PSICOSFERA, NOSSO MEIO AMBIENTE ESPIRITUAL
Nubor Orlando Facure
Observar e perceber o mundo que nos cerca tem nuanças de complexidade infinita.
O mesmo objeto, uma mesma pessoa ou um mesmo cenário podem despertar interpretações completamente diferentes conforme o sentimento de quem observa.
O mesmo mundo e que vivemos seria outro se aqui só vivessem sonhadores, místicos, poetas ou santos.
Em termos neuropsicológicos já sabemos que o nosso cérebro faz reconhecimento do mundo que nos cerca “sonhando” uma idéia a partir do que vai percebendo. Daí a possibilidade do que for feio para um ser bonito para o outro.
Cada objeto que vemos desperta em nós lembranças e vivências que são associadas compondo nosso julgamento sobre este objeto.
Por isto, cada um de nós “sonha” o mundo conforme suas experiências psíquicas.
Podemos dizer que no dia a dia, ao observarmos a realidade que nos cerca, estamos compondo em torno de nós um cenário mental com formas e figuras que nos acompanham.
O mais importante é que é este cenário psíquico quem direcional nossos comportamentos.
Nós sempre reagimos de conformidade com a interpretação que damos às coisas e às pessoas e, como vimos, nossas interpretações são na verdade julgamentos que o cérebro constrói com representações, com idéias que têm forma e movimento.
Considerando todas as mentes humanas capazes de pensar e criar, podemos deduzir que estamos mergulhados num mundo psíquico de proporções gigantescas e, seguramente interferindo uns sobre os outros, induzindo-nos a comportamentos coletivos massificantes.
Quando toda uma população vê uma notícia pela televisão ou lê a mesma notícia nos jornais, estas pessoas estão criando representações mentais com referência a estas notícias reconstruindo e revivendo os cenários e as personagens envolvidas ou citadas nos noticiários. É como se o mesmo acontecimento se reproduzisse em cada mente que se liga ao episódio noticiado.
Nossa grande questão é saber se este “cenário” mental com formas e personagens assim criados, tem alguma “realidade” física semelhante à que estamos inseridos no mundo material.
Na interpretação da física de hoje, o mundo de moléculas e átomos foi substituído por “campos de energia”. O comportamento aparentemente estável da matéria física foi substituído por “ondas” e “pacotes” de energia que se alternam na dependência da opinião do observador.
Portanto, a matéria se densifica em partículas ou se esvai em onda conforme o julgamento mental de quem participa do experimento. Em termos de matéria física, o ser e o desvanecer depende da mente de quem observa o experimento.
A única coisa palpável que restou deste mundo físico de aparência estável é uma “espuma quântica” onde a matéria e a energia se relacionam.
Pelo menos em termos teóricos podemos pressupor outros “estados” de matéria como, por exemplo, a “matéria radiante” sensível aos influxos da mente. A força mental que se expressa em pensamentos cria “onda” e “partículas” que também se coagulam concretizando as formas dos objetos e das pessoas em quem pensamos.
Enquanto a “espuma quântica” solidifica o mundo físico em que nos movimentamos, a “matéria radiante” corporifica o mundo mental que idealizamos. Assim como falamos em higiene e poluição do ambiente físico, podemos falar e, agora sim, falar “concretamente” em limpeza e poluição psíquica.
Estamos todos mergulhados num mundo psíquico mais “concreto” do que possamos supor e, neste ambiente, a seleção das idéias facilitará um clima mental mais saudável ou mais poluído.
Uma simples notícia de jornal, uma conversa que nos emociona, um filme a que assistimos ou um episódio que relatamos criam junto de nós um ambiente psíquico que chamamos de psicosfera. Somos “caixeiro ambulantes” de idéias que podem facilmente nos identificar aos videntes deste mundo psíquico.
Estas formas-pensamentos um dia farão de etiologia das doenças, principalmente psicossomáticas, e o médico aprenderá a prescrever a prece e a meditação para equilíbrio da nossa psicosfera.
Cada um de nós terá uma responsabilidade individual para construir seu próprio mundo mental selecionando o que fala, o que vê, o que ouve, o que lê porque tudo isto implica em incorporar para sempre matéria mental em nosso psiquismo.
domingo, 1 de março de 2009
ASPECTOS NEUROLÓGICOS DOS FENÔMENOS MÍSTICOS
Prof. Dr Nubor Orlando Facure
O saber, em termos de conhecimento adquirido pela humanidade, numa visão teórica e simplificada, pode ser apreendido a partir de três vertentes principais, através da vivência do cotidiano, na qual o homem vai se tornando sábio à medida em que os percalços da experiência humana vão lhe permitindo distinguir o certo do errado, o pior do melhor e, daí em diante, fazer melhores escolhas para seu conforto e segurança.
A segunda fonte de acúmulo de saber é fornecida pelo cientista que, atuando no mundo físico, vai desenvolvendo as teorias do conhecimento científico que, de maneira sistematizada, as suas experiências vão confirmando.
Finalmente, aprendemos pelas revelações transcendentes de místicos, cuja consciência sobrepassa a realidade física objetiva para se inteirar, subjetivamente, de verdades novas e predizer resultados que não dependem da experiência física.
Com base na fisiologia cerebral podemos discutir as possíveis implicações neurológicas da experiência mística. Temos a impressão de que esta vivência transcendente é uma função pouco explorada do nosso inconsciente.
Freud e Jung investigaram profundamente o psiquismo humano através da psicanálise mergulhando no inconsciente individual e coletivo.
A internalização daqueles nossos desejos, que não puderam se manifestar como expressão de um prazer ilimitado, criaram um mundo interior em permanente ebulição.
No cotidiano de nossas vidas, a expressão dos nossos atos corriqueiros ou aqueles meticulosamente elaborados pelas nossas decisões racionais, estão contaminados pelas intenções disfarçadas daqueles desejos inconscientes reprimidos.
Os conflitos e traumas emocionais marcam profundamente o texto psíquico deste inconsciente.
O pai de uma adolescente entra em crise explosiva de raiva quando esta lhe comunica que se inscreveu no vestibular de psicologia.
Ela se afasta chocada, confusa e sem argumentos. Os dois não se lembram que anos antes, ao se candidatar a um emprego, o pai foi eliminado justamente nos testes psicológicos.
Outros inúmeros exemplos poderiam ser levantados para ilustrar a dinâmica da força do inconsciente.
Na atualidade, os neurocientistas, reacenderam seus interesses para a interação cérebro-mente e, desde então, o papel do inconsciente, do ponto de vista neurológico vem merecendo destaque com aspectos diversos do inconsciente Freudiano .
Tentando fazer uma análise didática deste “inconsciente neurológico” abordaremos dois “cortes” funcionais da atividade cerebral para nossa argumentação.
Analisaremos a fisiologia dos gestos motores e de algumas atividades cognitivas.
Nestes dois módulos, poderemos registrar a participação ativa da consciência ao lado de um conteúdo tanto gestual, quanto intelectual inconsciente que a gente mal se dá conta do seu envolvimento.
Cada ato motor se manifesta como atitude reflexa, automática ou voluntária estando hierarquizados tanto anatômica como fisiológicamente. Estes três componentes interagem em conjunto em qualquer um dos nossos gestos, embora, possamos exemplificá-los isoladamente. Quando um cisco nos atinge os olhos, nós piscamos as pálpebras numa atitude reflexa. Ao caminharmos, ao mastigarmos um alimento e ao deglutirmos um gole de água estamos fazendo movimentos puramente automáticos previamente aprendido. Ao erguermos a mão para tocar e apanhar um objeto utilizamos os neurônios de atividade voluntária.
O ato voluntário é intencional e consciente ao passo que os gestos reflexos e os movimentos automáticos são essencialmente inconscientes.
No decurso de nossas atividades cotidianas estamos continuamente sob domínio inconsciente, remexendo as mãos, movimentando os braços, mudando nossas posturas corporais ou expressando uma mímica que reforça com gestos nossa linguagem com palavras.
Esta constelação de gestos, que freqüentemente estigmatizam nosso modo de ser, são realizados inconscientemente. A maioria de nós é, às vezes, mais reconhecido pelos seus atos motores inconscientes, pelos seus trejeitos, pelas suas expressões sisudas ou extrovertidas, do que pelo seu próprio nome.
Nossos gestos inconscientes falam uma linguagem que nossos filhos e nossos amigos captam com facilidade. Eles extrapolam nossas intenções declaradas porque traduzem de maneira muito forte nosso estado de humor.
Realizações motoras complexas ficam organizadas em nosso cérebro depois de um processo de aprendizado. O ato de vestir ou de amarrar os cordões do sapato são bons exemplos destes atos práxicos. Inicialmente, passamos por uma certa dificuldade em aprendê-los e realizá-los corretamente. Nesta fase, cada etapa de gestos é feita conscientemente exigindo algum esforço mental. Depois, aprendida a sucessão de gestos que compõem o ato pretendido, a programação motora passa a ser feita com facilidade e competência. Aos cinco anos de idade já amarramos o tênis ou vestimos a camisa como qualquer adulto.
Uma prova de que este programa motor nos orienta inconscientemente pode ser sentida ao nos dirigirmos correndo a uma escada rolante sem sabermos que ela está parada. Vamos atingi-la andando “mentalmente” e, por alguns segundos, continuaremos a caminhar no mesmo passo, embora, contrariados, tenhamos que galgar seus degraus passo a passo.
Podemos, também, realizar testes simples para registrarmos esta programação motora inconsciente. Colocando uma folha de papel no chão pedimos para alguém caminhar de um lado para outro, mas, sempre que passar pelo papel terá que pisá-lo. Independente da velocidade do caminhar ou da direção que ele der à marcha, será sempre possível acertar o alvo, pisando o papel no chão.
Fiz isto com meu neto de três anos, pedindo que ele, correndo, pisasse num inseto que coloquei no chão. Com as perninhas titubeantes ele optou por pegar o bichinho com as mãos.
As funções cognitivas compreendem a linguagem, a atenção, a memória, entre outras. Elas nos permitem interagirmos com o mundo exterior de maneira consciente.
Por outro lado, certas atividades complexas nesta área são puramente inconscientes e, curiosamente, fundamentais para nossa existência.
São exemplos marcantes a configuração da nossa imagem corporal e a noção inconsciente do Eu.
A criança ao se desenvolver, expressando sua intensa atividade motora, gesticulando no espaço , tocando seu corpo e alcançando os objetos ao seu alcance, vai organizando sua imagem corporal e a perspectiva espacial do ambiente onde se movimenta.
A partir de um ano de idade, vamos aprendendo a andar com nossas próprias pernas e, ao andarmos, vamos nos locomovendo entre os móveis de uma sala, descobrindo a largueza ou a estreiteza de caminhos por onde transita nosso corpo, sem atropelos.
Em qualquer ambiente, dispomos da precisão das nossas proporções em relação aos objetos presentes no espaço por onde nos deslocamos.
A imagem corporal inclui, também, o alcance e a direção do nosso olhar, conjugado com nossos gestos. Só assim, conseguimos estender a mão para alcançarmos um objeto.
Com a noção de imagem corporal deduzimos que nossa mente se estende além dos limites do cérebro. O desenvolvimento da criança se acompanha de um reconhecimento corporal por inteiro. Com gestos ela vai se inteirando das partes que compõe seu corpo e das dimensões do espaço que a envolve. O processo é lento, dura anos, mas, é exatamente como alguém que vai aos poucos se incorporando de uma vestimenta nova, complexa e cheia de recursos.
A mente se instrumentaliza do cérebro para atuar no meio exterior, mas, psiquicamente ela preenche todo o corpo. E, curiosamente, a observação corriqueira mostra que, inclusive, nossas vestes, fazem parte deste “corpo mental” que nossa imagem corporal idealiza. A personalidade se expressa na maneira de cada um se vestir.
Psiquicamente nós nos “enxergamos” dentro de um espaço físico cujos limites percebemos inconscientemente e exteriorizamos para além das dimensões do nosso corpo, a influência da nossa mente. O ambiente próximo de onde nos acomodamos constrói uma “psicosfera” onde se faz sentir as oscilações do nosso psiquismo.
Cada um de nós tem noção exata da sua individualidade mesmo reconhecendo nossa incapacidade de dominar por inteiro as atividades do nosso organismo. Temos sistemas de controle autônomo para nossas atividades viscerais e que independem da vigilância da nossa vontade.
Assim, podemos respirar normalmente sem qualquer comando para os nossos pulmões. Da mesma maneira, bate o coração e circula nosso sangue sem o controle da nossa vontade.
Outro “controle” mental inconsciente atua flexibilizando a contratura ou o relaxamento de grupos musculares que mantém nossa postura corporal. Sem ele nós andaríamos rígidos e robotizados ou desmantelaríamos como bonecos de pano.
Há porém, dentro deste mosaico de funções da mente, um fator integrador da nossa individualidade que é nossa consciência do Eu.
Cada um de nós tem a posse dos seus órgãos, das suas pernas, das suas mãos, do seu coração e até mesmo dos seus sentimentos, das suas emoções e da própria consciência. Porém, nenhuma destas partes é a essência de si mesmo. O Eu é nossa própria individualidade personalizada e , mesmo sem sabermos claramente o que Ele é, podemos ter a consciência de que somos Ele.
É interessante percebermos que o Eu parece ser o autor de um fluxo contínuo de idéias, que atua em nível consciente ou não de nossas decisões e comportamentos.
Neste ponto, podemos destacar que, neurologicamente, consciência e inconsciente poderiam ser apenas estágios mentais em hierarquias diferentes, mas, essencialmente uma mesma função que implica na presença do Eu.
A atividade contínua deste Eu nos mantém “ouvindo” uma voz interior que nos faz participar dos jogos da vida.
Os julgamentos que fazemos dos fatos cotidianos sofrem mudanças dinâmicas ininterruptas. Isto decorre da participação do Eu que faz interpretações “on line” das pessoas e dos acontecimentos.
Trabalhamos apenas com pequenas “pistas” para fazermos reconhecimento das feições de nossos amigos. Imagens de uns poucos traços fisionômicos de pessoas que não vemos há anos, desencadeiam um fluxo de recordações mentais que o Eu seleciona para fazer a identificação precisa. A meio caminho desta seleção de imagens, podemos notar o jogo de mudanças rápidas de opinião entre lembranças de uma ou outra pessoa, mais ou menos semelhante, mais ou menos conhecida.
Numa corrida de cavalos ou numa disputa de natação, é comum irmos mudando nosso julgamento de quem será o primeiro colocado. São exemplos desta dinâmica da visão “on line” que fazemos do mundo.
Há um diálogo contínuo entre o Eu e a consciência. São vozes interiores que manipulam nossas percepções, combinando experiências aprendidas com senso-percepções atuais nos levando a tomar decisões e formar opiniões.
De permeio, a lógica destes raciocínios íntimos sofremos ingerência de estados emocionais freqüentemente insuspeitos. Aprendemos que, por mais racionais que sejam nossas decisões, elas estão sempre impregnadas de emoções.
No dia a dia, percebemos o domínio destas vozes interiores ao nos prepararmos para pedir um aumento de salário, para cortejar uma pretendente ou ao nos dirigirmos ao diretor da escola para justificarmos uma falta. Em todas estas situações elaboramos exaustivamente uma opinião prévia das possíveis respostas que nosso diálogo provocará.
Freqüentemente, opiniões pré-concebidas sobre nossos intelectores, prejudicam um resultado melhor das nossas propostas.
É comum errarmos no julgamento que fazemos dos outros, justamente porque ele se baseia, quase sempre, no conteúdo emocional do nosso inconsciente.
Interpretamos a realidade através de imagens psíquicas e podemos dizer que, neurologicamente, não vemos os objetos, na realidade enxergamos o que “pensamos” estar vendo. Podemos ver com os olhos mas, é a mente quem dá significado às coisas. “Não vemos as ondas luminosas, nós enxergamos as cores, não ouvimos as ondas sonoras , nós percebemos os tons”.
O neurologista está acostumado a avaliar o estado de consciência de seus pacientes e, é clássico, quando ocorre um comprometimento da consciência, quantificar em níveis de maior ou menor profundidade este comprometimento.
