domingo, 13 de janeiro de 2013

O Dimas na fila do Chico Xavier


O Dimas na fila do Chico Xavier
Nubor Orlando Facure

Antes da reunião o Chico ia atendendo um por um dos que se alinhavam naquela fila até sua mesa. Curioso que na fila lá de Minas ninguém tinha pressa. Qualquer um podia alegar questão de horário e passar na frente. O que todo mundo queria é ficar vendo o Chico ali de longe. Nos dia seguintes cada um tinha um pedaço de história para contar, ouviu isso ou aquilo do médium. Eu sempre repeti: uma coisa é falar do Chico      à distância, outra é estar ali perto dele e se envolver na sua vibração e no conteúdo dos seus comentários
Meus colegas de Faculdade sabiam que eu era espírita e o Dimas veio tirar sarro. “Aquilo tudo é mentira, hoje a noite vou jogar pedra no telhado da casa dele e amanhã vão falar que tinha espírito se comunicando”
Dimas, pelo menos você vai lá e conhece ele de perto
Estudante de medicina, vindo de uma cidade Triângulo Mineiro, vizinha de Goiás, um humilde desconhecido em Uberaba. Então, porque não ir ver o Chico, e o Dimas um dia estava na fila.
Raramente acontecia isso, mas, dessa vez, vários testemunharam o Chico fazendo um sinal pedindo para o Dimas se aproximar
“Meu filho, sua professora Adelaide me encantou pela beleza, uma pele clara, os cabelos loiros, ela manda lhe dizer para você não se preocupar com a doença da sua mãe porque os exames que ela acaba de fazer em Belo Horizonte deram normais 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Para quem gosta de histórias da Medicina e de histórias da vida


Para quem gosta de histórias da medicina e histórias da vida
Nubor Orlando Facure

A Igrejinha de Santa Rita
Chamavam Uberaba de “a cidade de 7 colinas” e no alto de uma delas, de onde se pode ver o Mercadão Santa Rita foi homenageada com uma igrejinha construída com a simplicidade do nosso período colonial. Nas sua escadarias singelas já fui surpreendido namorando a Maria Joana, enfermeira do nosso chefe de cirurgia – eram “artes” que a gente faz quando tem 20 anos – final de 1960

O Hospital das Crianças
Quero destacar que foi o primeiro hospital infantil do Brasil, construído pelo Rotary Club que meu pai frequentava
Saindo da Faculdade de Medicina caminha-se uns tantos quarteirões, subimos a ladeira da igreja Santa Rita e, pronto, estamos no Hospital das Crianças. Eu estava lá, aproveitando as férias do segundo ano da Faculdade. Meu pai me queria como pediatra, mas, naquela manhã de quinta feira o “pepinho”, colega de turma, me levou até ao Hospital São José para assistirmos as cirurgias. Estávamos na sala dos médicos quando a enfermeira chefe entra avisando que o Dr. Guerra, neurocirurgião, iria precisar de auxiliar para fazer uma cirurgia numa criança de 3 anos. Não me dei conta que todos alunos saíram apressados, sobrando eu na sala.

Hospital São José
No maior susto do mundo, daí meia hora, estávamos só Dr. Guerra e eu na sala de cirurgia, preparando a criança para ser operada – uma cirurgia que ia durar 15 hora e, só aí,  me dei conta porque todo mundo fugiu da sala dos médicos. Era um tumor no cerebelo, a paciente seria operada de barriga para baixo.
Pasmem, naquele tempo não existia anestesista, o Dr. Hirogi e o Dr. Wandir, ambos da cirurgia geral, vieram para se revezarem no papel de anestesistas.
O trabalho neurocirúrgico é minucioso, horas seguidas lidando num único ponto do tumor, as horas passam e a gente já não percebe as pernas, as costas ficam adormecidas e a visão não enxerga mais nada dos lados, os olhos não podem desgrudar dos vasos que sangram. Altas horas da noite o banco de sangue já está fechado e a criança precisa de mais transfusões.
Não se espantem com o que eu vou lhes contar: foram chamados os dois alunos do plantão noturno o Ivo e o Hiroshi. Um por vez deitou numa maca ao lado da criança e com uma seringa alemã era aspirado o sangue do aluno e empurrando a seringa esse sangue ia para a veia da menina.
Alta madrugada terminamos a cirurgia exaustos, eu quero um chão para deitar, não precisa nem cama, me deem um tempo para descansar as pernas.
Impossível esquecer essa experiência extenuante e a lição que aprendemos a seguir. Relaxamos, e deixamos o anestesista virar a paciente - nesse momento ela tem uma parada cardíaca e morre ali na nossa frente.
Passei o resto da vida lutando para empurrar essa morte para longe dos pacientes que eu fui operando depois

