. Minha mãe, minha irmã e eu iniciamos ali as primeiras aulas de evangelização das crianças do bairro. Ouvi, algumas vezes, o Chico, lendo páginas do evangelho na portas dos casebres pobres que percorríamos na “peregrinação”. Aquela voz particular nos ressoa até hoje nos ouvidos. Ele sempre apontava os céus e pronunciava o nome de Jesus quando alguém em desespero lhe perguntava sobre seus problemas. Acompanhei conversas longas, pela madrugada a fora, na sala de visitas do Chico. Era ele mesmo a fonte inesgotável de casos curiosos que ele tinha vivenciado. Freqüentemente, alguém insistia que deveríamos estar sempre juntos, desfrutando da sua presença, ao que ele ensinava-nos que os moirões da cerca precisam se distanciar para cumprir sua função. Mesmo que ligados por arame farpado a lavoura seria mais bem protegida.
TE - Quando o senhor percebeu que poderia unir os conhecimentos espíritas ao seu trabalho como médico?
NOF - Para mim, a ordem a que você se refere foi o inverso. Fui sempre espírita em primeiro lugar. A Medicina e especialmente a neurologia me serviram de campo de trabalho e, reverencio a Deus a benção de poder atuar nessa área. Trata-se de uma especialidade que me aproximou, muito, do mais íntimo e complexo que existe no ser humano, o cérebro e a mente. Creio que atendi quase duzentos mil pacientes e realizei perto de sete mil cirurgias neurológicas. Meu maior empenho foi incluir a existência do espírito tanto em minhas aulas como professor na UNICAMP, onde lecionei por trinta anos, como no atendimento aos meus pacientes. Orgulho-me de ter instituído na vida acadêmica brasileira, o primeiro curso de pós-graduação – Cérebro/Mente, com enfoque nitidamente espiritualista, que desenvolvemos na Neurologia da UNICAMP nos anos noventa.
TE - Como é possível distinguir o ponto onde termina o campo da medicina e começa o campo espiritual?
NOF - Vejo essa distinção como desnecessária, prejudicial e arbitrária. Nunca fez parte das minhas preocupações e transito por esses dois domínios, sintonizado em total harmonia. Procuro respeitar, sempre, o ponto de vista religioso de todos pacientes. Entretanto, aprendi, com minha experiência pessoal, que, haverá sempre lugar para uma palavra bem colocada, chamando a atenção dos pacientes para considerarem a espiritualidade. É fácil falarmos sobre a existência da Alma, da imortalidade, das Leis divinas de ação e reação, da força da oração, da incorruptível justiça de Deus, da presença de Espíritos que nos acompanham, atraídos por nossa disposição de fazer o bem e o prejuízo de contrariar os princípios de amor ao próximo que de uma forma ou de outra nos farão colher suas conseqüências.
TE - O que falta para que a ciência passe a aceitar as manifestações espirituais?
NOF - O problema não é da Ciência, mas, dos homens que pensam representa-la. Já temos comprovações mais do que suficientes. A argumentação científica que comprova a existência da Alma e suas manifestações fora do cérebro é rotineira em qualquer centro espírita sério.Os casos de reencarnação comprovados e descritos na literatura científica, já se contam aos milhares. As mensagens dos espíritos desencarnados nos trazem detalhes pessoais irrefutáveis. Os fenômenos de expressão física podem ser testemunhados a luz do dia e as “cirurgias espirituais” realizadas em nosso pais desafiam qualquer incrédulo.
Penso, que ainda deve haver um custo moral muito alto, para que o cientista irredutível, possa abdicar da sua presunção arrogante e se entregar às verdades que a espiritualidade nos revela. A mudança de paradigma foi quase sempre traumática na história da humanidade. Muitos foram condenados por admitirem o heliocentrismo, a explosão da estrelas, as órbitas elípticas dos astros, a origem comum para homens e animais inferiores, a evolução das espécies entre tantas outras afirmações que exigiram mudanças de interpretação do mundo. Admitir a espiritualidade exige, porém, um esforço adicional porque tende a incluir a própria mudança interior de cada um de nós. Parece que, mesmo que inconscientemente, nem todos querem assumir esse custo. Ele exige desprendimento que a maioria não que renunciar.