Os estados superficiais da consciência correspondem ao despertar, ao estado de alerta ou de vigília. A medida em que ocorre um embotamento da consciência vai se entrando em sonolência, torpor e, no seu estágio final, em coma.
Esta visão, no sentido vertical, em que se analisa a consciência em hierarquias de comprometimento mais superficial ou mais profundo é muito acanhada para se compreender todo envolvimento que faz nossa mente, de si mesmo e do mundo físico e psíquico onde se interrelaciona.
A consciência, num sentido horizontal, pode ser estudada na sua extensão em amplitude, do estado crepuscular ao êxtase.
Podemos ampliar o “alcance” de nossa consciência através da expansão das nossas senso-percepções. A meditação, a concentração e a introversão nos permitem vivenciar realidades psíquicas não experimentadas fisicamente. Não estamos falando de exercícios de imaginação mas de sensações psíquicas inovadoras.
Parece-nos que é exatamente esta a experiência mística, em que nossa mente explora o conteúdo deste inconsciente que descrevemos atrás, tomando conhecimento das coisas através de uma vivência psíquica com os acontecimentos. Os objetos são envolvidos pela mente e apreendidos pelo que têm em sua essência e não pelos seus rótulos. Os fatos passam a ser vistos com naturalidade porque só tem valor pelo seu significado. Os objetivos deixam de ser centralizados no Eu. A superação do Eu nos permite uma relação interpessoal mais harmônica e abrangente. Neste “campo” expandido da consciência podemos registrar a sintonia de outras mentes e vencer os limites do espaço e do tempo.
Foram destas conquistas transcendentes que aprendemos com os místicos que “sempre que se rasga uma flor abalamos uma estrela” ; “o movimento é intrínseco às coisas” ; “qualquer partícula contém toda história do universo” ; “a consciência se dissolve na contemplação” ; “não há posição que não tenha sua negação”.
Prof. Dr Nubor Orlando Facure
O saber, em termos de conhecimento adquirido pela humanidade, numa visão teórica e simplificada, pode ser apreendido a partir de três vertentes principais, através da vivência do cotidiano, na qual o homem vai se tornando sábio à medida em que os percalços da experiência humana vão lhe permitindo distinguir o certo do errado, o pior do melhor e, daí em diante, fazer melhores escolhas para seu conforto e segurança.
A segunda fonte de acúmulo de saber é fornecida pelo cientista que, atuando no mundo físico, vai desenvolvendo as teorias do conhecimento científico que, de maneira sistematizada, as suas experiências vão confirmando.
Finalmente, aprendemos pelas revelações transcendentes de místicos, cuja consciência sobrepassa a realidade física objetiva para se inteirar, subjetivamente, de verdades novas e predizer resultados que não dependem da experiência física.
Com base na fisiologia cerebral podemos discutir as possíveis implicações neurológicas da experiência mística. Temos a impressão de que esta vivência transcendente é uma função pouco explorada do nosso inconsciente.
Freud e Jung investigaram profundamente o psiquismo humano através da psicanálise mergulhando no inconsciente individual e coletivo.
A internalização daqueles nossos desejos, que não puderam se manifestar como expressão de um prazer ilimitado, criaram um mundo interior em permanente ebulição.
No cotidiano de nossas vidas, a expressão dos nossos atos corriqueiros ou aqueles meticulosamente elaborados pelas nossas decisões racionais, estão contaminados pelas intenções disfarçadas daqueles desejos inconscientes reprimidos.
Os conflitos e traumas emocionais marcam profundamente o texto psíquico deste inconsciente.
O pai de uma adolescente entra em crise explosiva de raiva quando esta lhe comunica que se inscreveu no vestibular de psicologia.
Ela se afasta chocada, confusa e sem argumentos. Os dois não se lembram que anos antes, ao se candidatar a um emprego, o pai foi eliminado justamente nos testes psicológicos.
Outros inúmeros exemplos poderiam ser levantados para ilustrar a dinâmica da força do inconsciente.
Na atualidade, os neurocientistas, reacenderam seus interesses para a interação cérebro-mente e, desde então, o papel do inconsciente, do ponto de vista neurológico vem merecendo destaque com aspectos diversos do inconsciente Freudiano .
Tentando fazer uma análise didática deste “inconsciente neurológico” abordaremos dois “cortes” funcionais da atividade cerebral para nossa argumentação.
Analisaremos a fisiologia dos gestos motores e de algumas atividades cognitivas.
Nestes dois módulos, poderemos registrar a participação ativa da consciência ao lado de um conteúdo tanto gestual, quanto intelectual inconsciente que a gente mal se dá conta do seu envolvimento.
Cada ato motor se manifesta como atitude reflexa, automática ou voluntária estando hierarquizados tanto anatômica como fisiológicamente. Estes três componentes interagem em conjunto em qualquer um dos nossos gestos, embora, possamos exemplificá-los isoladamente. Quando um cisco nos atinge os olhos, nós piscamos as pálpebras numa atitude reflexa. Ao caminharmos, ao mastigarmos um alimento e ao deglutirmos um gole de água estamos fazendo movimentos puramente automáticos previamente aprendido. Ao erguermos a mão para tocar e apanhar um objeto utilizamos os neurônios de atividade voluntária.
O ato voluntário é intencional e consciente ao passo que os gestos reflexos e os movimentos automáticos são essencialmente inconscientes.
No decurso de nossas atividades cotidianas estamos continuamente sob domínio inconsciente, remexendo as mãos, movimentando os braços, mudando nossas posturas corporais ou expressando uma mímica que reforça com gestos nossa linguagem com palavras.
Esta constelação de gestos, que freqüentemente estigmatizam nosso modo de ser, são realizados inconscientemente. A maioria de nós é, às vezes, mais reconhecido pelos seus atos motores inconscientes, pelos seus trejeitos, pelas suas expressões sisudas ou extrovertidas, do que pelo seu próprio nome.
Nossos gestos inconscientes falam uma linguagem que nossos filhos e nossos amigos captam com facilidade. Eles extrapolam nossas intenções declaradas porque traduzem de maneira muito forte nosso estado de humor.
Realizações motoras complexas ficam organizadas em nosso cérebro depois de um processo de aprendizado. O ato de vestir ou de amarrar os cordões do sapato são bons exemplos destes atos práxicos. Inicialmente, passamos por uma certa dificuldade em aprendê-los e realizá-los corretamente. Nesta fase, cada etapa de gestos é feita conscientemente exigindo algum esforço mental. Depois, aprendida a sucessão de gestos que compõem o ato pretendido, a programação motora passa a ser feita com facilidade e competência. Aos cinco anos de idade já amarramos o tênis ou vestimos a camisa como qualquer adulto.
Uma prova de que este programa motor nos orienta inconscientemente pode ser sentida ao nos dirigirmos correndo a uma escada rolante sem sabermos que ela está parada. Vamos atingi-la andando “mentalmente” e, por alguns segundos, continuaremos a caminhar no mesmo passo, embora, contrariados, tenhamos que galgar seus degraus passo a passo.
Podemos, também, realizar testes simples para registrarmos esta programação motora inconsciente. Colocando uma folha de papel no chão pedimos para alguém caminhar de um lado para outro, mas, sempre que passar pelo papel terá que pisá-lo. Independente da velocidade do caminhar ou da direção que ele der à marcha, será sempre possível acertar o alvo, pisando o papel no chão.
Fiz isto com meu neto de três anos, pedindo que ele, correndo, pisasse num inseto que coloquei no chão. Com as perninhas titubeantes ele optou por pegar o bichinho com as mãos.
As funções cognitivas compreendem a linguagem, a atenção, a memória, entre outras. Elas nos permitem interagirmos com o mundo exterior de maneira consciente.
Por outro lado, certas atividades complexas nesta área são puramente inconscientes e, curiosamente, fundamentais para nossa existência.
São exemplos marcantes a configuração da nossa imagem corporal e a noção inconsciente do Eu.
A criança ao se desenvolver, expressando sua intensa atividade motora, gesticulando no espaço , tocando seu corpo e alcançando os objetos ao seu alcance, vai organizando sua imagem corporal e a perspectiva espacial do ambiente onde se movimenta.
A partir de um ano de idade, vamos aprendendo a andar com nossas próprias pernas e, ao andarmos, vamos nos locomovendo entre os móveis de uma sala, descobrindo a largueza ou a estreiteza de caminhos por onde transita nosso corpo, sem atropelos.
Em qualquer ambiente, dispomos da precisão das nossas proporções em relação aos objetos presentes no espaço por onde nos deslocamos.
A imagem corporal inclui, também, o alcance e a direção do nosso olhar, conjugado com nossos gestos. Só assim, conseguimos estender a mão para alcançarmos um objeto.
Com a noção de imagem corporal deduzimos que nossa mente se estende além dos limites do cérebro. O desenvolvimento da criança se acompanha de um reconhecimento corporal por inteiro. Com gestos ela vai se inteirando das partes que compõe seu corpo e das dimensões do espaço que a envolve. O processo é lento, dura anos, mas, é exatamente como alguém que vai aos poucos se incorporando de uma vestimenta nova, complexa e cheia de recursos.
A mente se instrumentaliza do cérebro para atuar no meio exterior, mas, psiquicamente ela preenche todo o corpo. E, curiosamente, a observação corriqueira mostra que, inclusive, nossas vestes, fazem parte deste “corpo mental” que nossa imagem corporal idealiza. A personalidade se expressa na maneira de cada um se vestir.
Psiquicamente nós nos “enxergamos” dentro de um espaço físico cujos limites percebemos inconscientemente e exteriorizamos para além das dimensões do nosso corpo, a influência da nossa mente. O ambiente próximo de onde nos acomodamos constrói uma “psicosfera” onde se faz sentir as oscilações do nosso psiquismo.
Cada um de nós tem noção exata da sua individualidade mesmo reconhecendo nossa incapacidade de dominar por inteiro as atividades do nosso organismo. Temos sistemas de controle autônomo para nossas atividades viscerais e que independem da vigilância da nossa vontade.
Assim, podemos respirar normalmente sem qualquer comando para os nossos pulmões. Da mesma maneira, bate o coração e circula nosso sangue sem o controle da nossa vontade.
Outro “controle” mental inconsciente atua flexibilizando a contratura ou o relaxamento de grupos musculares que mantém nossa postura corporal. Sem ele nós andaríamos rígidos e robotizados ou desmantelaríamos como bonecos de pano.
Há porém, dentro deste mosaico de funções da mente, um fator integrador da nossa individualidade que é nossa consciência do Eu.
Cada um de nós tem a posse dos seus órgãos, das suas pernas, das suas mãos, do seu coração e até mesmo dos seus sentimentos, das suas emoções e da própria consciência. Porém, nenhuma destas partes é a essência de si mesmo. O Eu é nossa própria individualidade personalizada e , mesmo sem sabermos claramente o que Ele é, podemos ter a consciência de que somos Ele.
É interessante percebermos que o Eu parece ser o autor de um fluxo contínuo de idéias, que atua em nível consciente ou não de nossas decisões e comportamentos.
Neste ponto, podemos destacar que, neurologicamente, consciência e inconsciente poderiam ser apenas estágios mentais em hierarquias diferentes, mas, essencialmente uma mesma função que implica na presença do Eu.
A atividade contínua deste Eu nos mantém “ouvindo” uma voz interior que nos faz participar dos jogos da vida.
Os julgamentos que fazemos dos fatos cotidianos sofrem mudanças dinâmicas ininterruptas. Isto decorre da participação do Eu que faz interpretações “on line” das pessoas e dos acontecimentos.
Trabalhamos apenas com pequenas “pistas” para fazermos reconhecimento das feições de nossos amigos. Imagens de uns poucos traços fisionômicos de pessoas que não vemos há anos, desencadeiam um fluxo de recordações mentais que o Eu seleciona para fazer a identificação precisa. A meio caminho desta seleção de imagens, podemos notar o jogo de mudanças rápidas de opinião entre lembranças de uma ou outra pessoa, mais ou menos semelhante, mais ou menos conhecida.
Numa corrida de cavalos ou numa disputa de natação, é comum irmos mudando nosso julgamento de quem será o primeiro colocado. São exemplos desta dinâmica da visão “on line” que fazemos do mundo.
Há um diálogo contínuo entre o Eu e a consciência. São vozes interiores que manipulam nossas percepções, combinando experiências aprendidas com senso-percepções atuais nos levando a tomar decisões e formar opiniões.
De permeio, a lógica destes raciocínios íntimos sofremos ingerência de estados emocionais freqüentemente insuspeitos. Aprendemos que, por mais racionais que sejam nossas decisões, elas estão sempre impregnadas de emoções.
No dia a dia, percebemos o domínio destas vozes interiores ao nos prepararmos para pedir um aumento de salário, para cortejar uma pretendente ou ao nos dirigirmos ao diretor da escola para justificarmos uma falta. Em todas estas situações elaboramos exaustivamente uma opinião prévia das possíveis respostas que nosso diálogo provocará.
Freqüentemente, opiniões pré-concebidas sobre nossos intelectores, prejudicam um resultado melhor das nossas propostas.
É comum errarmos no julgamento que fazemos dos outros, justamente porque ele se baseia, quase sempre, no conteúdo emocional do nosso inconsciente.
Interpretamos a realidade através de imagens psíquicas e podemos dizer que, neurologicamente, não vemos os objetos, na realidade enxergamos o que “pensamos” estar vendo. Podemos ver com os olhos mas, é a mente quem dá significado às coisas. “Não vemos as ondas luminosas, nós enxergamos as cores, não ouvimos as ondas sonoras , nós percebemos os tons”.
O neurologista está acostumado a avaliar o estado de consciência de seus pacientes e, é clássico, quando ocorre um comprometimento da consciência, quantificar em níveis de maior ou menor profundidade este comprometimento.
Os estados superficiais da consciência correspondem ao despertar, ao estado de alerta ou de vigília. A medida em que ocorre um embotamento da consciência vai se entrando em sonolência, torpor e, no seu estágio final, em coma.
Esta visão, no sentido vertical, em que se analisa a consciência em hierarquias de comprometimento mais superficial ou mais profundo é muito acanhada para se compreender todo envolvimento que faz nossa mente, de si mesmo e do mundo físico e psíquico onde se interrelaciona.
A consciência, num sentido horizontal, pode ser estudada na sua extensão em amplitude, do estado crepuscular ao êxtase.
Podemos ampliar o “alcance” de nossa consciência através da expansão das nossas senso-percepções. A meditação, a concentração e a introversão nos permitem vivenciar realidades psíquicas não experimentadas fisicamente. Não estamos falando de exercícios de imaginação mas de sensações psíquicas inovadoras.
Parece-nos que é exatamente esta a experiência mística, em que nossa mente explora o conteúdo deste inconsciente que descrevemos atrás, tomando conhecimento das coisas através de uma vivência psíquica com os acontecimentos. Os objetos são envolvidos pela mente e apreendidos pelo que têm em sua essência e não pelos seus rótulos. Os fatos passam a ser vistos com naturalidade porque só tem valor pelo seu significado. Os objetivos deixam de ser centralizados no Eu. A superação do Eu nos permite uma relação interpessoal mais harmônica e abrangente. Neste “campo” expandido da consciência podemos registrar a sintonia de outras mentes e vencer os limites do espaço e do tempo.
Foram destas conquistas transcendentes que aprendemos com os místicos que “sempre que se rasga uma flor abalamos uma estrela” ; “o movimento é intrínseco às coisas” ; “qualquer partícula contém toda história do universo” ; “a consciência se dissolve na contemplação” ; “não há posição que não tenha sua negação”.
OPERAÇÕES MENTAIS E COMO O CÉREBRO APRENDE
Prof. Dr Nubor Orlando Facure
Não gostaríamos de apresentar uma visão mecanicista do cérebro, principalmente por acreditar no paradigma dualista pelo qual a mente instrumentaliza o cérebro para se inserir na realidade física onde transitamos.
É necessário compreendermos porém, que o cérebro, pelos seus antecedentes evolucionistas, exibe no seu funcionamento uma determinada operacionalidade, típica de um instrumental físico.
