sábado, 20 de fevereiro de 2010

Preste a Atenção !
Nubor Orlando Facure
“Atenção é a tomada de posse pela mente…...Implica em se afastar de algumas coisas para lidar efetivamente com outras” (William James)

Qual é o papel da atenção?
1 – Monitorar as interações do indivíduo com o ambiente (preste atenção, o professor está falando com você)
2 – Estabelecer uma relação com o passado (lembro-me que já vi esse relógio) e com o presente (ele agora está muito atrasado) para dar um sentido de continuidade da experiência (fui eu mesmo quem o guardei aqui) – essa continuidade, também, serve de base para minha identidade pessoal.
3 – A atenção ajuda no controle e no planejamento das ações futuras, que se processam com base naquele monitoramento do ambiente e das ligações de minhas lembranças do passado, integradas com minhas sensações no presente momento (o tema dessa aula é extremamente importante, já li alguma coisa a respeito, mas, preciso prestar muita atenção porque esse assunto vai cair na prova final).
A atenção, a memória e principalmente a consciência, formam um conjunto de funções parcialmente sobrepostas – algumas vezes elas até parecem ser a mesma coisa.
Você não prestou atenção naquela mulher – é que eu não me lembrava dela.
Eu fiz sem prestar a atenção – estava meio “passado”.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

ESTUDANDO A MORTE

Jorge Facure


Creio ser oportuno o estudo da morte, buscando entender o que isto significa, com o objetivo de enfrentarmos melhor este nosso destino imutável.
Comento os estudos que realizei, sobre várias afirmações do que poderíamos encontrar após a morte. Em primeiro lugar, gostaria de citar o que nos relatam as pessoas que passaram pela experiência de quase morte (EQM). Estas pessoas, narram algo muito semelhante, comum a todas elas. Esta afirmação foi bastante analisada por Kenneth Ring em seu livro “ Lições da Luz” : o que podemos aprender com as experiências de proximidade da morte. (São Paulo: Summus, 2001). Uma destas ocorrência, foi narrada por Graig, um jovem que quase se afogara em um acidente de raffing : “Cenas de minha vida começaram a passar diante de meus olhos com uma velocidade incrível . Pressenti que quando estas imagens acabassem, eu perderia a consciência para sempre. Tive uma sensação de regredir no tempo. Me vi sentado em um cadeirão de bebê, pegando comida com a mão. Lembrei-me de um acidente de barco com 7 anos de idade.As imagens continuavam surgindo com grande velocidade e eu sentia que elas se aproximavam rapidamente do presente. Neste ponto senti o coração para de bater, não há desconforto, Me sentia movimentando em um vazio, era um túnel escuro. Percebi um ponto de luz distante e de repente, o ponto luminoso aumentou de tamanho e passei a fazer parte desta luz. Senti como se todo o mundo estivesse em harmonia total. Tinha a sensação de estar flutuando. Eu via meu corpo 2,5 metros abaixo da água, mas isto, não me incomodava. Comecei a ver a figura de um homem parcialmente transparente e 5 rostos a sua esquerda. Estes espíritos ou almas pareciam me conhecer muito bem, eram como uma espécie de parentes de meu passado, mas eu não os reconheci. Então o homem me explicou que não era muito tarde para eu voltar e sentia que eu queria mesmo voltar. Senti também que queria e que poderia voltar e, neste instante, fui lançado ao meu corpo como um relâmpago “.
Interessante citar que no livro referido, há vários relatos de crianças que passaram pela EQM. De um modo geral, há uma certa constância na referência a um túnel ou ambiente escuro, o registro de uma luz intensa, sensação de bem estar, ausência de medo, diálogo com pessoas, visão direta do corpo e compreensão de que houve uma saída e uma volta para o corpo.
Há no livro a narração de uma criança sobre o que ela pensa sobre a morte , fortalecendo muito a crença na possibilidade da sobrevivência após a morte do corpo. “ Eu acho que quando morremos, não está acabado. Tudo continua. Nós apenas voltamos para a casa onde estávamos antes de estar nesta vida . E a vida é apenas alguma coisa com a qual precisamos aprender algo. Quando aprendemos, voltamos para casa, onde estávamos antes”.