Tanto essa quanto a questão anterior merecem um adendo. Já estão em funcionamento alguns movimentos de nível universitário incluindo a espiritualidade como perspectiva de estudo no meio científico. Essas luzes já se acenderam, ainda que tenuamente, com mais força no exterior do que em nosso pais, que se intitula espiritualista por natureza, onde só recentemente começaram a se esboçar os primeiros passos.
TE - O senhor acredita no crescimento da chamada neuroteologia?
NOF - Associar a fé e a espiritualidade aos mecanismos de atividade dos neurônios é uma visão acanhada de um processo complexo de atuação mente/cérebro. A Teoria inserida na Doutrina Espírita é muito mais ampla e merece todo nosso esforço para a compreendermos cada vez melhor. Os estudos da fisiologia cerebral de hoje estão mesmo produzindo deslumbramentos que a mídia tem pressa em divulgar. Entretanto, faltam ao neurocientista, conhecimentos fundamentais como a existência do perispírito e das experiências em múltiplas vidas, que faz da cada um de nós um mosaico de desigualdades.
TE - Como surgiu a idéia de criar o Instituto do cérebro e quais os objetivos do instituto?
NOF - Criamos o Instituto do Cérebro em 1987 a partir de um Congresso realizado por professores de física, matemática e química sobre “Mente e Matéria”. Fui convidado para falar sobre “cérebro e mente”, ficando a partir daí cada vez mais comprometido com o estudo desse tema. Com um grupo de médicos e psicólogas criamos o Instituto do Cérebro. Nossa intenção era poder trazer para a prática médica um conceito mais abrangente do ser humano com a visão holística que se iniciava na época. O que fizemos de novo, foi incluir a existência do espírito como sinônimo de mente, para podermos estudá-la como uma entidade organizada e possível de ser reconhecida por nós.
TE - Que resultados o senhor vem obtendo no Instituto aliando a medicina e o conhecimento espiritual?
NOF - Posso lhes garantir que fomos pioneiros nessa abordagem e hoje colhemos os frutos saudáveis que essa postura nos permitiu. Já podemos perceber nos dias de hoje, uma procura espontânea por parte dos próprios pacientes, pela interpretação transcendente que o espiritismo pode oferecer para as causas do seu sofrimento. Por outro lado, já destaquei o quanto as Universidades americanas estão empenhadas na inclusão da espiritualidade na terapia. Devemos lembrar, entretanto, que temos, no espiritismo, uma interpretação muito mais esclarecedora do que qualquer outro ambiente científico ou religioso possa propor. Cabe-nos a obrigação de trabalharmos com afinco para pô-la em prática.
TE - Em que estágio se encontra a neurologia em relação ao estudo de mediunidade?
NOF - No ambiente acadêmico são escassos os estudos sobre a mediunidade. Fora do meio espírita esse tema não é bem visto como objeto de estudo ou pesquisa. Cabe a nós, médicos espíritas conduzirmos os esforços para produzir trabalhos que preencham os pré-requisito que a Ciência de hoje exige para aceitar a publicação das pesquisas. Há anos venho divulgando meus estudos sobre a neurofisiologia da mediunidade e sei que nenhuma revista médica da ciência oficial aceitaria meus artigos para publicação. Estou, no momento, com um artigo, que escrevi sobre o “corpo mental”, já aprovado para publicação em uma revista médica importante.Tive que dar a ele um enfoque tradicional, evitando qualquer palavra que denotasse vinculação direta com a Doutrina espírita. Mas, o artigo tem claros propósitos espiritualistas, quem souber ler vai perceber isso em suas entrelinhas.
TE - Qual sua posição com relação ao uso das células-tronco embrionárias? O senhor considera aborto o seu uso?
NOF - Para aquelas células que repousam nos frízer dos laboratórios de fertilização há anos, não me agrada a idéia de que ali a espiritualidade permitiria estarem confinados uma legião de espíritos que por alguma razão não teriam merecido reencarnarem.
Minha percepção de renascimento me faz crer que esse processo não é exclusivamente biológico mas, implica em um contexto de reencontro espiritual mais complexo.
Faço esses comentários na condição de aprendiz que ainda não conhece as respostas a questões de tamanha complexidade. Sei que no meio espírita as opiniões ainda são discordante e não quero contribuir para trazer mais confusão às mentes dos amigos que possam nos ler nessa entrevista. Penso que a Espiritualidade está deixando em nossas mãos um dilema de tamanha gravidade, para aprendermos a buscar com mais empenho as portas do mundo espiritual que existe ao nosso redor. Quem sabe se essa dúvida martirizante não nos fará pensar melhor o significado e o valor da vida de cada um de nós.