Com isto queremos dizer que há regras ou pelo menos, podemos reconhecer certos programas básicos pêlos quais a mente põe o cérebro em funcionamento.
Podemos até reconhecer, adotando um paradigma espiritualista, que uma mente fora do contexto físico do cérebro, pode dispor de recursos ou usar de estratégias que sobrepujam toda fisiologia cerebral, mas, enquanto contida nesta “máquina” de neurônios, ela é limitada pêlos recursos que estes neurônios podem oferecer.
Estes “limites” é que vão ficar claros quando descobrirmos o texto do “manual” de operacionalidade do cérebro.
Como qualquer outro ser vivo nós somos resultado de um processo evolutivo que privilegiou para todos a sobrevivência e a adaptação. O cérebro humano apesar de dispor de uma potencialidade extraordinária para atuar no meio ambiente que nos cerca, está “engatilhado” para priorizar a sobrevivência e a adaptação da nossa espécie. Isto exige decisões às vezes apressadas para atuações rápidas, freqüentemente tidas como insensatas.
Basta nos determos no estudo do comportamento animal para percebermos que a disputa pela vida exige que um predador esteja em constante preparo para com astúcia abocanhar sua presa.
A vítima, quase sempre mais frágil, precisa por outro lado, se predispor a uma vigilância permanente para não se surpreender com as surpresas de um ataque fatal.
Dentro desta estratégia de ataque e defesa que se perpetua em todos níveis da escala evolutiva, do peixe que abocanha a libélula, da cobra que envenena o coelho ou do tigre que dilacera um bezerro, é imperioso que o cérebro predisponha toda sua estratégia para fuga, defesa ou ataque o mais rápido possível.
Quando se trata de sobrevivência não se pode perder tempo com detalhes nem distrairmos com a rotina para não se pagar com a própria vida o preço de uma distração. É preciso estarmos de sobreaviso a qualquer sinal novo e reagirmos da maneira mais acessível e rápida possível para uma fuga imediata se este sinal indicar o perigo de um ataque ameaçador.
No conjunto de informações que nosso cérebro detecta no mundo a nossa volta, a escala de prioridades estabelece que nos interessa a informação mais útil, a mais acessível, não, necessariamente, a melhor ou a mais lógica. O cérebro opta por simplificar para se adaptar e para isto nos põe diante de um esboço rápido da realidade.
O processo de sobrevivência exige que cada presa esteja sempre de prontidão para se prevenir dos ataques dos seus predadores e, de certa forma, na luta entre o mais forte e o mais fraco, somos todos presas e predadores uns dos outros. Neste sentido, o cérebro posicionou o foco da consciência na atenção imediata para todos os fatos novos que se projetam no meio ambiente. Ninguém pode ser pego de surpresa, nem se deter para análise pormenorizada de um objeto que pode ou não ser hostil, que pode ser ou não sombras da vegetação ou uma fera traiçoeira que nos ataca e mata.
O cérebro humano continua privilegiando todo este mecanismo de defesa, se adaptando a rotinas e menosprezando o que é corriqueiro para estar atento ao que é novo ficando predisposto a agir rapidamente a um perigo ou ameaça eminente. Estamos mais preparados para reagirmos à mudanças que ocorrem a nossa volta e não necessariamente ao desenrolar dos acontecimentos. Mudanças no ambiente carregam um potencial de hostilidade maior que a própria agressividade deste ambiente.
Por isto, nos habituamos aos ruídos das cidades e à monotonia do trânsito mesmo que nos sejam, de início, muito desagradáveis. Por isto também, não nos abalamos com mais uma notícia de engarrafamento nas ruas ou de um empregado que se acidentou na fábrica.
Mas, nos surpreenderíamos com a notícia de um terremoto na avenida Paulista ou de um jacaré no rio Tietê.
Os fatos novos, ao lado do perigo que podem ou não representar, tem o poder de desencadear, pelo inusitado da sua ocorrência, uma sensação agradável ou hostil, uma emoção forte que se irradia por todo nosso organismo, liberando a adrenalina para uma reação em cadeia que nos põe em estado de alerta. Por isto, no desenvolvimento do cérebro, seguindo a escala animal, percebemos que o cérebro emocional, representado pelo sistema límbico, precedeu o desenvolvimento do cérebro intelectual, expresso pelas circunvoluções cerebrais do neocortex.
É sempre mais vantajoso uma resposta emocional rápida e eficiente do que uma reação meticulosa e bem elaborada. A primeira facilita uma estratégia de fuga mais eficaz, mais ligada a sobrevivência do que a segunda que exige tempo muito precioso quando o que está em jogo é viver ou morrer.
Qualquer um de nós percebe que as emoções permeiam nossos comportamentos tanto nos gestos motores como nas interjeições do nosso psiquismo. Qualquer acontecimento que presenciamos ou qualquer objeto que contemplamos serão as emoções que redigirão o texto da nossa redação sobre o que testemunhamos ou percebemos.
O conteúdo e a linguagem que escreve este texto, tem muito pouco de pensamentos lógicos, de decisões racionais ou de interpretações verosímeis. O livro da experiência de vida de cada um de nós está escrito com a aparente desordem do caos e só tem idéias emocionais.
É freqüente percebermos quantas vezes nossas atitudes foram tomadas “sem pensarmos”, quantas vezes agimos levados pelo “calor das emoções” e, ao “pensarmos melhor”, muitas vezes, mudamos nossos julgamentos e até nossas decisões.
É comum também, conhecermos pessoas racionais ou corajosas diante de problemas da vida que se emocionam ou apavoram ao verem um ferimento sangrando, ou ao subirem no elevador ou se verem nas alturas de um edifício.
O pavor que a emoção provoca é muito mais forte que a interpretação racional do possível perigo que estejam enfrentando.
Freqüentemente aparentamos muita segurança ao tomarmos decisões importantes, acreditando estarmos fazendo o melhor, estarmos agindo criteriosamente, com lógica, com juízo e sensatez.
Na verdade, escolhas de significado decisivo para nossas vidas, como a opção para determinada profissão, a casa onde vamos morar, a pessoa com quem vamos nos casar, o carro que vamos comprar ou o negócio que vamos realizar são sempre direcionados por decisões francamente emocionais.
Nossas reações emocionais nos dão uma chance melhor de sobrevivência e adaptação ao ambiente do que os processos mentais que usam a lógica, o cálculo ou as meticulosas decisões tomadas depois de raciocínios demorados e que nem sempre são agradáveis.
É por isto que nos acostumamos a fazer mudanças freqüentes de julgamentos. As emoções nos antecipam conclusões apressadas mas, de pouca precisão, por isto, freqüentemente efêmeras e sujeitas a revisões. Num jogo de futebol, numa partida de tênis ou numa corrida de cavalos podemos ir mudando, até aos instantes finais do jogo, as nossas previsões de quem será o vencedor. Por isto também, em qualquer escolha afetiva que fizermos, haverá sempre a possibilidade de se questionar o acerto da decisão.
Nossa consciência flui continuamente num fluxo incessante de múltiplas idéias. Nosso mundo interno, do ponto de vista mental não é estático, e as idéias não estão rigidamente estabelecidas. A mente tem a dinâmica de um mosaico de luzes que se projetam pela consciência que se contrai ou expande diante do que nos emociona.
Na luta pela vida, a necessidade de agirmos rápido faz com que a mente tenha uma atuação “on line”, que põe a nossa atenção e a nossa consciência sobreposta aos fatos para não ser pega de surpresa. Neste sentido, a mente tem que fazer escolha rápida de prioridades, dirigindo suas informações sensoriais no sentido de tomar decisões mais úteis e mais acessíveis e não necessariamente a melhor. Uma alternativa que está mais à mão pode nos dar uma chance de fuga ou defesa mais rápida.
Não convém perdermos tempo para analisarmos a gravidade ou a extensão do perigo. As estatísticas podem estar a nosso favor, mesmo assim é melhor salvarmos a nossa pele primeiro.
Os processos racionais de tomada de decisões são seguramente mais convenientes. Eles nos permitiriam fazer escolhas dentro de um leque de alternativas e nos poriam à frente de detalhes minuciosos que nos dariam mais competência para a escolha mais acertada. Porém, não nos garante que seria a decisão mais agradável nem a mais eficaz.
Demorar para decidir, esperando detalhes das informações disponíveis poderia custar um pedaço da perna do surfista que confundiu sua prancha com um tubarão.
É melhor uma interpretação mais rápida mesmo que, ao invés de fugirmos de um tubarão, tenhamos apenas nos assustado com a casca de uma árvore.
A mente ao iniciar sua tomada de decisões não pode se prender aos detalhes, não pode fazer análise sequenciada, precisa fazer um julgamento rápido da realidade usando para isto uma idéia interpretativa dos acontecimentos e dos objetos. Nossa consciência está adequada para fazer apreensões representativas das coisas e dos objetos. Para isto usamos nossa capacidade cerebral de fazer interpretações e reconhecimento com base em pistas sensoriais de informações. Todos sabemos de antemão que é fácil, mesmo estando de olhos fechados, reconhecermos, pelo simples tato, um objeto como uma carteira, um lápis ou um molho de chaves que é colocado em nossa mão. Um simples toque no objeto nos permite um reconhecimento imediato do objeto por inteiro. Também sabemos que nenhum de nós precisa ver todos os lados de uma xícara para reconhecê-la, nem ver um amigo em todos os seus ângulos e perfis para identificarmos quem é. Os pequenos fragmentos de informação já são suficientes para nos permitir ajuizar os objetos ou as pessoas em todas suas dimensões.
A realidade que vemos ou o mundo que percebemos com nossos sentidos é, na verdade, interpretado na nossa mente.
Cada objeto que nos atinge nos impressiona não só pelo que nos imprime nos sentidos mas, também, pelo que nos provoca na mente ao desencadear imagens e idéias. O mundo por nós vivido é essencialmente um mundo “sonhado” e “imaginado” em nossa mente.
A experiência de cada um de nós é medida pelo referencial de imagens mentais que criamos e armazenamos sobre o mundo onde vivemos.
Cada objeto, cada palavra, cada sensação é carregada de um potencial simbólico que desencadeia em nós a capacidade de criar imagens vivas da realidade.
Daí a conveniência de se estudar as palavras pela sua transmissão de idéias e compreender os objetos pelos seus significados. Dar consciência ao aprendizado é apreender as qualidades de cada coisa e de cada objeto.
A motivação, os fatos novos e o clima de emoção enriquecem o aprendizado. O cérebro aprende quando vivenciamos experiências, quando aprendemos o significado de cada coisa ou identificamos as qualidades dos objetos.
Nossa maneira de vivenciar a realidade se processa pela construção rápida de conceitos.
Aprendemos a distinguir o que é certo do que é errado, o que é bom do que é mau, o que agrada do que agride e, principalmente, o que é comestível do que é indigesto.
É melhor saber logo quais as conseqüências antes de identificar pormenorizadamente as causas. É uma questão de sobrevivência.
Prof. Dr Nubor Orlando Facure
Não gostaríamos de apresentar uma visão mecanicista do cérebro, principalmente por acreditar no paradigma dualista pelo qual a mente instrumentaliza o cérebro para se inserir na realidade física onde transitamos.
É necessário compreendermos porém, que o cérebro, pelos seus antecedentes evolucionistas, exibe no seu funcionamento uma determinada operacionalidade, típica de um instrumental físico.
Com isto queremos dizer que há regras ou pelo menos, podemos reconhecer certos programas básicos pêlos quais a mente põe o cérebro em funcionamento.
Podemos até reconhecer, adotando um paradigma espiritualista, que uma mente fora do contexto físico do cérebro, pode dispor de recursos ou usar de estratégias que sobrepujam toda fisiologia cerebral, mas, enquanto contida nesta “máquina” de neurônios, ela é limitada pêlos recursos que estes neurônios podem oferecer.
Estes “limites” é que vão ficar claros quando descobrirmos o texto do “manual” de operacionalidade do cérebro.
Como qualquer outro ser vivo nós somos resultado de um processo evolutivo que privilegiou para todos a sobrevivência e a adaptação. O cérebro humano apesar de dispor de uma potencialidade extraordinária para atuar no meio ambiente que nos cerca, está “engatilhado” para priorizar a sobrevivência e a adaptação da nossa espécie. Isto exige decisões às vezes apressadas para atuações rápidas, freqüentemente tidas como insensatas.
Basta nos determos no estudo do comportamento animal para percebermos que a disputa pela vida exige que um predador esteja em constante preparo para com astúcia abocanhar sua presa.
A vítima, quase sempre mais frágil, precisa por outro lado, se predispor a uma vigilância permanente para não se surpreender com as surpresas de um ataque fatal.
Dentro desta estratégia de ataque e defesa que se perpetua em todos níveis da escala evolutiva, do peixe que abocanha a libélula, da cobra que envenena o coelho ou do tigre que dilacera um bezerro, é imperioso que o cérebro predisponha toda sua estratégia para fuga, defesa ou ataque o mais rápido possível.
Quando se trata de sobrevivência não se pode perder tempo com detalhes nem distrairmos com a rotina para não se pagar com a própria vida o preço de uma distração. É preciso estarmos de sobreaviso a qualquer sinal novo e reagirmos da maneira mais acessível e rápida possível para uma fuga imediata se este sinal indicar o perigo de um ataque ameaçador.
No conjunto de informações que nosso cérebro detecta no mundo a nossa volta, a escala de prioridades estabelece que nos interessa a informação mais útil, a mais acessível, não, necessariamente, a melhor ou a mais lógica. O cérebro opta por simplificar para se adaptar e para isto nos põe diante de um esboço rápido da realidade.
O processo de sobrevivência exige que cada presa esteja sempre de prontidão para se prevenir dos ataques dos seus predadores e, de certa forma, na luta entre o mais forte e o mais fraco, somos todos presas e predadores uns dos outros. Neste sentido, o cérebro posicionou o foco da consciência na atenção imediata para todos os fatos novos que se projetam no meio ambiente. Ninguém pode ser pego de surpresa, nem se deter para análise pormenorizada de um objeto que pode ou não ser hostil, que pode ser ou não sombras da vegetação ou uma fera traiçoeira que nos ataca e mata.
O cérebro humano continua privilegiando todo este mecanismo de defesa, se adaptando a rotinas e menosprezando o que é corriqueiro para estar atento ao que é novo ficando predisposto a agir rapidamente a um perigo ou ameaça eminente. Estamos mais preparados para reagirmos à mudanças que ocorrem a nossa volta e não necessariamente ao desenrolar dos acontecimentos. Mudanças no ambiente carregam um potencial de hostilidade maior que a própria agressividade deste ambiente.
Por isto, nos habituamos aos ruídos das cidades e à monotonia do trânsito mesmo que nos sejam, de início, muito desagradáveis. Por isto também, não nos abalamos com mais uma notícia de engarrafamento nas ruas ou de um empregado que se acidentou na fábrica.
Mas, nos surpreenderíamos com a notícia de um terremoto na avenida Paulista ou de um jacaré no rio Tietê.
Os fatos novos, ao lado do perigo que podem ou não representar, tem o poder de desencadear, pelo inusitado da sua ocorrência, uma sensação agradável ou hostil, uma emoção forte que se irradia por todo nosso organismo, liberando a adrenalina para uma reação em cadeia que nos põe em estado de alerta. Por isto, no desenvolvimento do cérebro, seguindo a escala animal, percebemos que o cérebro emocional, representado pelo sistema límbico, precedeu o desenvolvimento do cérebro intelectual, expresso pelas circunvoluções cerebrais do neocortex.
É sempre mais vantajoso uma resposta emocional rápida e eficiente do que uma reação meticulosa e bem elaborada. A primeira facilita uma estratégia de fuga mais eficaz, mais ligada a sobrevivência do que a segunda que exige tempo muito precioso quando o que está em jogo é viver ou morrer.
Qualquer um de nós percebe que as emoções permeiam nossos comportamentos tanto nos gestos motores como nas interjeições do nosso psiquismo. Qualquer acontecimento que presenciamos ou qualquer objeto que contemplamos serão as emoções que redigirão o texto da nossa redação sobre o que testemunhamos ou percebemos.
