domingo, 2 de dezembro de 2012

As Imagens do Mundo


As imagens do Mundo

Nubor Orlando Facure

Temos vários olhares
A imagem real:
Olho um carro na rua, me vem à mente a ver sua placa, constato que o carro é de Salvador. Olho a bandeira do Brasil, me pergunto com qual a cor está escrito a expressão “ordem e progresso”, me detenho nesse olhar e constato que as letras estão em verde.

A imagem das lembrança
Elas me provocam emoções, me renovam sentimentos. É uma pena que o tempo as vai corroendo aos poucos e nunca me permitem conferir seus detalhes. Lembro-me da viagem até Gramado, lembro-me do carro que fui dirigindo, mas, não tem como olhar sua placa de novo. Lembro-me da festa junina no Notre Dame, no pátio todo embandeirado, mas, não posso mais fazer um novo olhar nas cores das bandeirinhas

A imagem criativa das minhas “imaginações”
Como seria bom estar com meu neto em Paris, passar ali o Natal. Luzes coloridas, gente e a alegria das músicas francesas. Mas essa imagem me foge, não posso retê-la por muito tempo. Paris descolore, muda de lugar, agora estou de novo nas luzes e no ruído do Natal do ano passado. É o mesmo neto mas, no lugar comum de passar festas com a família. Já me conformei, toda ilusão é mesmo passageira, embriaga e depois adormece-nos
As imagens intrusas da alucinação
Quem a tem, vê vultos, gente doutro mundo, objetos que se deformam, movimentos de coisas paradas, cores que rodopiam, um rosto que cresce, um olhar que persegue. São tão fortes que dominam, amedrontam e escravizam. Surpreendem no escuro ou no claro, vão embora sem que os mandem

As imagens dos meus sonhos
O sonho é a gente que faz. Trago para ele as cores, as pessoas, os lugares e meus desejos. As vezes são mágicos e outras vezes feiticeiros, me animam, me deprimem, me elevam ou me humilham. As vezes percebo que não fui eu quem escolheu o lugar e mesmo o tempo é as vezes muito lento, uma tormenta que não passa e as vezes muito rápido, um recado que não consegui terminar.
Foi num sonho que conheci o caos, tanta gente misturada, tanta coisa acontecendo, nada dava certo e tudo terminava bem. Mesmo assim, é muito bom sonhar

A imagem da loucura e da arte
O mundo afeta meus sentidos para que eu possa vê-lo. Como o artista é meio louco e o louco meio artista, eles invertem a equação, são eles que projetam seus sentido no Mundo. Conseguem diminuir nossa angústia de tanto ver o Mundo como ele realmente é  

A imagem mística dos videntes
Não é o médium quem vê o Espírito, o anjo ou o “demônio” , são eles que aparecem para nós. E os seres do outro Mundo só mostram o que querem que a gente veja. Por isso eu não digo que vi, me fizeram ver, por isso eu posso acreditar ou não nisso que eu não vi mas me mostraram

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Alzheimer


Alzheimer
Nubor Orlando Facure

Alzheimer
Essa nau sem rumo
Sem porto de chegada
Embarcação sem Alma
A memória naufragou
O pensamento sufoca, agita-se em desassossego.
A personalidade evapora entre o dia e a noite, ela não amanhece a mesma nunca mais.
A moral não se contém, é um animal que rasteja entre os detritos.
No chacoalhar das ondas fragmentou-se a atenção, o planejamento, a competência e a interação social.
A embarcação põe em pânico quem se avizinha dela
O piloto automático parece funcionar, mas onde está quem o dirige?
Quem ti construiu ? Onde a falhou esse carpinteiro? Para onde foi essa Alma que ti abandonou ?