TE - Falando em aborto, muitas pessoas defendem o aborto dos fetos anencéfalos. Qual sua posição à respeito?
NOF - Até em animais de experimentação nos quais foi retirado todo o cérebro, podemos perceber que persiste neles toda a atividade automática. Um cão nessas condições pode caminhar, coçar seu pelo, alimentar-se normalmente quando estimulado. Não há porque interpretar o anencéfalo como desprovido de vida espiritual. Os núcleos diencefálicos e o tronco cerebral que persistem no anencéfalo, têm ligação com o “chacra” coronário estabelecendo um vínculo espiritual significativo. Reconheço o peso psicológico que essa situação traz à mulher nessa gestação atípica mas, é menos grave que a angústia da consciência que nos cobrará com a dúvida de ter assassinado um inocente.
TE - Como o senhor vê o futuro da relação medicina e espiritualidade?
NOF - Em diversos centros universitários o caminho já está aberto. Aguardamos progressos importantes nessa associação. Precisamos, porém, insistir que o paradigma espírita tem muito mais a ensinar à Medicina do que qualquer outra posição religiosa ou não e o médico espírita não deve abrir mão do que já conhece. Devemos tomar muito cuidado para, à pretexto de aceitar e divulgar a espiritualidade no meio universitário, não sermos coniventes com distorções doutrinárias inaceitáveis. Adiar o compromisso com a pureza doutrinária já foi motivo de muito sofrimento na história do nosso passado espiritual.
TE - O que mudou na sua vida após o Espiritismo?
NOF - Já disse no princípio da entrevista que, minha estória de vida dentro do espiritismo teve início aos sete anos de idade. Foi dentro da doutrina que caminhei por toda vida.
TE - Quais seus projetos atuais?
NOF - Mantermos em atividade constante todo projeto que desenvolvemos há 17 anos no Instituto do Cérebro.
TE - Pediríamos para o senhor deixar uma mensagem para os nossos leitores.
NOF - A melhor mensagem é a mensagem espírita. O fato de a termos a disposição para o estudo e a prática que ela sugere, nos põe na posição de abençoados pela misericórdia divina

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Neurologia da Atenção
Nubor Orlando Facure

“A atenção não é propriedade de uma única área do cérebro nem do cérebro todo” Posner, M. I.

A atenção como um todo parece envolver praticamente o cérebro inteiro, mas, na verdade, os pesquisadores conseguiram determinar 3 “blocos” distintos de atividade – chamados de “subfunções da atenção”. Cada um deles envolve a associação de várias áreas cerebrais, utilizam um neurotransmissor próprio que modula suas mudanças (direcionamento) e provoca disfunções clínicas específicas daquela função.
São eles:
O Estado de alerta, a Orientação e a Atenção executiva.
Vou à estação rodoviária receber um parente. Fico alerta acompanhando a chegada de vários ônibus. Preciso me orientar nas plataformas de desembarque e selecionar corretamente a procedência de todos os ônibus que estacionam. Tenho de manter a atenção “ligada” às feições dos passageiros que chegam até que encontre, no meio da multidão, o parente esperado. Não posso confundi-lo com um estranho para não “pagar mico”.
1 – O ESTADO DE ALERTA:
É a “preparação” para atender a um evento que se aproxima e inclui, também, o processo de se chegar a esse estado de preparação.
O “estado de alerta” envolve as seguintes áreas cerebrais: junção dos lobos parietal e temporal, região parietal superior, o campo frontal dos olhos e os colículos superiores relacionados com as vias ópticas.
O neurotransmissor que modula o estado de alerta é a ACETILCOLINA.
Os dois quadros clínicos principais ligados ao comprometimento do estado de alerta, são: as mudanças atencionais que ocorrem no envelhecimento (o idoso tende a ficar desatento) e os distúrbios de atenção do TDAH.
2 – A ORIENTAÇAO:
É definida pela “seleção de estímulos” a serem atendidas. Faço minha escolha para olhar de que direção veio essa luz ou de que lado eu escutei esse barulho.
As áreas do cérebro ligadas a essa função se referem ao Locus Coeruleus, o córtex frontal direito e o córtex parietal.