O conteúdo e a linguagem que escreve este texto, tem muito pouco de pensamentos lógicos, de decisões racionais ou de interpretações verosímeis. O livro da experiência de vida de cada um de nós está escrito com a aparente desordem do caos e só tem idéias emocionais.
É freqüente percebermos quantas vezes nossas atitudes foram tomadas “sem pensarmos”, quantas vezes agimos levados pelo “calor das emoções” e, ao “pensarmos melhor”, muitas vezes, mudamos nossos julgamentos e até nossas decisões.
É comum também, conhecermos pessoas racionais ou corajosas diante de problemas da vida que se emocionam ou apavoram ao verem um ferimento sangrando, ou ao subirem no elevador ou se verem nas alturas de um edifício.
O pavor que a emoção provoca é muito mais forte que a interpretação racional do possível perigo que estejam enfrentando.
Freqüentemente aparentamos muita segurança ao tomarmos decisões importantes, acreditando estarmos fazendo o melhor, estarmos agindo criteriosamente, com lógica, com juízo e sensatez.
Na verdade, escolhas de significado decisivo para nossas vidas, como a opção para determinada profissão, a casa onde vamos morar, a pessoa com quem vamos nos casar, o carro que vamos comprar ou o negócio que vamos realizar são sempre direcionados por decisões francamente emocionais.
Nossas reações emocionais nos dão uma chance melhor de sobrevivência e adaptação ao ambiente do que os processos mentais que usam a lógica, o cálculo ou as meticulosas decisões tomadas depois de raciocínios demorados e que nem sempre são agradáveis.
É por isto que nos acostumamos a fazer mudanças freqüentes de julgamentos. As emoções nos antecipam conclusões apressadas mas, de pouca precisão, por isto, freqüentemente efêmeras e sujeitas a revisões. Num jogo de futebol, numa partida de tênis ou numa corrida de cavalos podemos ir mudando, até aos instantes finais do jogo, as nossas previsões de quem será o vencedor. Por isto também, em qualquer escolha afetiva que fizermos, haverá sempre a possibilidade de se questionar o acerto da decisão.
Nossa consciência flui continuamente num fluxo incessante de múltiplas idéias. Nosso mundo interno, do ponto de vista mental não é estático, e as idéias não estão rigidamente estabelecidas. A mente tem a dinâmica de um mosaico de luzes que se projetam pela consciência que se contrai ou expande diante do que nos emociona.
Na luta pela vida, a necessidade de agirmos rápido faz com que a mente tenha uma atuação “on line”, que põe a nossa atenção e a nossa consciência sobreposta aos fatos para não ser pega de surpresa. Neste sentido, a mente tem que fazer escolha rápida de prioridades, dirigindo suas informações sensoriais no sentido de tomar decisões mais úteis e mais acessíveis e não necessariamente a melhor. Uma alternativa que está mais à mão pode nos dar uma chance de fuga ou defesa mais rápida.
Não convém perdermos tempo para analisarmos a gravidade ou a extensão do perigo. As estatísticas podem estar a nosso favor, mesmo assim é melhor salvarmos a nossa pele primeiro.
Os processos racionais de tomada de decisões são seguramente mais convenientes. Eles nos permitiriam fazer escolhas dentro de um leque de alternativas e nos poriam à frente de detalhes minuciosos que nos dariam mais competência para a escolha mais acertada. Porém, não nos garante que seria a decisão mais agradável nem a mais eficaz.
Demorar para decidir, esperando detalhes das informações disponíveis poderia custar um pedaço da perna do surfista que confundiu sua prancha com um tubarão.
É melhor uma interpretação mais rápida mesmo que, ao invés de fugirmos de um tubarão, tenhamos apenas nos assustado com a casca de uma árvore.
A mente ao iniciar sua tomada de decisões não pode se prender aos detalhes, não pode fazer análise sequenciada, precisa fazer um julgamento rápido da realidade usando para isto uma idéia interpretativa dos acontecimentos e dos objetos. Nossa consciência está adequada para fazer apreensões representativas das coisas e dos objetos. Para isto usamos nossa capacidade cerebral de fazer interpretações e reconhecimento com base em pistas sensoriais de informações. Todos sabemos de antemão que é fácil, mesmo estando de olhos fechados, reconhecermos, pelo simples tato, um objeto como uma carteira, um lápis ou um molho de chaves que é colocado em nossa mão. Um simples toque no objeto nos permite um reconhecimento imediato do objeto por inteiro. Também sabemos que nenhum de nós precisa ver todos os lados de uma xícara para reconhecê-la, nem ver um amigo em todos os seus ângulos e perfis para identificarmos quem é. Os pequenos fragmentos de informação já são suficientes para nos permitir ajuizar os objetos ou as pessoas em todas suas dimensões.
A realidade que vemos ou o mundo que percebemos com nossos sentidos é, na verdade, interpretado na nossa mente.
Cada objeto que nos atinge nos impressiona não só pelo que nos imprime nos sentidos mas, também, pelo que nos provoca na mente ao desencadear imagens e idéias. O mundo por nós vivido é essencialmente um mundo “sonhado” e “imaginado” em nossa mente.
A experiência de cada um de nós é medida pelo referencial de imagens mentais que criamos e armazenamos sobre o mundo onde vivemos.
Cada objeto, cada palavra, cada sensação é carregada de um potencial simbólico que desencadeia em nós a capacidade de criar imagens vivas da realidade.
Daí a conveniência de se estudar as palavras pela sua transmissão de idéias e compreender os objetos pelos seus significados. Dar consciência ao aprendizado é apreender as qualidades de cada coisa e de cada objeto.
A motivação, os fatos novos e o clima de emoção enriquecem o aprendizado. O cérebro aprende quando vivenciamos experiências, quando aprendemos o significado de cada coisa ou identificamos as qualidades dos objetos.
Nossa maneira de vivenciar a realidade se processa pela construção rápida de conceitos.
Aprendemos a distinguir o que é certo do que é errado, o que é bom do que é mau, o que agrada do que agride e, principalmente, o que é comestível do que é indigesto.
É melhor saber logo quais as conseqüências antes de identificar pormenorizadamente as causas. É uma questão de sobrevivência.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Fobia social e fobias específicas.
Fobias são medos excessivos e persistentes de situações específicas ou objetos definidos. O medo não pode ser explicado racionalmente. Os indivíduos fóbicos não têm controle voluntário de seu medo, e evitam a situação ou objeto para controlar o medo.
Situações ou objetos que comumente provocam reações fóbicas são diversas, tais como :
• Animais ou insetos : cachorro, cobras, aranhas.
• Ambientes : água, alturas, tempestade.
• Lesões : sangue, punções venenosas, procedimentos médicos ou odontológicos.
• Situações : espaços fechados, voar, pontes, túneis.
• Sociais : interações, falar em público.
A reação fóbica pode se tornar um problema psiquiátrico, quando somos obrigados por motivos diversos defrontar com tais estímulos.
As fobias são problemas psiquiátricos comuns, cujos transtornos mais prevalentes são a depressão e alcoolismo.
Quase todas as crianças tem medo irracionais de situações ou objetos comuns como escuridão, alturas, animais, espaços fechados e tempestades. A maioria das crianças supera estes medos, ou mais precisamente, não desenvolve medos persistentes que possam se tornar fobias. Fobias de insetos e outros animais geralmente começam na infância, bem como as fobias de tempestade e outros estímulos ambientais, túneis, e pontes. Fobias de situações também se desenvolve em adultos, como por exemplo voar após um vôo turbulento e aterrorizante. Fobias sociais geralmente se desenvolvem após um episódio social embaraçoso.
A maioria dos indivíduos encontram maneiras de conviver com as limitações impostas pelos medos, quase sempre com sucesso. Se este sucesso é mantido, eles não precisam procurar ajuda. Quando forçadas a superar suas limitações, a ansiedade surge, e eles podem procurar tratamento. Uma pessoa com medo de voar pode se tornar francamente fóbica quando obrigada a fazê-lo por razões profissionais. Portanto, normalmente são necessárias pressões externas para motivar o paciente a procurar tratamento. Pessoas com mais de uma fobia específica, e ataques de pânico em resposta ao estímulo fóbico são mais propensas a procurar tratamento do que aquelas com uma fobia única e ansiedade menos intensa. Ansiedade intensa, estímulo familiar, e campanhas de esclarecimento ajudam as pessoas como, insetos, alturas, sangue transtornos fóbicos a superar a vergonha e a procurar tratamento.
Para investigar a fobia social, deve-se pesquisar a ocorrência de medo ou desconforto em situações como falar em público ou executar tarefas diante de outras pessoas.
Para investigar as fobias específicas, deve-se perguntar sobre medo de animais, insetos, alturas, sangue, espaços fechados ou outras situações.
Pessoas acometidas de fobia social se tornam temerosas de situações nas quais estejam expostas à observação de outras. Elas tem medo de agir de maneira embaraçosa ou humilhante, ficando visivelmente ansiosas. As situações temidas incluem falar em público, desempenhar alguma atividade em público, como representar ou tocar um instrumento, comer em público e escrever em público, como preencher um cheque ou assinar um recibo de cartão de crédito. Situações de interação social temidas incluem falar ao telefone, falar com estranhos, como para pedir informações, encontro sociais, falar com empregados de estabelecimentos comerciais, ou com autoridades, como agentes policiais.
A exposição à situação temida desencadeia medo e ansiedade excessivos e irracionais, que interferem com o funcionamento social e ocupacional. Muitas pessoas com fobia social evitam promoções, e até mesmo permanecem desempregadas, para evitar episódios de ansiedade ou embaraço. Algumas pessoas tem um medo específico, mas a maioria apresenta mais de uma fobia social. Pessoas com fobia social generalizada temem a maioria das situações sociais. O álcool é usado, às vezes de maneira problemática, para reduzir a ansiedade em situações sociais. Parece haver um padrão familiar para a fobia social.
Embora haja algumas diferenças entre as fobias específicas e a fobia social neste aspecto, os principais diagnósticos diferenciais de ambas são : - transtorno de pânico com agorafobia, depressão, paranóia, transtorno obsessivo compulsivo, transtornos de estresse pós traumático, hipocondria, transtornos alimentares e esquizofrenia.
O transtorno de pânico é diferenciado pela ocorrência de ataques de pânico não ligados a situações, e pelo início dos ataques de pânico precedendo o comportamento de evitação. Pessoas com transtornos depressivos de evitação e ataques de pânico, mas seu comportamento de evitação é decorrente de apatia, perda de interesse no envolvimento social, perda de energia e baixa auto-estima. Pacientes deprimidos tem ainda um cortejo de sintomas típicos de depressão. Pessoas com comportamento de evitação devido a temores infundados de perseguição podem ter esquizofrenia ou transtorno delirante. No transtorno obsessivo – compulsivo o medo e a evitação são dirigidos ao conteúdo do pensamento obsessivo. No transtorno de estresse pós - traumático o medo e o comportamento de evitação se desenvolvem em resposta a um estressor significativo. A hipocondria é caracterizada pela preocupação em relação a doenças. Nos transtornos alimentares, os pacientes podem exibir características fóbicas ou obsessivo – compulsivas, porém o foco dos sintomas está sobre a imagem corporal distorcida e o comportamento alimentar.
O tratamento medicamentoso das fobias específicas e da fobia social visa a reduzir a ansiedade antecipatória, o comportamento de evitação e a ansiedade durante a exposição aos estímulos fóbicos.
Os padrões de comportamento ansiosos são aprendidos.
A terapia cognitiva comportamental pode ser utilizada para modificar estes padrões de comportamento, sendo útil no tratamento das fobias. A maioria das pessoas com fobias sociais ou específicas não recebem tratamento. Alguns tem sucesso evitando os estímulos fóbicos, mas pagam o preço pelas limitações. Outros desafiam o estímulo fóbico e superam a fobia através da exposição. Se o paciente não recebe tratamento que proporcione melhora, o sentimento de desmoralização secundário às limitações impostas pela doença pode levar à depressão.
Fobias são medos excessivos e persistentes de situações específicas ou objetos definidos. O medo não pode ser explicado racionalmente. Os indivíduos fóbicos não têm controle voluntário de seu medo, e evitam a situação ou objeto para controlar o medo.
Situações ou objetos que comumente provocam reações fóbicas são diversas, tais como :
• Animais ou insetos : cachorro, cobras, aranhas.
• Ambientes : água, alturas, tempestade.
• Lesões : sangue, punções venenosas, procedimentos médicos ou odontológicos.
• Situações : espaços fechados, voar, pontes, túneis.
• Sociais : interações, falar em público.
A reação fóbica pode se tornar um problema psiquiátrico, quando somos obrigados por motivos diversos defrontar com tais estímulos.
As fobias são problemas psiquiátricos comuns, cujos transtornos mais prevalentes são a depressão e alcoolismo.
Quase todas as crianças tem medo irracionais de situações ou objetos comuns como escuridão, alturas, animais, espaços fechados e tempestades. A maioria das crianças supera estes medos, ou mais precisamente, não desenvolve medos persistentes que possam se tornar fobias. Fobias de insetos e outros animais geralmente começam na infância, bem como as fobias de tempestade e outros estímulos ambientais, túneis, e pontes. Fobias de situações também se desenvolve em adultos, como por exemplo voar após um vôo turbulento e aterrorizante. Fobias sociais geralmente se desenvolvem após um episódio social embaraçoso.
A maioria dos indivíduos encontram maneiras de conviver com as limitações impostas pelos medos, quase sempre com sucesso. Se este sucesso é mantido, eles não precisam procurar ajuda. Quando forçadas a superar suas limitações, a ansiedade surge, e eles podem procurar tratamento. Uma pessoa com medo de voar pode se tornar francamente fóbica quando obrigada a fazê-lo por razões profissionais. Portanto, normalmente são necessárias pressões externas para motivar o paciente a procurar tratamento. Pessoas com mais de uma fobia específica, e ataques de pânico em resposta ao estímulo fóbico são mais propensas a procurar tratamento do que aquelas com uma fobia única e ansiedade menos intensa. Ansiedade intensa, estímulo familiar, e campanhas de esclarecimento ajudam as pessoas como, insetos, alturas, sangue transtornos fóbicos a superar a vergonha e a procurar tratamento.
Para investigar a fobia social, deve-se pesquisar a ocorrência de medo ou desconforto em situações como falar em público ou executar tarefas diante de outras pessoas.
Para investigar as fobias específicas, deve-se perguntar sobre medo de animais, insetos, alturas, sangue, espaços fechados ou outras situações.
Pessoas acometidas de fobia social se tornam temerosas de situações nas quais estejam expostas à observação de outras. Elas tem medo de agir de maneira embaraçosa ou humilhante, ficando visivelmente ansiosas. As situações temidas incluem falar em público, desempenhar alguma atividade em público, como representar ou tocar um instrumento, comer em público e escrever em público, como preencher um cheque ou assinar um recibo de cartão de crédito. Situações de interação social temidas incluem falar ao telefone, falar com estranhos, como para pedir informações, encontro sociais, falar com empregados de estabelecimentos comerciais, ou com autoridades, como agentes policiais.
A exposição à situação temida desencadeia medo e ansiedade excessivos e irracionais, que interferem com o funcionamento social e ocupacional. Muitas pessoas com fobia social evitam promoções, e até mesmo permanecem desempregadas, para evitar episódios de ansiedade ou embaraço. Algumas pessoas tem um medo específico, mas a maioria apresenta mais de uma fobia social. Pessoas com fobia social generalizada temem a maioria das situações sociais. O álcool é usado, às vezes de maneira problemática, para reduzir a ansiedade em situações sociais. Parece haver um padrão familiar para a fobia social.
Embora haja algumas diferenças entre as fobias específicas e a fobia social neste aspecto, os principais diagnósticos diferenciais de ambas são : - transtorno de pânico com agorafobia, depressão, paranóia, transtorno obsessivo compulsivo, transtornos de estresse pós traumático, hipocondria, transtornos alimentares e esquizofrenia.