sábado, 24 de novembro de 2012

Deixe suas coisas e siga-me


Deixe suas coisas e siga-me
Nubor Orlando Facure



Ibrahin recolheu dois sacos de lã e levou suas ovelhas até a pastagem próxima
Os primeiros sinais da manhã começavam a aparecer e diante da casa de Pedro um grupo de pessoas se acomodava assentando nas pedras
Aproxima-se Ibrahim para ouvir de que se trata, é um homem de olhar penetrante, iluminado, sereno e que em voz firme dizia: o menor será o maior no Reino dos Céus”. Sem querer perder mais tempo Ibrahim precisa ir a cidade onde fará a entrega da lã aos comerciantes
Dia seguinte está ali o mesmo grupo e o mesmo homem que os aprisiona em sua palavras: “primeiro, reconcilia com o seu inimigo”. Ibrahin se retira carregando três potes de vinho que precisa vender
Na sexta-feira o grupo está reunido, antes de irem para a Sinagoga, e Ibrahin, agora mais interessado escuta: “não se põe remendo novo em roupa velha”. Nosso comerciante abandona pela última vez aquele  olhar azul esverdeado que o Mestre lhe dirige, o feixe de lenha está pesando e ele tem de entregar aos compradores.
Semana seguinte não ha mais ninguém na casa de Pedro. Tomé que ficou para traz diz à Ibrahin, “para segui-lo é preciso deixar o mundo, vender suas coisas, dar aos pobres e desfazer-se do homem velho que ha em você

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Dona Jovina


Dona Jovina
Nubor Orlando Facure


Ela termina às pressas a costura e sai para buscar a filha no colégio. Toda tarde essa rotina, mas, Magali é rebelde, teimosa e se desculpa com a colegas resmungando que a “empregada” veio busca-la mais cedo.
Na Faculdade, Magali fratura a perna num acidente de moto. Levada numa cadeira de rodas ela diz às amigas que é uma atendente que o pai contratou.
O casamento ela preferiu fazer no Rio de Janeiro onde a mãe não poderia comparecer. Os dois filhos, desde que nasceram estavam sempre em viagens e não podiam visitar a avó.
Transito agitado, mais um acidente no Rio de Janeiro e Magali morre na UTI de um hospital carioca.
No mês seguinte, num famoso cemitério do Rio uma costureira deposita flores no túmulo de Magali. Alguém ali perto pergunta porquê? Essa mulher era tão rica, vaidosa, fez tanta maldade para os empregados como receber flores de alguém?
Essa é minha filha foi ela quem me ensinou: perdoar e aceitar as ofensas sem nunca deixar de amar.

sábado, 17 de novembro de 2012

E no sétimo dia descançou


“E no sétimo dia descansou”
Nubor Orlando Facure


Oh!  meu Deus, não descanse nesse sábado
O filho da Cida, sumiu fazem 4 dias, ela faz a faxina para nós ha 40 anos, é uma dor que a mãe não pode suportar sem Sua ajuda
Dona Regina já não consegue mais deglutir e seu médico não pode vir atendê-la em casa, Seu socorro não pode demorar
Seu Clodomiro está velho e cada vez mais frágil,  mesmo assim, a esposa descuidou-se e ele ficou perdido na rua, irradia Sua Paz naquela casa
O Alzheimer de Dona Alzira piorou muito, ela já não sai da cama e a Empresa onde trabalha o marido não aceitou sua licença médica, alimente com Suas forças esse casal
Os exames do Sr. Manoel chegaram e assim que o filho me telefonar vou contar que é câncer, protele sua dores por algum tempo Senhor
O marido da nossa “carteira” permanece em coma dois meses depois que bateu a cabeça, dê-lhe uma nova chance de vida Senhor
Mesmo assim, por tudo que peço, que seja feita a Sua vontade

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Neurônios


Neurônios
Nubor Orlando Facure

Neurônio que é neurônio não perdoa
Um aviso aos que magoam, um alerta aos que traem, um sinal aos que ferem, uma dica aos que abandonam
O neurônio não tem borracha nem tecla de deletar. O que se inscreve neles é para sempre
O perdão sublime, que Jesus ensina, é de Espírito para Espírito