O neurotransmissor que modula a orientação é a NOREPINEFRINA
A disfunção clínica ligada ao sistema de orientação da atenção é o AUTISMO. Esse paciente não é capaz de mudar o foco de sua atenção para um estímulo novo produzido ao seu redor. Ele não atende a um chamado, não “escuta” uma sineta do lado, não olha para o coleguinha que se aproxima, não toca no brinquedo que oferecemos. Sua atenção permanece prisioneira do seu mundo interno.

3 – A ATENÇAO EXECUTIVA
Compreende os processos de monitoramento (acompanhar propositadamente) e de resolução de conflitos que surgem nos processos internos. Esses processos, logicamente, incluem os pensamentos, os sentimentos e as reações internas que os estímulos provocam. Nesse ponto de mais alta complexidade mental, vou elaborar minhas escolhas, vou identificar as ameaças, vou provocar minhas emoções. É como o encontro de um velho amigo, a descoberta da rua que procurava, a decisão de comprar aquela camisa que vou usar no casamento, o arrepio que a taturana me provocou quando fui apanhar o maracujá no quintal.
As áreas do cérebro envolvidas nessa etapa final e mais elaborada dos processos atencionais são: A porção anterior do giro Cíngulo, o córtex pré-frontal e os gânglios da base.
O neurotransmissor mais ligado à atenção executiva é a DOPAMINA
As manifestações clínicas que ocorrem associadas à disfunção do sistema de atenção executiva são: a doença de ALZHEIMER, a ESQUIZOFRENIA e os distúrbios de personalidade BODERLINE.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Neurovisão
Nubor Orlando Facure
A visão é um exercício cerebral extraordinário. Do olho até ao cérebro são quatro estações de embarque - o nervo óptico, os colículos superiores, o tálamo e o córtex occipital. Para codificar a visão de um objeto e todo seu significado, mobilizamos 25 % de todo o córtex cerebral – do occipital ao frontal. Colocando tudo para funcionar on line.
Passa um objeto sobre nossas cabeças. E o que é que vejo?
Registro a cor, a forma, onde está e o que é. Seria um pássaro?
Tamanho – é muito grande para ser um pássaro.
Movimento - passou muito depressa, mal deu para ver os detalhes.
Distância – parece ter ido perto, logo acima nessa árvore
Textura – acho que é um bicho peludo
Sombreamento – tive a impressão que era escuro
Como faço para pegá-lo? – posso estender a mão para pegá-lo, mas, alguma coisa me mete medo, talvez porque, ainda não sei o que é
Fluxo óptico (outros objetos que estão vindo em minha direção) – com o vento a folhagem começa a me incomodar
Velocidade do deslocamento – sei que passou correndo e depois parou em algum galho da árvore
Em quanto tempo ele me alcança? – se não me esquivasse eu seria atingido em minutos
Em quanto tempo chego lá? – num instante
Como faço para evitá-lo? – com pequeno deslocamento pude desviar-me sem trombar com ele
Quando vou em frente tem objetos que se afastam de mim e outros se aproximam (fluxo óptico) – meu quintal está cheio de outros animais.
Estou vendo agora com nitidez, era uma das gatinhas pretas que minha esposa cria no quintal
Imaginem um passeio pelo shopping. Vou ver as lojas, as vitrines, as roupas, os celulares, os computadores e a multidão que cruza comigo enquanto procuro o livro que quero encontrar. Estou registrando o fluxo óptico evitando trombadas com quem vem em minha direção. É fundamental ter noção da velocidade com que eles se aproximam de mim. Calculo as distâncias dos objetos que tiro das prateleiras para conhecer melhor. Admiro as cores, a textura e o “design” dos celulares. Vejo os detalhes das imagens na tela de um GPS e tento decifrar seus códigos.
Preciso conhecer esse aparelhinho simpático – meu neto vem em meu socorro e me ensina que é um Ipod. Vivendo e aprendendo, ou melhor, vendo e aprendendo.
Atenção – como ela funciona?
Nubor Orlando Facure
Habituação – supressão inconsciente do barulho em volta de mim.
O ambiente nos estimula constantemente com um bombardeio de informações. Estou escrevendo, escuto ao longe a televisão ligada, um ruído leve do motor da geladeira, uma brisa fria do ar condicionado, um ruído monótono de um grilinho no quintal. A habituação nos salva dessa enorme demanda de sinais. E ela o faz “de graça”, sem qualquer esforço adicional, inconscientemente “apaguei” a voz do noticiário da Tv para concentrar minha atenção no computador.