O transtorno de pânico é diferenciado pela ocorrência de ataques de pânico não ligados a situações, e pelo início dos ataques de pânico precedendo o comportamento de evitação. Pessoas com transtornos depressivos de evitação e ataques de pânico, mas seu comportamento de evitação é decorrente de apatia, perda de interesse no envolvimento social, perda de energia e baixa auto-estima. Pacientes deprimidos tem ainda um cortejo de sintomas típicos de depressão. Pessoas com comportamento de evitação devido a temores infundados de perseguição podem ter esquizofrenia ou transtorno delirante. No transtorno obsessivo – compulsivo o medo e a evitação são dirigidos ao conteúdo do pensamento obsessivo. No transtorno de estresse pós - traumático o medo e o comportamento de evitação se desenvolvem em resposta a um estressor significativo. A hipocondria é caracterizada pela preocupação em relação a doenças. Nos transtornos alimentares, os pacientes podem exibir características fóbicas ou obsessivo – compulsivas, porém o foco dos sintomas está sobre a imagem corporal distorcida e o comportamento alimentar.
O tratamento medicamentoso das fobias específicas e da fobia social visa a reduzir a ansiedade antecipatória, o comportamento de evitação e a ansiedade durante a exposição aos estímulos fóbicos.
Os padrões de comportamento ansiosos são aprendidos.
A terapia cognitiva comportamental pode ser utilizada para modificar estes padrões de comportamento, sendo útil no tratamento das fobias. A maioria das pessoas com fobias sociais ou específicas não recebem tratamento. Alguns tem sucesso evitando os estímulos fóbicos, mas pagam o preço pelas limitações. Outros desafiam o estímulo fóbico e superam a fobia através da exposição. Se o paciente não recebe tratamento que proporcione melhora, o sentimento de desmoralização secundário às limitações impostas pela doença pode levar à depressão.
Principais sintomas da esquizofrenia
É uma das doenças mais severas.
Começa na adolescência ou início da vida adulta.
Afeta emoção, personalidade e pensamento.
Tem sintomas variáveis e de longa duração.
É uma doença crônica e incapacitante.
Leva à deterioração social e ocupacional.
0,5% a 1% da população sofre de esquizofrenia.
10% é a taxa de suicídio entre pacientes com a doença.
Sintomas positivos
distorções ou exageros de funções normais.
Alucinações auditivas
(alteração na percepção)
A pessoa ouve vozes que dão ordens, xingam ou que falam entre si,em geral, tecendo comentários sobre a própria pessoa.
Podem existir outras modalidades de alucinação visual, tatil ou olfativa.
Discurso desconexo
(alteração do pensamento)
A pessoa diz frases sem sentido, com idéias pouco associadas.
Ruptura na linguagem e na comunicação, refletindo uma desorganização do pensamento.
Delírios
(distorções na interpretação de informações)
A pessoa acredita, por exemplo, que esta sendo perseguida e passa a desconfiar de todos
Os delírios podem ter fundo de :- perseguição, inveja, ciúmes, megalomanias ou ideias religiosas.
Sensação de “controle” pode aparecer : o pensamento ou as ações estão sendo “comandados” por outras pessoas.
Comportamentos extravagantes
(ruptura no controle motor e comportamental)
A pessoa, por exemplo, passa a olhar fixamente para o sol porque acredita que esta recebendo energia para sobreviver às perseguições.
agressividade, catatonia, resistência e outras inadequações de comportamento podem surgir.
Sintomas negativos
perda ou diminuição de funções existentes
Apatia marcante
(prejuizo da “vontade”)
A pessoa pode passar vários dias em casa sem fazer nada e pode demorar um tempo muito grande para tomar uma decisão banal.
Incapacidade de iniciar ou persistir na busca de um objetivo.
Anedonia
(comprometimento da capacidade de sentir prazer ou interesse)
A pessoa evita a interação social e demonstra pouco interesse em atividades que antes eram prazerosas.
Prejuizo na capacidade da pessoa de levar uma vida cotidiana normal.
Discurso pobre
(“empobrecimento”da fala e do pensamento)
A pessoa fala menos, diz frases desconexas e com pouco significado.
Capacidade de comunicação precária e grande dificuldade em enfrentar escolas ou trabalhar.
Embotamento afetivo
(diminuição na habilidade de se expressar emocionalmente)
A pessoa comunica seu afeto de maneira precária e distante.
Contatos familiares e sociais prejudicados e grande barreira para estabelecimento de um contato mais íntimo.
É uma das doenças mais severas.
Começa na adolescência ou início da vida adulta.
Afeta emoção, personalidade e pensamento.
Tem sintomas variáveis e de longa duração.
É uma doença crônica e incapacitante.
Leva à deterioração social e ocupacional.
0,5% a 1% da população sofre de esquizofrenia.
10% é a taxa de suicídio entre pacientes com a doença.
Sintomas positivos
distorções ou exageros de funções normais.
Alucinações auditivas
(alteração na percepção)
A pessoa ouve vozes que dão ordens, xingam ou que falam entre si,em geral, tecendo comentários sobre a própria pessoa.
Podem existir outras modalidades de alucinação visual, tatil ou olfativa.
Discurso desconexo
(alteração do pensamento)
A pessoa diz frases sem sentido, com idéias pouco associadas.
Ruptura na linguagem e na comunicação, refletindo uma desorganização do pensamento.
Delírios
(distorções na interpretação de informações)
A pessoa acredita, por exemplo, que esta sendo perseguida e passa a desconfiar de todos
Os delírios podem ter fundo de :- perseguição, inveja, ciúmes, megalomanias ou ideias religiosas.
Sensação de “controle” pode aparecer : o pensamento ou as ações estão sendo “comandados” por outras pessoas.
Comportamentos extravagantes
(ruptura no controle motor e comportamental)
A pessoa, por exemplo, passa a olhar fixamente para o sol porque acredita que esta recebendo energia para sobreviver às perseguições.
agressividade, catatonia, resistência e outras inadequações de comportamento podem surgir.
Sintomas negativos
perda ou diminuição de funções existentes
Apatia marcante
(prejuizo da “vontade”)
A pessoa pode passar vários dias em casa sem fazer nada e pode demorar um tempo muito grande para tomar uma decisão banal.
Incapacidade de iniciar ou persistir na busca de um objetivo.
Anedonia
(comprometimento da capacidade de sentir prazer ou interesse)
A pessoa evita a interação social e demonstra pouco interesse em atividades que antes eram prazerosas.
Prejuizo na capacidade da pessoa de levar uma vida cotidiana normal.
Discurso pobre
(“empobrecimento”da fala e do pensamento)
A pessoa fala menos, diz frases desconexas e com pouco significado.
Capacidade de comunicação precária e grande dificuldade em enfrentar escolas ou trabalhar.
Embotamento afetivo
(diminuição na habilidade de se expressar emocionalmente)
A pessoa comunica seu afeto de maneira precária e distante.
Contatos familiares e sociais prejudicados e grande barreira para estabelecimento de um contato mais íntimo.
O ABORTO E A PSICOLOGIA FETAL
Prof Dr Nubor Orlando Facure
Tem-se tornado comum a leitura na imprensa, de opiniões de médicos defendendo com equívocos a “normalização” do aborto. Colocam-se em defesa da mulher, de suas prerrogativas sociais e de seus direitos à saúde, dignas do reconhecimento de todos nós. Porém, parecem ignorar totalmente que a maior vítima do aborto será sempre a criança que está por nascer.
Numa análise superficial da evolução recente da Medicina, podemos notar uma seqüência de contribuições importantíssimas ocorridas na área da contracepção, para poder dispor a própria mulher da opção de engravidar ou não. Do ponto de vista social, a evolução foi também notória. O nível de informação da menina-moça de hoje é quase completo e desinibido.
Reduziram-se as pressões sociais contra a mulher solteira que engravida e as relações sociais que regem o “convívio afetivo” entre pessoas que se afeiçoam, estão cada vez mais liberais e criativas.
O caminho a percorrer, tanto na área Médica como Social, ainda deverá ser longo, até que toda questão da gravidez “não esperada” seja resolvida. Ainda teremos que redigir o “Estatuto da Criança que está por nascer” e a sociedade deverá compartilhar com a mulher-mãe, o compromisso da vida de maneira solidária.
Venho nos últimos anos estudando o “Complexo Cérebro-mente” procurando identificar como se processa esta relação entre os fenômenos físicos e sua transformação em respostas ou percepções psicológicas. Parece muito claro que o cérebro, por si só, não é capaz de justificar toda capacidade de Mente Humana e o conhecimento científico é muito limitado para alcançar as razões filosóficas da natureza humana e do seu destino.
Tenho uma visão espiritualista que me permite identificar a Mente como uma entidade corporificada que instrumentaliza o cérebro para se inserir na realidade física em que vivemos. A Mente Humana tem se aprimorado dentro do mesmo processo que forçou, pela seleção natural, a evolução das formas físicas dos organismos que vivificam o nosso mundo biológico.
Na semiologia neuropsicológica, freqüentemente se confunde a Mente com os nossos processos psicológicos, parecendo que estes às vezes são a causa e não o efeito.
A instrumentação neurológica de hoje só nos permite identificar os fenômenos psíquicos através da semiologia grosseira de estímulo-resposta, provocando reações através do cérebro. Ainda falta muito para aprendermos a avaliar, por exemplo, o conteúdo da consciência, a extensão dos fenômenos intuitivos e o grau superlativo das nossas percepções interiores.
Para Freud, o “Aparelho Psíquico” de cada um de nós, começa a se estruturar apenas após o nascimento através da atividade motora. O gesto da criança que toca o seio materno vai lhe inspirando segurança e, com os movimentos do corpo, ela vai se relacionando com o mundo exterior. A partir daí passa a fazer identificações e expor suas inclinações.
A Neuropsicologia de hoje está, no entanto, antecipando cada vez mais o aparecimento de expressões do Psiquismo no ser humano. Bem antes do nascimento, as manifestações de vivência agradáveis ou não da mãe, já imprimem na mente da criança que vai nascer, reações que logo após o parto podem ser semiologicamente confirmadas.
Análises com figuras ou retratos mostrando, por exemplo, o rosto da mãe, podem ser estímulos eficazes para o recém nascido que, se supõe, pode até distinguir um rosto com um sorriso de outro que expressa seriedade. Estímulos sonoros correspondentes à voz humana também podem ser discriminados pelo recém nascido, especialmente quando se trata da voz da sua própria mãe. Nos congressos de neuropediatria já estão incluídos em sua temática a apresentação de trabalhos sobre o Psiquismo Fetal. Esta é uma área tão intrigante como foram as revelações sobre o Inconsciente após os estudos de Freud. Antes dele ninguém podia suspeitar de uma ligação materno-infantil tão fortemente ligada à sexualidade, nem se poderia compreender as paixões que o Complexo de Édipo esclareceu. É claro que continuamos com perguntas fundamentais aguardando novas revelações.
Qual é a essência do “Psiquismo Fetal”, quando ele se inicia e qual a sua interdependência com os pais.
Parece que estão certos os orientais que começam a contar a idade de suas crianças pela data da concepção.
A confirmação de um “Psiquismo Fetal”, intimamente ligado ao “Psiquismo Materno”, implica mais um motivo para nossa meditação quando falamos de aborto.
Instituto do Cérebro
Rua Padre Vieira 1093
Fone 019-32362383
019-32349120
Cep 13015-301
Campinas -SP
Prof Dr Nubor Orlando Facure
Tem-se tornado comum a leitura na imprensa, de opiniões de médicos defendendo com equívocos a “normalização” do aborto. Colocam-se em defesa da mulher, de suas prerrogativas sociais e de seus direitos à saúde, dignas do reconhecimento de todos nós. Porém, parecem ignorar totalmente que a maior vítima do aborto será sempre a criança que está por nascer.
Numa análise superficial da evolução recente da Medicina, podemos notar uma seqüência de contribuições importantíssimas ocorridas na área da contracepção, para poder dispor a própria mulher da opção de engravidar ou não. Do ponto de vista social, a evolução foi também notória. O nível de informação da menina-moça de hoje é quase completo e desinibido.
Reduziram-se as pressões sociais contra a mulher solteira que engravida e as relações sociais que regem o “convívio afetivo” entre pessoas que se afeiçoam, estão cada vez mais liberais e criativas.
O caminho a percorrer, tanto na área Médica como Social, ainda deverá ser longo, até que toda questão da gravidez “não esperada” seja resolvida. Ainda teremos que redigir o “Estatuto da Criança que está por nascer” e a sociedade deverá compartilhar com a mulher-mãe, o compromisso da vida de maneira solidária.
Venho nos últimos anos estudando o “Complexo Cérebro-mente” procurando identificar como se processa esta relação entre os fenômenos físicos e sua transformação em respostas ou percepções psicológicas. Parece muito claro que o cérebro, por si só, não é capaz de justificar toda capacidade de Mente Humana e o conhecimento científico é muito limitado para alcançar as razões filosóficas da natureza humana e do seu destino.
Tenho uma visão espiritualista que me permite identificar a Mente como uma entidade corporificada que instrumentaliza o cérebro para se inserir na realidade física em que vivemos. A Mente Humana tem se aprimorado dentro do mesmo processo que forçou, pela seleção natural, a evolução das formas físicas dos organismos que vivificam o nosso mundo biológico.
Na semiologia neuropsicológica, freqüentemente se confunde a Mente com os nossos processos psicológicos, parecendo que estes às vezes são a causa e não o efeito.
A instrumentação neurológica de hoje só nos permite identificar os fenômenos psíquicos através da semiologia grosseira de estímulo-resposta, provocando reações através do cérebro. Ainda falta muito para aprendermos a avaliar, por exemplo, o conteúdo da consciência, a extensão dos fenômenos intuitivos e o grau superlativo das nossas percepções interiores.
Para Freud, o “Aparelho Psíquico” de cada um de nós, começa a se estruturar apenas após o nascimento através da atividade motora. O gesto da criança que toca o seio materno vai lhe inspirando segurança e, com os movimentos do corpo, ela vai se relacionando com o mundo exterior. A partir daí passa a fazer identificações e expor suas inclinações.
A Neuropsicologia de hoje está, no entanto, antecipando cada vez mais o aparecimento de expressões do Psiquismo no ser humano. Bem antes do nascimento, as manifestações de vivência agradáveis ou não da mãe, já imprimem na mente da criança que vai nascer, reações que logo após o parto podem ser semiologicamente confirmadas.
Análises com figuras ou retratos mostrando, por exemplo, o rosto da mãe, podem ser estímulos eficazes para o recém nascido que, se supõe, pode até distinguir um rosto com um sorriso de outro que expressa seriedade. Estímulos sonoros correspondentes à voz humana também podem ser discriminados pelo recém nascido, especialmente quando se trata da voz da sua própria mãe. Nos congressos de neuropediatria já estão incluídos em sua temática a apresentação de trabalhos sobre o Psiquismo Fetal. Esta é uma área tão intrigante como foram as revelações sobre o Inconsciente após os estudos de Freud. Antes dele ninguém podia suspeitar de uma ligação materno-infantil tão fortemente ligada à sexualidade, nem se poderia compreender as paixões que o Complexo de Édipo esclareceu. É claro que continuamos com perguntas fundamentais aguardando novas revelações.
Qual é a essência do “Psiquismo Fetal”, quando ele se inicia e qual a sua interdependência com os pais.
Parece que estão certos os orientais que começam a contar a idade de suas crianças pela data da concepção.
A confirmação de um “Psiquismo Fetal”, intimamente ligado ao “Psiquismo Materno”, implica mais um motivo para nossa meditação quando falamos de aborto.
Instituto do Cérebro
Rua Padre Vieira 1093
Fone 019-32362383
019-32349120
Cep 13015-301
Campinas -SP
PARADÍGMAS ESPÍRITAS NA PRÁTICA MÉDICA
Prof. Dr Nubor Orlando Facure
Introdução
O conhecimento e a prática médica na atualidade estão fundamentados em postulados típicos daquilo que costuma ser chamado nos dias de hoje de conhecimento científico. Com este “Status” de Ciência, a medicina usufrui das vantagens de um atributo metodológico para confirmação das suas hipóteses e formulação das suas teorias. Esta mesma base exclusivamente científica, restringe, no entanto, sua capacidade de responder questões vitais para o ser humano, além de a tornar, tão vulnerável e transitória, como tem sido todo conhecimento científico na história da humanidade.