Para analisarmos estas ocorrências, precisamos acreditar em primeiro lugar, na existência da alma. É preciso aceitar o fato de que o ser humano possui um componente alem da matéria .Este fato é aceito pela fé, uma vez que a ciência ainda não tem os meios necessários para a sua comprovação.
O médico Inácio Ferreira, em seu livro “ Psiquiatria em Face da reencarnação” escrito na década de 40 reeditado em 2001- 9ª ed.. São Paulo: Edições FEESP, relata importantes observações de como a existência da alma era aceita por diversos povos e por renomados filósofos. “ Os Incas admitiam a existência de dois seres em um só : um de carne propenso a fadiga e a dor e outro, semelhante ao carnal mas que não se fadigava, não sofria e se transformava facilmente – era a alma e essa seria a sua vida definitiva. Os Egípcios, há 40.000 anos, registraram através de inúmeros monumentos a crença na existência após a morte, sobretudo pelas sua múmias a espera do renascimento. Os Aztecas acreditavam que após a morte do corpo, as almas que vivem virtuosamente vão para além das altas montanhas, onde se encontraram com a alma dos avós.
Aristófanes e sófocles, sob a denominação de as esperanças da morte, ensinavam, alem das existências sucessivas das almas, a Unidade de Deus e a pluralidade dos mundos. Sócrates, apolônio de Thyana, Empédocles,Platão, ensinavam que a alma, desembaraçada de suas imperfeições, não volta mais a Terra “.
Paramahansa Yogananda, em seu livro “Autobiografia de um Yoga (Los Angeles CA, USA), relata que no ano de 1936, durante exercício de meditação, teve uma visão de seu guru, Sri Yukteswar, já falecido, que lhe revelou fatos surpeendentes. “ Estou habitando um planeta astral. Seus habitantes estão melhor capacitados que a humanidade terrena para seguir os meus elevados padrões. Você e seus entes queridos que alcançaram a elevação, para lá irão algum dia”. Paramahansa Yogananda, fundou em 1920 nos Estados Unidos a Self Realization Fellowship, para difundir em escala mundial a ciência da meditação Yogue, a arte da vida equilibrada e a unidade fundamental de todas as grandes religiões.
A doutrina espírita, fornece informações precisas sobre a espiritualidade, contidas no “Livro dos Espíritos” ,escrito por Allan Kardec em 18 de abril de 1857.(63ª edição - São Paulo – LAKE,2002). Extraímos desse livro algumas perguntas pertinentes ao nosso estudo:
Pergunta 134 - O que é a alma?
Resposta: um espírito encarnado
Pergunta 135 – O que era a alma antes de se unir ao corpo?
Resposta: Um espírito.
Pergunta 135 – Há no homem outra coisa mais que a alma e o corpo?
Resposta: Há o laço que une a alma ao corpo
Perguenta 135 a- Qual é a natureza deste laço?
Resposta: Semi material, ou seja, de natureza intermediária entre o espírito e o corpo.
Pergunta 149 – Em que se torna a alma após a morte?
Resposta: Volta a ser espírito, ou seja, retorna ao mundo dos espíritos, que havia deixado temporariamente.

Embora em um futuro não muito distante, provavelmente teremos a prova científica da existência da alma e da continuidade da vida na espiritualidade, não podemos considerar indispensável esta constatação para assegurarmos a própria evolução.
É preciso lembrar que já recebemos todos os ensinamentos necessários para esta marcha evolutiva. O conhecimento científico confirmando de onde viemos e para onde vamos, é desejável, porém, não é indispensável para o aprimoramento de nós mesmos.
Com este estudo da morte, estamos na realidade preconizando a escolha de uma vida produtiva em benefício do semelhante, como melhor conduta de vida, estamos portanto, na realidade , “Estudando a Vida”.