A casa caiu


A casa caiu
Nubor Orlando Facure

O chefe da Neurocirurgia era severo, com uma postura médica impecável, observador rigoroso, extremamente dedicado ao trabalho  e, naquele ambiente acadêmico a hierarquia jamais poderia ser desobedecida. Não era um regime militar, era um respeito conquistado pela competência e experiência dele e de seus assistentes.
Quando ele destacava alguém apara realizar uma cirurgia de tumor cerebral era um atestado de competência que os assistentes se vangloriavam por alguns dias até que seu nome saísse na escala determinando a hora da intervenção.
Na segunda feira, antes das 6, já estava o Dr. Carlos a postos com a equipe para a exérese de um tumor frontal esquerdo – nesse dia eu estava comprometido com atividades na enfermaria – não vi o que se passou na sala de cirurgia.
Na terça feira tínhamos a visita de rotina acompanhando o Professor Tenuto indo a um por um dos casos internados. Naquela UTI, na verdade um quarto improvisado, estava o paciente operado pelo Dr. Carlos – Normalmente o assistente que operava relatava com certo orgulho o sucesso dos seus procedimentos – nesse dia porém, iniciou-se a conversa com um silêncio sepulcral – Dr. Carlos anuncia com uma voz cavernosa que fez todo mundo tremer – “Professor, eu não achei o tumor” – ninguém teria coragem de abrir a boca naquele momento, fazer pergunta?  nem por telepatia – o que fazer? Porque ele não achou o tumor? Um meningeoma, é a coisa mais fácil do mundo, eu pensei comigo.
O que se passou a seguir eu invejo até hoje, o Professor Tenuto, com a maior calma do mundo, calma essa que eu nunca consegui adquirir nos meus 48 anos de atividade, todos ainda estávamos tremendo e sem voz quando ele diz: marque a cirurgia para amanhã cedo. O Professor Tenuto foi saindo e, no último sinal de vida lúcida o Dr. Carlos teve força hercúlea para perguntar: “o que o senhor acha que aconteceu”? Olhando para traz, parecia fixar diretamente os olhos de cada um de nós, o professor diz secamente – você operou do lado errado - 
Moral da história:
Só não erra quem não opera

Um chefe rigorosíssimo


Um chefe rigorosíssimo
Nubor Orlando Facure

Não se vê mais aquele tipo de médico/professor como Rolando Tenuto do Hospital das Clínicas em São Paulo 1965. Caminhava pela enfermaria com aquele cortejo de assistente atrás – alguns até mais velhos que ele, mas sempre lhe mantendo respeito e distância – havia uma hierarquia rígida para falar com ele, nesse ano eu estava no fim da fila.
Tudo se transformava na hora de uma cirurgia. Era uma vitória ser escalado para fazer parte da equipe que ia ajuda-lo a operar um tumor cerebral. Silêncio total, eu ali do lado dele impedido de abrir a boca vigiado pelo olhar dos demais assistentes. De repente ele me pergunta: você é parente da Dra. Ivone Facure, anestesista? Não a conheço professor. Fui com ela numa sessão de materialização, diz o professor Tenuto.
Sou espírita, gostaria de saber o que o senhor achou. Primeiro sentimos cheiro agradável, depois uma música – quando disseram que estava presente o famoso cantor Francisco Alves eu não acreditei até ouvir sua voz cantando.
O senhor chegou a ficar convencido do fenômeno? – minhas pernas estavam sem chão para lhe fazer essa pergunta – os assistentes me olhavam como que dizendo – vamos ti matar na saída.
O Professor Tenuto então me disse: fui cumprimentado de perto, toquei neles e a sensação é de humidade, firo e um medo terrível.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Fragmentos com Chico Xavier


Fragmentos com Chico Xavier
Nubor Orlando Facure

Penso que Uberaba foi pega de surpresa quando o Chico Xavier muda de Pedro Leopoldo para nossa cidade no início dos anos 60. Meu pai serviu de construtor para acomodar o médium na sua primeira casa lá nas vizinhanças do aeroporto – lugar descampado, difícil de ir, sem condução, até sem iluminação adequada, mas, mesmo assim, nós o visitávamos e a conversa, ouvindo suas histórias, iam até alta madrugada.
Estávamos em 3 pessoas nos despedindo, minha mãe eu e uma senhora que a memória não me favorece lembrar quem era. Chico nos segura assenta ao lado de uma mesinha e pede para ler uma página evangélica antes de sairmos – enfrentar a escuridão do lugar dava um certo medo. Abrindo o livro Chico lê – “não atirai pérolas aos porcos”
Aquela senhora faz um comentário rápido e minha mãe se dirige ao Chico dizendo: Chico, qual sua opinião? O que Jesus quis dizer nessa lição? Tem gente que não merece receber as lições de Jesus?
Ele então nos responde: ouvindo Emmanuel ele nos ensina que para tudo tem o seu momento certo, falar do evangelho para alguém que sofre no deserto não tem sentido, eles precisam nesse momento é de água.
O médium então me surpreende, olha-me e diz que queria ouvir minha opinião.
Não sei de onde eu tirei essa versão para o texto bíblico. Chico, que me perdoem Jesus e Emmanuel, acima deles está Deus que nos envia à Terra no colo de uma mãe. Você pode conferir na porta das prisões elas estão sempre lá. Os filhos rebeldes, malfeitores, doentes sociais, são todos culpados pela perversidade que disseminam. Mesmo assim, aquelas mães juram pela inocência deles. Dizem que foi por má companhia, que foi por descuido, que foi só aquela vez, que no fundo eles são bons, deixemos eles de novo em seu colo de mãe. Ninguém mais continha as lágrimas nesse momento e o Chico me segura pela mão dizendo que há 10 anos não recebia a visita espiritual de sua mãe biológica e, ela estava ali naquele momento nos inspirando.