Enquanto corre atrás de respostas complexas usando equipamentos sofisticados para desvendar a intimidade da biologia molecular, a Medicina de hoje deixa ainda sem respostas questões básicas como a natureza e o sentido da vida.
Inúmeras vezes na história da medicina a explicação racional para determinadas situações de doença só puderam ser compreendidas quando se estabeleceram novos paradigmas para sua interpretação. Enquanto não foi descoberto a existência das células, não compreendemos o funcionamento dos órgãos, enquanto não identificamos o inconsciente, não reconhecemos os mecanismos que operam a mente.
No que se refere ao ser humano integral, o espiritismo tem condições de revelar paradigmas fundamentais para uma revolução no conhecimento médico.
Esta doutrina deixa claro que a origem e a justiça do sofrimento humano só serão reconhecidos, por inteiro, quando aceitarmos nossa natureza espiritual como a única forma possível de dar sentido a vida e justificar nosso destino.
OS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS
Codificada por ALLAN KARDEC na segunda metade do século passado, a Doutrina Espírita expõe uma série de postulados não dogmáticos ditados por espíritos evoluídos que se utilizaram de médiuns de diversas partes da Europa, principalmente da França. Allan Kardec organizou de forma didática e sistemática estes ditados mediúnicos formando um conjunto de obras tidas como básicas para o estudo da Doutrina Espírita.
Dentre elas, a primeira e mais destacada é O Livro dos Espíritos que, na forma de perguntas e respostas, expõe toda sua base doutrinária. Considerando a área médica em particular, a literatura espírita, posterior a Allan Kardec, foi enriquecida de forma extraordinária com as publicações mediúnicas do espírito André Luiz através da psicografia de Francisco Candido Xavier.
Focalizando as obras de Kardec e André Luiz podemos anotar que a doutrina espírita estabelece postulados fundamentais cuja orientação doutrinária tem repercussões significativas na área médica.
Ensinam os espíritos que somos seres imortais, criados por Deus, sujeitos, como todos os seres da natureza, a um processo evolutivo que visa o progresso incessante de todas as criaturas, sem exceção e sem retrocesso, que se fundamenta nas leis de reencarnação.
A reencarnação, no estágio evolutivo em que nos encontramos, ocorre sempre na espécie humana, em qualquer sexo ou raça.
O nascimento não representa o início da vida, nem a morte o seu fim. Tanto o nascimento como a morte física obedecem a desígnios de objetivos superiores visando o aprimoramento contínuo, segundo critérios da mais absoluta justiça.
Prevalece para todos a lei universal de ação e reação de modo inflexível e infalível.
A natureza física do corpo é para o ser humano apenas uma de suas expressões. O corpo físico nos permite interagir no ambiente material onde estamos inseridos. Cada um de nós, no entanto, é uma entidade espiritual organizada e independente, que sobrevive a morte e que se aperfeiçoa nos diversos corpos físicos que vai tendo oportunidade de utilizar com as reencarnações.
A união do corpo físico, carnal, com o espírito, que é sempre o senhor de nossas ações, se processa através de um organismo intermediário de constituição “semimaterial” chamado perispírito ou corpo espiritual.
Nas propriedades deste corpo intermediário ( perispírito ) se justifica toda uma série de fenômenos de intercâmbio entre nós e o mundo espiritual e nos apontam para uma linha de pesquisa fundamental para o esclarecimento das doenças humanas.
São chamados de fenômenos mediúnicos certas manifestação de efeitos físicos ou intelectuais que os espíritos desencarnados provocam através de pessoas dotadas de condições especiais, por isto denominados de médiuns. O corpo espiritual destes médiuns ampliam sensibilidades específicas para possibilitar este tipo de manifestação.
Os espíritos desencarnados habitam o mundo espiritual que, de certa forma, nos envolve , expandindo porém em dimensões inacessíveis as nossas limitações materiais. No mundo espiritual, conservamos o perispírito que, na dependência da nossa conveniência, repete a aparência do corpo físico que possuímos quando encarnados.
Os espíritos convivem constantemente conosco, atuando sobre nossos procedimentos, tanto física como moralmente, através de sugestões. Eles mantém uma atuação direta sobre nós, na dependência da nossa aceitação e assimilação, conforme princípios de sintonia e afinidade. No mundo espiritual prevalece também, para a afinidade e a convivência entre os espíritos, os mesmos princípios segundo o qual, o que aproxima ou afasta os espíritos entre si, é o padrão vibratório ( mental ) que depende do grau de evolução espiritual de cada um. Para cada estágio evolutivo corresponde determinado padrão de vibração mental que, por sintonia, aproxima espíritos de padrão vibratório semelhante.
Há em todo Universo um elemento fundamental denominado de Fluído Cósmico Universal de onde se originam todos os elementos tanto do mundo material como do mundo espiritual. Uma vez criadas as condições físicas adequadas, a matéria orgânica preparada na Terra, recebeu o Princípio Vital que possibilitou o desenvolvimento da vida no planeta. O Principio Vital foi se expandindo em cada ser vivo à medida em que os organismos iam se aprimorando sob os efeitos de seleção que a evolução exigia.
Ao mesmo tempo, o elemento espiritual primordial, foi adquirindo complexidade até o desabrochar da consciência e da inteligência que permitiram a incursão da espécie humana na Terra.
A energia emanante do espírito é o pensamento. Como fonte plasmadoura de idéias, o pensamento, é capaz de agregar elementos do Fluído Cósmico, construindo um material “idealizado” que constroe o ambiente espiritual em torno de nós.
As imagens mentais produzidas pelo pensamento de toda humanidade cria, em torno do planeta, uma atmosfera espiritual condizente com o teor destes pensamentos.
DISCUSSÃO
Sem a pretensão de ter esgotado os enunciados da doutrina espírita, podemos nos ater apenas aos que enumeramos para deduzir uma seqüência extensa de informações inovadoras para a ciência médica. Paradigmas fundamentais como a descoberta do mundo microbiano, ( Pasteur ) da circulação do sangue, ( Harvey ), da homeostase, ( Claude Bernard ), da psicodinâmica do inconsciente, ( Freud ), da seleção natural ( Darwim ), promovendo as transformações evolutivas dos organismos, trouxeram com suas teorias mudanças na interpretação dos fatos. A cada nova ordem de conhecimento que cada um destes paradigmas introduzia, ocorreram mudanças de atitudes nos procedimentos médicos.
Nenhum destes paradigmas, nem qualquer outro que possamos citar, teve a pretensão de revelar uma verdade acabada e sem contestações.
Os paradigmas espíritas estão dentro desta mesma ordem de propósitos. Trata-se de um conhecimento inovador, que esclarece razões fundamentais para a doença e o sofrimento e vai modificar substancialmente nossas atitudes diante dos doentes. Entretanto, esta nova interpretação para os acontecimentos, não suprime o esforço da pesquisa nem a experiência que se conquista com o trabalho perseverante. Os postulados espíritas não se propõem, por exemplo, para a busca de um suposto agente etiológico para uma moléstia cuja causa atual é desconhecida. O que o conhecimento espírita introduz, de forma racional e passível de comprovação experimental, é o elemento espiritual na essência fundamental de todo acontecimento relacionado com a vida na Terra.
CORPO ESPIRITUAL OU PERISPÍRITO
A literatura espírita registra três elementos fundamentais na constituição do ser humano. O espírito, nosso eu inteligente, dotado de competência para criar as idéias e manter a unidade do organismo. O corpo físico, estruturado a partir do aglomerado celular que o compõe e que sustenta seu estado de vitalidade às custas do Princípio Vital que emana do Criador. O perispírito , um organismo intermediário que possibilita a atuação no corpo físico, da energia que emana do espírito.
Após a morte, o espírito desencarnado continua dispondo do perispírito para sua apresentação. Embora tenha fundamentalmente a mesma natureza, há diferenças na disposição orgânica do perispírito do homem enquanto encarnado e do espírito no mundo espiritual. O perispírito tem natureza coloidal que lhe faculta propriedades eletromagnéticas sutilmente sensíveis à energia mental emitida pelo espírito que o controla. A ligação entre o perispírito e o corpo físico se processa na intimidade das ligações de partículas subatômicas ao nível das quais não se distingue os limites precisos onde termina o corpo físico e onde se inicia o corpo espiritual. A natureza do perispírito é dita “semimaterial”, pela falta de terminologia mais adequada e não difere dos mesmos elementos fundamentais que organizam nosso mundo físico. A diferença em comprimentos de ondas em que se expressa a “matéria física” e a “matéria espiritual” é que as expõe em “realidades” diferentes. O corpo espiritual exerce um papel plasmador e estruturador da forma física que o corpo humano assume durante a vida. Pelo conhecimento espírita sabemos que as mudanças evolutivas que foram transformando os organismos vivos na Terra, foram programadas e articuladas primordialmente, nos corpos espirituais, antes de se processarem por conseqüência inevitável, nos organismos que a biologia terrena desenvolveu.
Através da força que a vibração mental impõe ao perispírito, este pode sofrer modificações quanto à forma e a aparência. Espíritos elevados tem o mais amplo domínio sobre seus perispíritos, enobrecendo sua aparência e, irradiando através deles, uma luminosidade extraordinária.
Por outro lado, tanto o homem comum, como os espíritos de mediana evolução, mostram em seus corpos espirituais, expressões e formas que denunciam sua pobreza de pensamentos. Quase sempre, por persistirmos em vibrações mentais de conteúdo vulgar e de franca animosidade, estamos todos enegrecidos por irradiações de baixo nível espiritual.
Prevalece no perispírito do homem encarnado a mesma composição celular e disposição dos órgãos físicos. Enquanto o corpo humano atua como um fator limitante da expressão plena do potencial espiritual de cada um, o perispírito, registra e acumula toda experiência de nossas múltiplas encarnações, além de dispor de forma expandida, de todas as percepções da alma. Sabemos que o espírito, através do corpo espiritual, pode ver, sentir ou ouvir com as mãos ou com qualquer outra parte do corpo.
Outra propriedade fundamental do corpo espiritual se relaciona com os fenômenos mediúnicos. A atuação da entidade comunicante através do médium exige uma combinação dos fluídos do perispírito de ambos.
A maior fidelidade das mensagens está ligada com a maior afinidade entre os fluídos do médium e do espírito comunicante. Sendo o perispírito constituído de “matéria” radiante, extremamente sensível às vibrações mentais, o processo de comunicação entre os médiuns e os espíritos que com eles se familiarizam , depende muito desta sintonia em comprimento de ondas, que se ajustam entre os dois corpos espirituais que se aproximam.
Nos fenômenos de efeitos físicos em que ocorre o transporte de objetos materiais de um ambiente para outro, dizem os espíritos, que, o objeto transportado, fica como que, “animado” de vida, por efeito do seu envolvimento com os fluídos do perispírito do médium e do espírito que se presta a fazer este tipo de fenômeno.
Pode-se concluir que, a combinação dos fluídos do corpo espiritual é capaz de mudar a natureza dos elementos que compõe a matéria física que conhecemos. É bem provável que este processo também ocorra por modificações no comprimento de onda pelos quais se expressam os átomos que conhecemos.
MATÉRIA MENTAL E AS LEIS DE SINTONIA
A vida é a expressão de um fenômeno espiritual. Enquanto a mente, é o espírito que interpretando sensações cria as idéias e as emoções que através do pensamento exteriorizam nossos desejos.
O Fluído Cósmico serve de substrato ao pensamento que se projeta como energia expressa em partículas de comprimentos de ondas variados. Nossos pensamentos criam em torno de nós um ambiente psíquico onde estão “esculpidas” as imagens mentais que idealizamos com mais persistência. Portanto, cada um de nós convive “materialmente” com suas próprias idéias. Somos de certa forma “escravos” de nossos próprios desejos. Cultivar ódio ou amor por alguém significa também conviver psiquicamente com o personagem que construímos em nossa psicosfera para odiar ou amar. As projeções das nossas vibrações mentais estão sintonizadas em pelo menos três níveis de emissão mais ou menos hierarquizados conforme o cumprimento de onda em que ressoa nossos pensamentos. Por processos de automatismos e condicionamentos herdados, temos aptidão para emissão de pensamentos controladores das funções básicas do organismo, responsáveis pela nossa sobrevivência. Numa outra hierarquia de fenômenos, nossas emissões mentais mantém nossa consciência desperta e interagindo com o ambiente exterior em que estamos inseridos.E, finalmente em condições especiais podemos emitir pensamentos com comprimento de ondas ultracurtas, expandindo nossa capacidade de comunicação mental, atingido as dimensões espirituais mais nobres.A afinidade que atrai ou repele qualquer criatura que se aproxime de nós vai depender essencialmente do teor das vibrações mentais que emitimos. Os comprimentos de ondas mentais se ajustam ou criam ressonância conforme a sintonia que se estabelece entre elas. Ao criarmos uma idéia e projetarmos as ondas mentais pertinentes a um determinado tema, estamos estabelecendo sintonia com todos os indivíduos, encarnados ou não, que mentalizarem conosco o mesmo assunto. A convivência entre as pessoas tende as induzir a pensarem e aceitarem os mesmos princípios.
Freqüentemente somos vítimas de sugestões mentalizadas por nós ou induzidas pelos outros que produzem figuras mentais que se organizam em torno de nossa psicosfera. A imagem que passamos a fazer do mundo fica ligada então, a estas formas-mentais que induzem sistematicamente nossos comportamentos.
O empenho em assimilar um aprendizado novo, implica em sintonizar e desenvolver compreensão adequada para aceitação das sugestões propostas pela idéia nova.
Por outro lado, todos os desejos e vontades que buscamos ardentemente com insistência,nos escravizam com imagens que podem nos condicionar a comportamentos obsessivos.
As idéias que combatemos com veemência, por que nos incomodam ou nos martirizam, acabam por persistirem em nós porque, de certa forma, estamos aceitando inconscientemente o seu conteúdo e de alguma forma nos sintonizando com seus emissores.
DILEMA CÉREBRO-MENTE
A visão materialista da Ciência de hoje não tem alcance suficiente para explicar a origem do pensamento. Não há como justificar através de circuitos neuronais nossa capacidade de aprender e criar idéias novas. A partir dos estímulos neurais como a visão ou o tato, não se compreende como o cérebro, recebendo sensações físicas é capaz de gerar percepções, criar interpretações ou processar julgamentos. São funções psíquicas extremamentes complexas para as quais a fisiologia cerebral é insuficiente para justificar.
No processo evolutivo em que os organismos vivos foram se aprimorando ocorreram mudanças morfológicas e funcionais que pressupunham a sobrevivência dos mais aptos. Sem aceitarmos a existência do espírito fica muito difícil compreender como a mente, participando deste processo evolutivo, foi se aprimorando em todas as criaturas até atingir o estágio de humanização da consciência. Todo cientista, no entanto, é forçado a acreditar que foi a partir de reflexos simples da vida unicelular que se atingiu o discernimento e a inteligência.
Com uma visão espiritualista, a mente deixa de ser uma expressão sintetizada pela atividade cerebral para se apresentar como uma entidade que organiza a vida, que sobrevive à morte e que acumula conhecimento a medida em que repete as experiências de novas vidas.
A partir dos reflexos desenvolvemos automatismos e instintos. Com a capacidade de tomar decisões adquirimos o discernimento. Pela experiência, selecionando caminhos, aprendemos a raciocinar. O raciocínio e o julgamento desenvolveram a inteligência. O pensamento fragmentário dos animais deu origem ao pensamento contínuo do ser humano. A consciência tomou conhecimento do eu, do mundo exterior e de seu significado. Já temos a consciência temporal que nos permite situar os acontecimentos do presente, rememorar o passado e antever o futuro. Falta-nos conquistar a consciência da espiritualidade que nos envolve. A percepção de espaço-tempo registrada pelos nossos sentidos, se limita, no momento, às três dimensões que nos cercam. O aprimoramento espiritual deve nos reservar para o futuro a consciência contínua e a consciência expandida a outras dimensões.