Campinas,11 de fevereiro de 2010

Dr. Jorge Facure , é médico, professor livre docente aposentado, da FCM – Unicamp. Diretor Técnico do Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas. - jfacure@terra.com.br

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Neuroevolução
Nubor Orlando Facure
O nosso cérebro é uma conquista evolutiva como qualquer outra nos seres vivos. Evoluímos – todos os seres humanos - com a mesma aparência morfológica e os mesmos mecanismos cognitivos.
Daí nossa semelhança no uso da linguagem, no comportamento e no emprego das mesmas regras para o processamento mental. O que nos diferencia é a sensibilidade em reagir aos estímulos ambientais – nossas opções para o tipo de trabalho, o gosto pela arte, o apego à família, o respeito à natureza e o temor à divindade.
A evolução nos dotou de módulos mentais cognitivos:
São um conjunto de seqüências de instruções com as quais os organismos são cognitivamente preparados para perceber uma porção de informações sociais/ambientais específicas (um input) tratá-las e transformá-las, vias de regras em decisões (um output) afetando: um outro módulo mental – a visão despertando a memória, ou uma resposta fisiológica – meu cansaço é fome, ou uma resposta ao ambiente – é melhor sair daqui, tem muita abelha.
Cada módulo mental tem um “design” básico que passou por etapas de desenvolvimento – herança biológica – Privilegiamos a visão à cores e em profundidade. Deixamos o olfato para um plano secundário. Nossas percepções são fortemente contaminadas por emoção. A atenção se expandiu para mais de um foco – posso ler um jornal, ficar atento ao noticiário da televisão e estender a mão quando o telefone toca.
Uma mente modular nos favorece mais eficiência e rapidez dada a divisão de tarefas cognitivas, das especializações e sub- especializações mentais.

Na evolução, nosso comportamento foi sempre dirigido para solução de um problema adaptativo específico.
Com a mente, temos um conjunto de regras de processamento de informações para produzir essas soluções adaptativas - Temos módulos cognitivos para isso.
Escolher alimentos comestíveis, escolher parceiros amorosos, combater inimigos, identificar trapaceiros sociais e cuidar da prole.
A pressão do ambiente promoveu a organização funcional da mente. Vivemos num ambiente de adaptação evolutiva. Enfrentamos desafios para encontrar alimentos, selecionar e conquistar parceiros amorosos, identificar trapaceiros, localizarmos o espaço (onde estamos).
Hoje existe muita diferença entre o ambiente ancestral e o ambiente moderno – provocando situações mal-adaptadas - essa discrepância pode levar ao aparecimento de doenças.
Nossos mecanismos cognitivos estão adaptados para um ambiente social caçador-coletor. A adaptação exige centenas ou milhares de gerações em um ambiente com condições razoavelmente estável.
No período de revolução pós-agrícola houve mudanças bruscas – uma dieta com açúcar, o sedentarismo e o acúmulo de riquezas – e não houve tempo de seleção de mecanismo de reação a essas novas condições, levando a comportamentos mal-adaptativos – na verdade a mudança foi mais quantitativa – continuamos com os mesmos desafios para buscar comida, parceiro e acumular bens – ocorreu uma flexibilização dos nossos mecanismos mentais – e o cérebro já está adaptado?
Neurofrases - 3
Nubor Orlando Facure

Os animais são perfeitamente capazes de se comunicarem conosco através de uma linguagem - própria deles. Sabemos compreendê-los quando tem fome, sede, medo, satisfação ou buscam nosso carinho. Isso é mais do que um comportamento, é uma atividade mental complexa – inteligente.

Comportamento é uma atividade mental expressa numa conduta.

Nossas necessidades criam desejos. Os desejos produzem idéias. As idéias estimulam comportamentos. Comportamentos induzem ações. Ações compõem os gestos. Parece que é assim que a partir da mente, do estímulo psíquico, que construímos os gestos. Freud atribuía ao ato motor a construção do psiquismo na criança. O explorar com as mãos a vai introduzindo no mundo, formando o Eu em separado do outro.