Atenção usando a consciência
Vamos analisar 4 funções conscientes da atenção: a detecção de sinais, a atenção seletiva, a atenção dividida e a busca.
1 – A Detecção de sinais
Estou esperando o técnico da televisão – de repente toca a campanhinha, pelo interfone confirmo que ele chegou.
Mesmo digitando no computador, eu estava VIGILANTE, esperando o sinal da chegada do técnico. Mesmo cansado a gente ainda consegue manter-se vigilante, especialmente, quando se espera por um sinal de alarme ou a entrada do programa noturno que aguardamos.
A vigilância para detectar sinais é importantíssima para determinados profissionais – o salva-vidas que vigia os banhistas, o controlador de tráfego aéreo que acompanha o radar, o médico da UTI que não desgruda o olhar dos monitores, o investigador de polícia que procura pistas do crime, o bombeiro que está constantemente atento a sirene de alarme.
Na detecção dos sinais podem ocorrer acertos, falhas e alarmes falsos. Uma radiografia com uma mancha no pulmão já alarmou muito médico desavisado.
2 – A atenção seletiva
Conscientemente fazemos escolhas de onde focar nossa atenção. Numa reunião festiva são muitos falando, mas, preciso prestar atenção ao que diz minha esposa aqui do meu lado. Numa aula barulhenta tenho de escutar o professor falando. Num filme legendado tenho de acompanhar o texto para não perder os diálogos. Estou lendo um livro e não posso me distrair com a música do rádio da nossa empregada.
O fato de concentrarmos a atenção seletivamente em determinados estímulos de informação, melhora nossa capacidade de manipular esses estímulos, utilizando-os em “outros processos cognitivos”. Ouvindo com atenção compreenderemos melhor o interlocutor, mais atentos aos cálculos resolveremos melhor nosso problema de matemática – ou seja – estamos utilizando melhor a compreensão verbal, o planejamento e a tomada de decisões.

3 – A Atenção dividida
Os recursos da atenção podem ser distribuídos prudentemente conforme as necessidades. É o caso de precisarmos realizar várias tarefas ao mesmo tempo. Essa competência tem ligação direta com a sobrevivência. Basta ver entre os animais a mãe que amamenta os filhotes – está atenta a eles, os acomoda, distribui comida na boca de cada um e ao mesmo tempo está vigilante a quem se aproxima trazendo insegurança aos filhotes.
Por isso, esse talento exacerbado das nossas mulheres que prestam atenção em tudo ao seu redor. Não tem festa que elas não anotaram os vestidos ou enfeites das amigas. Na cozinha elas se agigantam – fazem as misturas, dirigem a empregada, controlam os filhos e reclama do marido.
O motorista de taxi circula as pressas pelas ruas e, ao mesmo tempo, conversa, critica o trânsito, reclama dos ônibus em excesso na cidade, para no sinal vermelho e responde ao chamado do rádio sem se atrapalhar.

4 – A Busca
A vigilância é a espera passiva de um sinal que está por vir. A busca é essencialmente uma postura ativa. Estamos procurando alguma coisa de modo persistente e competente. A busca se refere a uma “varredura” pelo ambiente. Estamos procurando o vinho chileno nas prateleiras do supermercado, o bicarbonato na dispensa, uma tradução no dicionário ou onde está minha filha na saída da escola.
Na busca, enfrentamos freqüentemente a distração e o alarme falso. Os vendedores espertos são hábeis em nos enganar com as distrações e propaganda enganosa (uma informação ambígua).
Detectando sinais específicos somos impelidos a realizar buscas minuciosas. É o caso de se detectar fumaça e sairmos para procurar onde tem fogo.
Idosos estão sempre buscando onde deixaram os óculos, os chinelos ou o jornal. Os adolescentes reviram a casa atrás do celular que nunca sabem onde perderam e as crianças “procuram” na geladeira o que mais tem para comer em casa.
Estados emocionais afetam intensamente nossa tarefa de vigilância e busca. Isso pode ser um prejuízo na vida moderna – seu nervosismo não lhe deixa ver coisas na frente do nariz – acaba não comprando o queijo da fazenda que você tanto queria. Entretanto, os estados emocionais trouxeram uma vantagem adaptativa na vida ancestral do ser humano caçador-coletor. Sem um pouco de agitação, a “comida” passa correndo por nós e amargamos um jejum involuntário.