FENÔMENO FÍSICO E O FENÔMENO PSICOLÓGICO
O cérebro é capaz de registrar milhões de informações em curtíssimo espaço de tempo. Ondas luminosas atravessam o olho e alcançam o lobo occipital, as auditivas ativam os lobos temporais e ao tocar um objeto registramos suas propriedades nos lobos parietais. Cada uma destas sensações não se limitam a provocar percepções de luz, de sons ou de objetos. Para cada uma delas o cérebro promove interpretações e julgamentos “criando” imagens que passam a ser representações das sensações percebidas.
A todo instante estamos “sonhando” com imagens que tem para cada um de nós o significado da realidade. Nossa grande dificuldade é explicar como e quando um fenômeno físico se processa em fenômeno psicológico.
A nível de circuitos neuronais há muito pouco que justifique este dilema. Admitindo a existência do espírito como fonte emissora da energia que faz fluir nossos pensamentos podemos deduzir que todo fenômeno psicológico é de natureza espiritual. As sensações projetadas pelo mundo físico onde estamos inseridos devem atingir o espírito onde se processa todo fenômeno de interpretação e reconhecimento. A segunda questão é compreender como a energia emanada do espírito alcança o cérebro físico constituído de matéria densa e, como os estímulos que sensibilizam o cérebro podem ser registrados pelo espírito que pertence a outra dimensão.
Esclarece a doutrina espírita que, o elemento transdutor ou transformador das sensações física é o corpo espiritual que, como vimos, participa da nossa natureza material em diferentes comprimentos de ondas susceptíveis a ação direta da mente.
Allan Kardec estudando a importância do corpo espiritual, já chamava a atenção de que o conhecimento de suas propriedades deverá trazer esclarecimentos fundamentais para a Medicina.
Podemos conjeturar que, sendo o corpo espiritual constituído de elementos mais sutis que o corpo físico, sua capacidade para armazenar e transmitir informações mentais deve estar fundamentada em redes de circuito eletromagnético, que se espraiam por todo perispírito, sem necessidade da intermediação química como a que se processa “morosamente” no cérebro físico entre redes mentais e seus neurotransmissores.
DOENÇAS ESPIRITUAIS
A Medicina compreende como doença as pertubações no bem estar físico, psíquico e social do ser humano. A tendência atual é de se aceitar uma interação constante entre estes três aspectos. Qualquer doença de expressão física desencadeia repercussões psicológicas ou psicossociais e, as perturbações psíquicas ou sociais se consolidam em quadros psicossomáticos.
Admitindo-se porém, o pressuposto da nossa natureza espiritual e, que todo processo psíquico em sua essência é uma atividade da alma, pode-se conjeturar a existência das doenças espirituais. Esta hipótese se fundamenta em postulados que já adiantamos no início deste trabalho.
Numa tentativa de classificação, podemos separar as doenças espirituais dentro da seguinte ordem :
Desequilíbrios vibratórios
Lesões cármicas do corpo espiritual,
Vampirismo,
Obsessão
Mediunismo.
Desequilíbrios vibratórios
Os desequilíbrios vibratórios consistem numa perturbação na dinâmica da interação entre o corpo físico e o corpo espiritual. Sabemos que o perispírito não ocupa o nosso corpo como se vestisse uma roupa. Ele interage com o corpo físico por ligação eletromagnética promovendo uma transição sutil entre um corpo e o outro. Esta junção entre os dois corpos permite variações na “aderência” entre um corpo e o outro. Esta ligação é mais “solta” na criança, nos idosos e na maioria dos médiuns.
Esta possibilidade de maior “desprendimento” do corpo espiritual é que possibilita toda a série de fenômenos mediúnicos.
Num mesmo indivíduo, a interação entre seu corpo físico e o perispírito, aumenta ou diminui nas horas de sono ou de meditação, nos momentos de tensão ou ansiedade e sob o efeito de certos medicamentos e alimentos.
O processo de doença espiritual, que classificamos como desequilíbrio vibratório, se estabelece, por efeito do nosso descontrole emocional, quando damos lugar em nossos pensamentos, ao ódio, a cólera, a agressividade, ao mau humor, ao desespero, a ociosidade, a maledicência permitindo com isto, uma desincronização entre o perispírito e o corpo físico. Habitualmente, esta situação provoca em todos nós, uma sensação de mal estar e indisposição que atribuímos freqüentemente a insucessos ou situações de animosidade vivenciadas no nosso dia a dia. Cabe aqui a recomendação de lembrarmos da vigilância permanente em relação aos nossos comportamentos e as nossas atitudes cotidianas.
LESÕES CÁRMICAS DO CORPO ESPIRITUAL
Quadros extremamente freqüentes de cardiopatias, hidrocefalia, atrofias cerebrais, criptorquidia, deformações uterinas, são possíveis exemplos de doenças que arrastamos por longos anos, penosamente, resgatando e reformando estas lesões.
Antigos desvios como o aborto ou o suicídio, provocados por nós mesmos em vidas anteriores, deixam marcas permanentes em nosso perispírito. Estes sinais nos acompanham no mundo espiritual e cada um de nós, com os compromissos agravados, busca uma nova encarnação, onde num corpo lesado, conseguimos o resgate cármico de nossas culpas.
VAMPIRISMO
Ocorre por desvios de conduta do comportamento humano quando nos permitimos enveredar pelo vício das drogas, dos tóxicos, do álcool, dos desvios sexuais e de extravagâncias alimentares.
Por criação da própria mente que persistentemente convive com o vício, criam-se, às custas da matéria mental, os “microorganismos mentais” ou “micróbios psíquicos” que passam a “corroer” e infestar o corpo físico sugando suas energias a partir dos centros vitais.
Estes desvio do comportamento humano, atraem pela perversão que promovem, grande número de espíritos que se associam à estes procedimentos viciados, comportando-se como parasitas ou “vampiros” do homem cujas atitudes lhes serve de gozo ou prazer.
As formas microbianas elaboradas pela mente, são construídas às custas da matéria fluídica perispiritual que “vivifica” sua atuação. Mesmo sem ter vida própria são extremamente danosas para o organismo que “vampiriza”.
No momento em que uma decisão sincera faz o homem mudar de conduta e modificar seu conteúdo mental, especialmente quando ele passa a usar a oração e o trabalho como instrumentos de cura, estas formas-imagem perdem sua “vitalidade” e deixam de parasitá-lo.
OBSCESSÃO
Sabemos que cada ser humano, por discórdias promovidas em vidas anteriores, pode ser perturbado por espíritos que se consideram credores de suas vítimas. Estas entidades passam a exercer uma perturbação obsessiva, impondo sofrimento, principalmente, através de doenças mentais ou somatizações as mais complexas possíveis.
Em qualquer ambiente de atendimento psiquiátrico é possível encontrar pacientes com quadros esdrúxulos ou atípicos que as classificações médicas da psiquiatria de hoje se mostra incapaz de identificar. Muitos, senão a maioria destes quadros, estão relacionados com os processos obsessivos que a literatura espírita descreve.
MEDIUNISMO
Na verdade, o “mediunismo” não deveria estar aqui rotulado como doença. Porém sua apresentação, em pessoas não esclarecidas ou não disciplinadas, pode revelar quadros rotulados na medicina humana tradicional como crises de epilepsia, ou crises histéricas. Uma boa orientação num centro espírita pode fazer com segurança a triagem destes quadro
CONCLUSÕES
1- Os paradigmas espíritas esclarecem de forma racional a natureza espiritual do ser humano.
2- Nas propriedades do perispírito se encontram os mecanismos de interação entre o cérebro e a mente.
3- Um grande número de doenças, se não todas, tem seus transtornos
previamente, programados no perispírito.
4- Os paradigmas espíritas sugerem a mudança de conduta, a reforma íntima, a espiritualização do homem como forma de resolver o problema do sofrimento humano.
Instituto do Cérebro
Campinas - SP
Rua Padre Vieira 1093
Fone 019-32362383
019-32349120
Cep 13015-301
Prof. Dr Nubor Orlando Facure
Introdução
O conhecimento e a prática médica na atualidade estão fundamentados em postulados típicos daquilo que costuma ser chamado nos dias de hoje de conhecimento científico. Com este “Status” de Ciência, a medicina usufrui das vantagens de um atributo metodológico para confirmação das suas hipóteses e formulação das suas teorias. Esta mesma base exclusivamente científica, restringe, no entanto, sua capacidade de responder questões vitais para o ser humano, além de a tornar, tão vulnerável e transitória, como tem sido todo conhecimento científico na história da humanidade.
Enquanto corre atrás de respostas complexas usando equipamentos sofisticados para desvendar a intimidade da biologia molecular, a Medicina de hoje deixa ainda sem respostas questões básicas como a natureza e o sentido da vida.
Inúmeras vezes na história da medicina a explicação racional para determinadas situações de doença só puderam ser compreendidas quando se estabeleceram novos paradigmas para sua interpretação. Enquanto não foi descoberto a existência das células, não compreendemos o funcionamento dos órgãos, enquanto não identificamos o inconsciente, não reconhecemos os mecanismos que operam a mente.
No que se refere ao ser humano integral, o espiritismo tem condições de revelar paradigmas fundamentais para uma revolução no conhecimento médico.
Esta doutrina deixa claro que a origem e a justiça do sofrimento humano só serão reconhecidos, por inteiro, quando aceitarmos nossa natureza espiritual como a única forma possível de dar sentido a vida e justificar nosso destino.
OS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS
Codificada por ALLAN KARDEC na segunda metade do século passado, a Doutrina Espírita expõe uma série de postulados não dogmáticos ditados por espíritos evoluídos que se utilizaram de médiuns de diversas partes da Europa, principalmente da França. Allan Kardec organizou de forma didática e sistemática estes ditados mediúnicos formando um conjunto de obras tidas como básicas para o estudo da Doutrina Espírita.
Dentre elas, a primeira e mais destacada é O Livro dos Espíritos que, na forma de perguntas e respostas, expõe toda sua base doutrinária. Considerando a área médica em particular, a literatura espírita, posterior a Allan Kardec, foi enriquecida de forma extraordinária com as publicações mediúnicas do espírito André Luiz através da psicografia de Francisco Candido Xavier.
Focalizando as obras de Kardec e André Luiz podemos anotar que a doutrina espírita estabelece postulados fundamentais cuja orientação doutrinária tem repercussões significativas na área médica.
Ensinam os espíritos que somos seres imortais, criados por Deus, sujeitos, como todos os seres da natureza, a um processo evolutivo que visa o progresso incessante de todas as criaturas, sem exceção e sem retrocesso, que se fundamenta nas leis de reencarnação.
A reencarnação, no estágio evolutivo em que nos encontramos, ocorre sempre na espécie humana, em qualquer sexo ou raça.
O nascimento não representa o início da vida, nem a morte o seu fim. Tanto o nascimento como a morte física obedecem a desígnios de objetivos superiores visando o aprimoramento contínuo, segundo critérios da mais absoluta justiça.
Prevalece para todos a lei universal de ação e reação de modo inflexível e infalível.
A natureza física do corpo é para o ser humano apenas uma de suas expressões. O corpo físico nos permite interagir no ambiente material onde estamos inseridos. Cada um de nós, no entanto, é uma entidade espiritual organizada e independente, que sobrevive a morte e que se aperfeiçoa nos diversos corpos físicos que vai tendo oportunidade de utilizar com as reencarnações.
A união do corpo físico, carnal, com o espírito, que é sempre o senhor de nossas ações, se processa através de um organismo intermediário de constituição “semimaterial” chamado perispírito ou corpo espiritual.
Nas propriedades deste corpo intermediário ( perispírito ) se justifica toda uma série de fenômenos de intercâmbio entre nós e o mundo espiritual e nos apontam para uma linha de pesquisa fundamental para o esclarecimento das doenças humanas.
São chamados de fenômenos mediúnicos certas manifestação de efeitos físicos ou intelectuais que os espíritos desencarnados provocam através de pessoas dotadas de condições especiais, por isto denominados de médiuns. O corpo espiritual destes médiuns ampliam sensibilidades específicas para possibilitar este tipo de manifestação.
Os espíritos desencarnados habitam o mundo espiritual que, de certa forma, nos envolve , expandindo porém em dimensões inacessíveis as nossas limitações materiais. No mundo espiritual, conservamos o perispírito que, na dependência da nossa conveniência, repete a aparência do corpo físico que possuímos quando encarnados.
Os espíritos convivem constantemente conosco, atuando sobre nossos procedimentos, tanto física como moralmente, através de sugestões. Eles mantém uma atuação direta sobre nós, na dependência da nossa aceitação e assimilação, conforme princípios de sintonia e afinidade. No mundo espiritual prevalece também, para a afinidade e a convivência entre os espíritos, os mesmos princípios segundo o qual, o que aproxima ou afasta os espíritos entre si, é o padrão vibratório ( mental ) que depende do grau de evolução espiritual de cada um. Para cada estágio evolutivo corresponde determinado padrão de vibração mental que, por sintonia, aproxima espíritos de padrão vibratório semelhante.
Há em todo Universo um elemento fundamental denominado de Fluído Cósmico Universal de onde se originam todos os elementos tanto do mundo material como do mundo espiritual. Uma vez criadas as condições físicas adequadas, a matéria orgânica preparada na Terra, recebeu o Princípio Vital que possibilitou o desenvolvimento da vida no planeta. O Principio Vital foi se expandindo em cada ser vivo à medida em que os organismos iam se aprimorando sob os efeitos de seleção que a evolução exigia.
Ao mesmo tempo, o elemento espiritual primordial, foi adquirindo complexidade até o desabrochar da consciência e da inteligência que permitiram a incursão da espécie humana na Terra.
A energia emanante do espírito é o pensamento. Como fonte plasmadoura de idéias, o pensamento, é capaz de agregar elementos do Fluído Cósmico, construindo um material “idealizado” que constroe o ambiente espiritual em torno de nós.
As imagens mentais produzidas pelo pensamento de toda humanidade cria, em torno do planeta, uma atmosfera espiritual condizente com o teor destes pensamentos.
DISCUSSÃO
Sem a pretensão de ter esgotado os enunciados da doutrina espírita, podemos nos ater apenas aos que enumeramos para deduzir uma seqüência extensa de informações inovadoras para a ciência médica. Paradigmas fundamentais como a descoberta do mundo microbiano, ( Pasteur ) da circulação do sangue, ( Harvey ), da homeostase, ( Claude Bernard ), da psicodinâmica do inconsciente, ( Freud ), da seleção natural ( Darwim ), promovendo as transformações evolutivas dos organismos, trouxeram com suas teorias mudanças na interpretação dos fatos. A cada nova ordem de conhecimento que cada um destes paradigmas introduzia, ocorreram mudanças de atitudes nos procedimentos médicos.
Nenhum destes paradigmas, nem qualquer outro que possamos citar, teve a pretensão de revelar uma verdade acabada e sem contestações.
Os paradigmas espíritas estão dentro desta mesma ordem de propósitos. Trata-se de um conhecimento inovador, que esclarece razões fundamentais para a doença e o sofrimento e vai modificar substancialmente nossas atitudes diante dos doentes. Entretanto, esta nova interpretação para os acontecimentos, não suprime o esforço da pesquisa nem a experiência que se conquista com o trabalho perseverante. Os postulados espíritas não se propõem, por exemplo, para a busca de um suposto agente etiológico para uma moléstia cuja causa atual é desconhecida. O que o conhecimento espírita introduz, de forma racional e passível de comprovação experimental, é o elemento espiritual na essência fundamental de todo acontecimento relacionado com a vida na Terra.
CORPO ESPIRITUAL OU PERISPÍRITO
A literatura espírita registra três elementos fundamentais na constituição do ser humano. O espírito, nosso eu inteligente, dotado de competência para criar as idéias e manter a unidade do organismo. O corpo físico, estruturado a partir do aglomerado celular que o compõe e que sustenta seu estado de vitalidade às custas do Princípio Vital que emana do Criador. O perispírito , um organismo intermediário que possibilita a atuação no corpo físico, da energia que emana do espírito.