A consciência é a “idéia-síntese” que fazemos de nós e do mundo.
Como os objetos são percebidos no cérebro e na mente?
1 - O objeto atinge o cérebro por efeito da luz. O objeto determina uma “informação” luminosa. Os sinais de luz são processados no córtex visual. O objeto precisa estar presente no tempo e no espaço para ser visto. O mesmo objeto pode afetar o cérebro pelo tato, cheiro, gosto ou temperatura. O cérebro fará interpretações novas a cada tipo de estímulo.
2 - Na mente a luz não é necessária para o objeto ser percebido. O objeto é apreendido por si mesmo. Ele determina uma “imaginação”. A simples lembrança ou referência ao objeto reproduz sua imaginação. Ocorre a imaginação mesmo na ausência (espacial e temporal) do objeto. O estímulo que afeta a mente é inespecífico, indiferente. O objeto informa não só o que é, mas, tudo que contém - toda sua história.

Quando nos lembramos de alguém, não revemos a sua imagem. Recordamos é dos elementos que codificamos da sua pessoa.
Neurofrase – 2
Nubor Orlando Facure

Durante a leitura vários processos cognitivos são envolvidos
A percepção visual do texto a ser lido. A memória das palavras conhecidas. O aprendizado que se acumula. A atenção no desenrolar da leitura. As habilidades de linguagem adquiridas previamente. As representações criadas pelo que se lê. A resolução de problemas ou conflitos criados pelo texto – não estou concordando com o que é afirmado nesse texto. O estado emocional que interfere no meu aprendizado e a “memória de longo prazo” que me permitirá “recuperar” o texto no futuro.

Na dislexia, o hemisfério esquerdo funciona mal – a leitura fica comprometida. O disléxico apela para o hemisfério direito e acaba trocando navio por barco, novelo por novela.

A “inteligência artificial” deu aos robôs propriedades quase humanas. Mas, quando abro a gaveta para escolher minha meia eu sei que está um dia frio, uso sapatos e calca marrom. Minha opção é por um par de meia grossa, marrom. O Robô ainda não lida, sem minha ajuda, com essas associações.

Na visão de um objeto, uma bicicleta, por exemplo, percebemos a cor, a forma, o lugar onde está, seu movimento, para que serve, como funciona, a quem pertence, a orientação que está em relação ao solo. Temos mais de 30 áreas visuais no córtex cerebral, cada uma processa um tipo de análise. E, todo processo de percepção dessa bicicleta, mobiliza aproximadamente 25% do nosso cérebro.
Neurofrases - 1
Nubor Orlando Facure
A mente humana faz exatamente isso: mobilizamos inúmeros processos internos para extrair sentido do ambiente e decidir a melhor maneira de agir sobre ele.

Juntando informações a mente cria cultura, arte, crenças ou mitos.
Três linhas – a forma de um triângulo.
Uma agulha imantada – sugere o caminho a seguir
Conchinhas na praia – um colar
Trovão que assusta – a ira divina
Doenças coletivas – o castigo de Deus
A coruja piando – o mau agouro

A mente usa dois processos para fazer previsões:
A intuição e a informação (conhecimento) – possuir 10 infrações de trânsito na carteira é um bom preditivo de risco para o seguro de automóveis.

Ainda não temos técnicas de precisão para determinar corretamente o número de neurônios no cérebro humano – 30, 50 ou 100 bilhões.
Quanto a sua forma a resposta é mais fácil – temos 12 tipos de neurônios no córtex cerebral.

A “memória de trabalho” leva o rascunho no supermercado quando vamos fazer compras.
Neuropílulas - 15

Nubor Orlando Facure


A percepção das coisas.
Perceber é sentir ou conhecer?
Usamos as duas tarefas - sinto e construo a imaginação - com esse gosto é sorvete de limão; reconheço assim que sinto a coisa - de longe já sei que meu taxi está chegando.
1 - Vejo o formato arredondado, a cor escura, o cheiro agradável, o sabor delicioso - é um bolo de chocolate para o meu aniversário.
2 - Não preciso nem abrir o presente. Já reconheço a mesma caixa, minha tia repetiu o presente do ano passado - aquele pijama curto.




Neuropílulas - 16

Nubor Orlando Facure

A percepção das partes ou do todo?
Podemos fazer uma percepção analítica - vejo as folhas, as pétalas, os pistilos e reconheço que é uma tulipa.
Numa outra visão, olho um arranjo de flores - percebo que predominam rosas vermelhas - é uma percepção holística.