Após a morte, o espírito desencarnado continua dispondo do perispírito para sua apresentação. Embora tenha fundamentalmente a mesma natureza, há diferenças na disposição orgânica do perispírito do homem enquanto encarnado e do espírito no mundo espiritual. O perispírito tem natureza coloidal que lhe faculta propriedades eletromagnéticas sutilmente sensíveis à energia mental emitida pelo espírito que o controla. A ligação entre o perispírito e o corpo físico se processa na intimidade das ligações de partículas subatômicas ao nível das quais não se distingue os limites precisos onde termina o corpo físico e onde se inicia o corpo espiritual. A natureza do perispírito é dita “semimaterial”, pela falta de terminologia mais adequada e não difere dos mesmos elementos fundamentais que organizam nosso mundo físico. A diferença em comprimentos de ondas em que se expressa a “matéria física” e a “matéria espiritual” é que as expõe em “realidades” diferentes. O corpo espiritual exerce um papel plasmador e estruturador da forma física que o corpo humano assume durante a vida. Pelo conhecimento espírita sabemos que as mudanças evolutivas que foram transformando os organismos vivos na Terra, foram programadas e articuladas primordialmente, nos corpos espirituais, antes de se processarem por conseqüência inevitável, nos organismos que a biologia terrena desenvolveu.
Através da força que a vibração mental impõe ao perispírito, este pode sofrer modificações quanto à forma e a aparência. Espíritos elevados tem o mais amplo domínio sobre seus perispíritos, enobrecendo sua aparência e, irradiando através deles, uma luminosidade extraordinária.
Por outro lado, tanto o homem comum, como os espíritos de mediana evolução, mostram em seus corpos espirituais, expressões e formas que denunciam sua pobreza de pensamentos. Quase sempre, por persistirmos em vibrações mentais de conteúdo vulgar e de franca animosidade, estamos todos enegrecidos por irradiações de baixo nível espiritual.
Prevalece no perispírito do homem encarnado a mesma composição celular e disposição dos órgãos físicos. Enquanto o corpo humano atua como um fator limitante da expressão plena do potencial espiritual de cada um, o perispírito, registra e acumula toda experiência de nossas múltiplas encarnações, além de dispor de forma expandida, de todas as percepções da alma. Sabemos que o espírito, através do corpo espiritual, pode ver, sentir ou ouvir com as mãos ou com qualquer outra parte do corpo.
Outra propriedade fundamental do corpo espiritual se relaciona com os fenômenos mediúnicos. A atuação da entidade comunicante através do médium exige uma combinação dos fluídos do perispírito de ambos.
A maior fidelidade das mensagens está ligada com a maior afinidade entre os fluídos do médium e do espírito comunicante. Sendo o perispírito constituído de “matéria” radiante, extremamente sensível às vibrações mentais, o processo de comunicação entre os médiuns e os espíritos que com eles se familiarizam , depende muito desta sintonia em comprimento de ondas, que se ajustam entre os dois corpos espirituais que se aproximam.
Nos fenômenos de efeitos físicos em que ocorre o transporte de objetos materiais de um ambiente para outro, dizem os espíritos, que, o objeto transportado, fica como que, “animado” de vida, por efeito do seu envolvimento com os fluídos do perispírito do médium e do espírito que se presta a fazer este tipo de fenômeno.
Pode-se concluir que, a combinação dos fluídos do corpo espiritual é capaz de mudar a natureza dos elementos que compõe a matéria física que conhecemos. É bem provável que este processo também ocorra por modificações no comprimento de onda pelos quais se expressam os átomos que conhecemos.
MATÉRIA MENTAL E AS LEIS DE SINTONIA
A vida é a expressão de um fenômeno espiritual. Enquanto a mente, é o espírito que interpretando sensações cria as idéias e as emoções que através do pensamento exteriorizam nossos desejos.
O Fluído Cósmico serve de substrato ao pensamento que se projeta como energia expressa em partículas de comprimentos de ondas variados. Nossos pensamentos criam em torno de nós um ambiente psíquico onde estão “esculpidas” as imagens mentais que idealizamos com mais persistência. Portanto, cada um de nós convive “materialmente” com suas próprias idéias. Somos de certa forma “escravos” de nossos próprios desejos. Cultivar ódio ou amor por alguém significa também conviver psiquicamente com o personagem que construímos em nossa psicosfera para odiar ou amar. As projeções das nossas vibrações mentais estão sintonizadas em pelo menos três níveis de emissão mais ou menos hierarquizados conforme o cumprimento de onda em que ressoa nossos pensamentos. Por processos de automatismos e condicionamentos herdados, temos aptidão para emissão de pensamentos controladores das funções básicas do organismo, responsáveis pela nossa sobrevivência. Numa outra hierarquia de fenômenos, nossas emissões mentais mantém nossa consciência desperta e interagindo com o ambiente exterior em que estamos inseridos.E, finalmente em condições especiais podemos emitir pensamentos com comprimento de ondas ultracurtas, expandindo nossa capacidade de comunicação mental, atingido as dimensões espirituais mais nobres.A afinidade que atrai ou repele qualquer criatura que se aproxime de nós vai depender essencialmente do teor das vibrações mentais que emitimos. Os comprimentos de ondas mentais se ajustam ou criam ressonância conforme a sintonia que se estabelece entre elas. Ao criarmos uma idéia e projetarmos as ondas mentais pertinentes a um determinado tema, estamos estabelecendo sintonia com todos os indivíduos, encarnados ou não, que mentalizarem conosco o mesmo assunto. A convivência entre as pessoas tende as induzir a pensarem e aceitarem os mesmos princípios.
Freqüentemente somos vítimas de sugestões mentalizadas por nós ou induzidas pelos outros que produzem figuras mentais que se organizam em torno de nossa psicosfera. A imagem que passamos a fazer do mundo fica ligada então, a estas formas-mentais que induzem sistematicamente nossos comportamentos.
O empenho em assimilar um aprendizado novo, implica em sintonizar e desenvolver compreensão adequada para aceitação das sugestões propostas pela idéia nova.
Por outro lado, todos os desejos e vontades que buscamos ardentemente com insistência,nos escravizam com imagens que podem nos condicionar a comportamentos obsessivos.
As idéias que combatemos com veemência, por que nos incomodam ou nos martirizam, acabam por persistirem em nós porque, de certa forma, estamos aceitando inconscientemente o seu conteúdo e de alguma forma nos sintonizando com seus emissores.
DILEMA CÉREBRO-MENTE
A visão materialista da Ciência de hoje não tem alcance suficiente para explicar a origem do pensamento. Não há como justificar através de circuitos neuronais nossa capacidade de aprender e criar idéias novas. A partir dos estímulos neurais como a visão ou o tato, não se compreende como o cérebro, recebendo sensações físicas é capaz de gerar percepções, criar interpretações ou processar julgamentos. São funções psíquicas extremamentes complexas para as quais a fisiologia cerebral é insuficiente para justificar.
No processo evolutivo em que os organismos vivos foram se aprimorando ocorreram mudanças morfológicas e funcionais que pressupunham a sobrevivência dos mais aptos. Sem aceitarmos a existência do espírito fica muito difícil compreender como a mente, participando deste processo evolutivo, foi se aprimorando em todas as criaturas até atingir o estágio de humanização da consciência. Todo cientista, no entanto, é forçado a acreditar que foi a partir de reflexos simples da vida unicelular que se atingiu o discernimento e a inteligência.
Com uma visão espiritualista, a mente deixa de ser uma expressão sintetizada pela atividade cerebral para se apresentar como uma entidade que organiza a vida, que sobrevive à morte e que acumula conhecimento a medida em que repete as experiências de novas vidas.
A partir dos reflexos desenvolvemos automatismos e instintos. Com a capacidade de tomar decisões adquirimos o discernimento. Pela experiência, selecionando caminhos, aprendemos a raciocinar. O raciocínio e o julgamento desenvolveram a inteligência. O pensamento fragmentário dos animais deu origem ao pensamento contínuo do ser humano. A consciência tomou conhecimento do eu, do mundo exterior e de seu significado. Já temos a consciência temporal que nos permite situar os acontecimentos do presente, rememorar o passado e antever o futuro. Falta-nos conquistar a consciência da espiritualidade que nos envolve. A percepção de espaço-tempo registrada pelos nossos sentidos, se limita, no momento, às três dimensões que nos cercam. O aprimoramento espiritual deve nos reservar para o futuro a consciência contínua e a consciência expandida a outras dimensões.
FENÔMENO FÍSICO E O FENÔMENO PSICOLÓGICO
O cérebro é capaz de registrar milhões de informações em curtíssimo espaço de tempo. Ondas luminosas atravessam o olho e alcançam o lobo occipital, as auditivas ativam os lobos temporais e ao tocar um objeto registramos suas propriedades nos lobos parietais. Cada uma destas sensações não se limitam a provocar percepções de luz, de sons ou de objetos. Para cada uma delas o cérebro promove interpretações e julgamentos “criando” imagens que passam a ser representações das sensações percebidas.
A todo instante estamos “sonhando” com imagens que tem para cada um de nós o significado da realidade. Nossa grande dificuldade é explicar como e quando um fenômeno físico se processa em fenômeno psicológico.
A nível de circuitos neuronais há muito pouco que justifique este dilema. Admitindo a existência do espírito como fonte emissora da energia que faz fluir nossos pensamentos podemos deduzir que todo fenômeno psicológico é de natureza espiritual. As sensações projetadas pelo mundo físico onde estamos inseridos devem atingir o espírito onde se processa todo fenômeno de interpretação e reconhecimento. A segunda questão é compreender como a energia emanada do espírito alcança o cérebro físico constituído de matéria densa e, como os estímulos que sensibilizam o cérebro podem ser registrados pelo espírito que pertence a outra dimensão.
Esclarece a doutrina espírita que, o elemento transdutor ou transformador das sensações física é o corpo espiritual que, como vimos, participa da nossa natureza material em diferentes comprimentos de ondas susceptíveis a ação direta da mente.
Allan Kardec estudando a importância do corpo espiritual, já chamava a atenção de que o conhecimento de suas propriedades deverá trazer esclarecimentos fundamentais para a Medicina.
Podemos conjeturar que, sendo o corpo espiritual constituído de elementos mais sutis que o corpo físico, sua capacidade para armazenar e transmitir informações mentais deve estar fundamentada em redes de circuito eletromagnético, que se espraiam por todo perispírito, sem necessidade da intermediação química como a que se processa “morosamente” no cérebro físico entre redes mentais e seus neurotransmissores.
DOENÇAS ESPIRITUAIS
A Medicina compreende como doença as pertubações no bem estar físico, psíquico e social do ser humano. A tendência atual é de se aceitar uma interação constante entre estes três aspectos. Qualquer doença de expressão física desencadeia repercussões psicológicas ou psicossociais e, as perturbações psíquicas ou sociais se consolidam em quadros psicossomáticos.
Admitindo-se porém, o pressuposto da nossa natureza espiritual e, que todo processo psíquico em sua essência é uma atividade da alma, pode-se conjeturar a existência das doenças espirituais. Esta hipótese se fundamenta em postulados que já adiantamos no início deste trabalho.
Numa tentativa de classificação, podemos separar as doenças espirituais dentro da seguinte ordem :
Desequilíbrios vibratórios
Lesões cármicas do corpo espiritual,
Vampirismo,
Obsessão
Mediunismo.
Desequilíbrios vibratórios
Os desequilíbrios vibratórios consistem numa perturbação na dinâmica da interação entre o corpo físico e o corpo espiritual. Sabemos que o perispírito não ocupa o nosso corpo como se vestisse uma roupa. Ele interage com o corpo físico por ligação eletromagnética promovendo uma transição sutil entre um corpo e o outro. Esta junção entre os dois corpos permite variações na “aderência” entre um corpo e o outro. Esta ligação é mais “solta” na criança, nos idosos e na maioria dos médiuns.
Esta possibilidade de maior “desprendimento” do corpo espiritual é que possibilita toda a série de fenômenos mediúnicos.
Num mesmo indivíduo, a interação entre seu corpo físico e o perispírito, aumenta ou diminui nas horas de sono ou de meditação, nos momentos de tensão ou ansiedade e sob o efeito de certos medicamentos e alimentos.
O processo de doença espiritual, que classificamos como desequilíbrio vibratório, se estabelece, por efeito do nosso descontrole emocional, quando damos lugar em nossos pensamentos, ao ódio, a cólera, a agressividade, ao mau humor, ao desespero, a ociosidade, a maledicência permitindo com isto, uma desincronização entre o perispírito e o corpo físico. Habitualmente, esta situação provoca em todos nós, uma sensação de mal estar e indisposição que atribuímos freqüentemente a insucessos ou situações de animosidade vivenciadas no nosso dia a dia. Cabe aqui a recomendação de lembrarmos da vigilância permanente em relação aos nossos comportamentos e as nossas atitudes cotidianas.
LESÕES CÁRMICAS DO CORPO ESPIRITUAL
Quadros extremamente freqüentes de cardiopatias, hidrocefalia, atrofias cerebrais, criptorquidia, deformações uterinas, são possíveis exemplos de doenças que arrastamos por longos anos, penosamente, resgatando e reformando estas lesões.
Antigos desvios como o aborto ou o suicídio, provocados por nós mesmos em vidas anteriores, deixam marcas permanentes em nosso perispírito. Estes sinais nos acompanham no mundo espiritual e cada um de nós, com os compromissos agravados, busca uma nova encarnação, onde num corpo lesado, conseguimos o resgate cármico de nossas culpas.
VAMPIRISMO
Ocorre por desvios de conduta do comportamento humano quando nos permitimos enveredar pelo vício das drogas, dos tóxicos, do álcool, dos desvios sexuais e de extravagâncias alimentares.
Por criação da própria mente que persistentemente convive com o vício, criam-se, às custas da matéria mental, os “microorganismos mentais” ou “micróbios psíquicos” que passam a “corroer” e infestar o corpo físico sugando suas energias a partir dos centros vitais.
Estes desvio do comportamento humano, atraem pela perversão que promovem, grande número de espíritos que se associam à estes procedimentos viciados, comportando-se como parasitas ou “vampiros” do homem cujas atitudes lhes serve de gozo ou prazer.
As formas microbianas elaboradas pela mente, são construídas às custas da matéria fluídica perispiritual que “vivifica” sua atuação. Mesmo sem ter vida própria são extremamente danosas para o organismo que “vampiriza”.
No momento em que uma decisão sincera faz o homem mudar de conduta e modificar seu conteúdo mental, especialmente quando ele passa a usar a oração e o trabalho como instrumentos de cura, estas formas-imagem perdem sua “vitalidade” e deixam de parasitá-lo.
OBSCESSÃO
Sabemos que cada ser humano, por discórdias promovidas em vidas anteriores, pode ser perturbado por espíritos que se consideram credores de suas vítimas. Estas entidades passam a exercer uma perturbação obsessiva, impondo sofrimento, principalmente, através de doenças mentais ou somatizações as mais complexas possíveis.
Em qualquer ambiente de atendimento psiquiátrico é possível encontrar pacientes com quadros esdrúxulos ou atípicos que as classificações médicas da psiquiatria de hoje se mostra incapaz de identificar. Muitos, senão a maioria destes quadros, estão relacionados com os processos obsessivos que a literatura espírita descreve.
MEDIUNISMO
Na verdade, o “mediunismo” não deveria estar aqui rotulado como doença. Porém sua apresentação, em pessoas não esclarecidas ou não disciplinadas, pode revelar quadros rotulados na medicina humana tradicional como crises de epilepsia, ou crises histéricas. Uma boa orientação num centro espírita pode fazer com segurança a triagem destes quadro
CONCLUSÕES
1- Os paradigmas espíritas esclarecem de forma racional a natureza espiritual do ser humano.
2- Nas propriedades do perispírito se encontram os mecanismos de interação entre o cérebro e a mente.
3- Um grande número de doenças, se não todas, tem seus transtornos
previamente, programados no perispírito.
4- Os paradigmas espíritas sugerem a mudança de conduta, a reforma íntima, a espiritualização do homem como forma de resolver o problema do sofrimento humano.
Instituto do Cérebro
Campinas - SP
Rua Padre Vieira 1093
Fone 019-32362383
019-32349120
Cep 13015-301
Assinar:
Postagens (Atom)
